TJGO combate sete mitos sobre adoção por casais LGBTQIA+ em nova cartilha
22 outubro 2026 às 11h47

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O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) lançou nesta quinta-feira, 22, a cartilha “Família, no plural: Adoção e diversidade LGBTQIAPN+”. Produzido pela Coordenadoria da Infância e Juventude em conjunto com o Comitê de Equidade e Diversidade de Gênero, o documento reúne orientações sobre o processo adotivo e reserva uma seção específica para desmontar sete mitos que ainda cercam a adoção por pessoas e casais LGBTQIA+.
Organizado no formato de confronto entre mito e verdade, o conteúdo rebate afirmações recorrentes no debate público e as compara a resultados de pesquisas acadêmicas. A corte goiana busca oferecer respostas verdadeiras a dúvidas que, segundo o material, comprometem o acesso de pretendentes LGBTQIA+ ao processo de adoção.
Confira os mitos e verdades sobre a adoção por pessoas LGBTQIAPN+
Mito: “Crianças criadas por pais LGBTQIAPN+ têm mais problemas psicológicos.”
Verdade: Crianças criadas por pais LGBTQIAPN+ apresentam níveis semelhantes de saúde mental, autoestima e desenvolvimento social aos de crianças criadas por pais heterossexuais.
Mito: “Crianças precisam de um pai homem e uma mãe mulher para se desenvolverem bem.”
Verdade: O desenvolvimento saudável depende de fatores como vínculos afetivos, estabilidade, cuidado e apoio. O gênero ou a orientação sexual dos pais, por si só, não determina esse desenvolvimento.
Mito: “A adoção por pessoas LGBTQIAPN+ é prejudicial porque não segue o modelo de família tradicional.”
Verdade: Pesquisas indicam que diversas configurações familiares podem promover desenvolvimento saudável, desde que exista cuidado, estabilidade e apoio emocional.
Mito: “Casais LGBTQIAPN+ são menos preparados para educar crianças.”
Verdade: Estudos com famílias adotivas indicam que casais LGBTQIAPN+ apresentam capacidade para cuidar e educar crianças semelhante à de casais heterossexuais, frequentemente com alto investimento emocional na criação dos filhos.
Mito: “Filhos de pais LGBTQIAPN+ têm mais chance de se tornarem LGBTQIAPN+.”
Verdade: Não há evidência de que a orientação sexual dos pais determine a orientação sexual dos filhos.
Mito: “Crianças de famílias LGBTQIAPN+ sofrem mais bullying e, por isso, essas famílias não deveriam adotar.”
Verdade: O bullying pode ocorrer, mas está relacionado ao preconceito social, e não à estrutura familiar. Estudos mostram que crianças dessas famílias tendem a desenvolver maior empatia e tolerância social.
Mito: “A adoção por pessoas LGBTQIAPN+ traz riscos ao desenvolvimento da criança.”
Verdade: Estudos não identificam prejuízos no desenvolvimento emocional, cognitivo ou social relacionados à orientação sexual dos pais.
Além de desmontar as sete crenças, o material se dirige a pretendentes, profissionais da rede de proteção e operadores do Sistema de Justiça. Ele explica como funciona a adoção por pessoas e casais LGBTQIAPN+, quais garantias os protegem da discriminação durante o processo e onde denunciar tratamento desigual. Com isso, o TJGO pretende alcançar tanto quem deseja adotar quanto quem atua no sistema de garantia de direitos.

“Esta cartilha foi elaborada para oferecer de forma clara e acessível, orientações sobre a adoção por casais e pessoas LGBTQIAPN+. O material detalha os requisitos para adotantes e adotandos, descreve o fluxo processual — da habilitação à sentença — e elucida dúvidas sobre gratuidade, sigilo, avaliações técnicas e o caráter irrevogável e irretratável da adoção“, diz a cartilha.
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