Uma arara apareceu dentro de uma residência na região da Igreja Matriz, em Caiapônia, no oeste de Goiás. Preocupada com a possibilidade de a ave estar ferida, a moradora acionou o Corpo de Bombeiros. O chamado aconteceu na tarde de terça-feira, 20 de outubro. Ao chegar ao local, a equipe verificou que a arara não apresentava sinais aparentes de ferimentos. A suspeita é de que fosse uma ave jovem, ainda na fase de aprendizado de voo, que acabou saindo do ninho.

Os bombeiros localizaram o ninho e conseguiram recolocar a arara no local, permitindo que ela permanecesse no ambiente natural e continuasse seu desenvolvimento. A equipe também pretende retornar à residência para verificar as condições da ave.

Arara-canindé não está ameaçada de extinção, mas enfrenta riscos

Pelas características da plumagem, a ave é identificada como uma possível arara-canindé (Ara ararauna), espécie conhecida também como arara-de-barriga-amarela. Ela se destaca pelas penas azuis nas costas e nas asas, pela coloração amarela na parte inferior do corpo e pela região branca da face, marcada por linhas pretas ao redor dos olhos.

A arara-canindé pode atingir cerca de 86 centímetros de comprimento e pesar mais de um quilo. Encontrada em diferentes regiões da América do Sul, incluindo o Cerrado brasileiro, a espécie habita áreas de mata, regiões próximas a rios e locais com palmeiras. Também pode ser vista em ambientes urbanos com árvores que oferecem alimento e condições para a reprodução.

A alimentação é composta principalmente por frutos, sementes e castanhas. Ao consumir frutos e dispersar sementes, a ave também contribui para a regeneração da vegetação e para o equilíbrio dos ecossistemas.

Apesar de sua aparência exuberante, a arara-canindé não é considerada globalmente ameaçada de extinção. A espécie é classificada como “pouco preocupante” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Isso, porém, não significa que esteja livre de ameaças: a destruição do habitat natural, a captura ilegal para o comércio de animais silvestres e outros impactos humanos podem reduzir populações em determinadas regiões.

Filhotes podem sair do ninho durante o aprendizado de voo

A saída do ninho faz parte do desenvolvimento das araras. Durante essa fase, os filhotes começam a desenvolver habilidades de voo e a explorar o ambiente, mas ainda podem precisar dos cuidados dos pais.

De acordo com informações do Instituto Arara Azul, a disponibilidade de locais adequados para nidificação é importante para a reprodução da espécie. As araras-canindés costumam utilizar cavidades em troncos de árvores e palmeiras, que podem ser aproveitadas durante vários anos.

A presença de uma ave jovem em uma residência, portanto, não significa necessariamente que ela esteja ferida ou tenha sido abandonada. Caso um animal silvestre seja encontrado nessa situação, a orientação é evitar o manuseio e acionar os órgãos ambientais ou o Corpo de Bombeiros para avaliar a necessidade de resgate.

No caso registrado em Caiapônia, a equipe conseguiu localizar o ninho e devolver a ave ao local. O acompanhamento previsto pelos bombeiros deverá ajudar a verificar se ela permanece em boas condições.

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