Tambaqui no Rio Araguaia preocupa pesquisadores e ameaça biodiversidade do Cerrado
07 maio 2026 às 18h59

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A presença crescente do tambaqui (Colossoma macropomum) no rio Araguaia tem preocupado pesquisadores e especialistas em biodiversidade aquática. Nativo das bacias Amazônica e do Orinoco, o peixe vem sendo encontrado com frequência cada vez maior no Araguaia, considerado o último grande rio do Cerrado sem barragens.
Segundo estudos científicos, o tambaqui não é uma espécie nativa da bacia do Araguaia. A principal hipótese é que ele tenha chegado ao rio após escapes de pisciculturas durante períodos de cheia. Desde então, a espécie passou a se espalhar pela região.
Pesquisadores já confirmaram a presença de ovos e larvas do tambaqui no Araguaia, indicando que o peixe está se reproduzindo naturalmente no rio. O avanço da espécie preocupa porque invasões biológicas estão entre as principais causas de perda de biodiversidade no mundo.
O tambaqui possui alimentação variada e grande capacidade de adaptação, consumindo frutos, sementes, insetos, zooplâncton e até pequenos peixes. Isso pode gerar competição com espécies nativas do Araguaia, além de alterar o equilíbrio ecológico da bacia.
Outro risco apontado pelos pesquisadores é o cruzamento do tambaqui com espécies próximas, formando híbridos conhecidos como “tambatinga”, o que pode comprometer a genética dos peixes nativos ao longo do tempo.
Apesar das preocupações ambientais, o tambaqui se tornou atrativo para a pesca esportiva no Araguaia devido ao grande porte e força durante a captura. Especialistas, porém, alertam que os impactos negativos de espécies invasoras costumam aparecer de forma gradual e podem ser irreversíveis.
Atualmente, pesquisadores de universidades e instituições científicas monitoram a expansão da espécie por meio do projeto “O invasor do Araguaia”, que analisa alimentação, reprodução, genética e distribuição do peixe na bacia.
Em Goiás, a captura e o transporte do tambaqui já são permitidos por ele ser considerado espécie não nativa. Cientistas defendem que outros estados da região adotem medidas semelhantes, além de reforçar a fiscalização em pisciculturas para evitar novos escapes.
Para os pesquisadores, controlar o avanço do tambaqui é fundamental para preservar a biodiversidade, a pesca e o equilíbrio ecológico do rio Araguaia.
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