A suspensão das importações de carne de frango e outros produtos avícolas brasileiros pelo México, anunciada nesta segunda-feira, 19, acendeu um alerta para o setor produtivo de Goiás. A medida foi adotada após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em Santa Catarina, mas, segundo representantes da avicultura goiana, não há expectativa de grandes prejuízos para o estado neste primeiro momento.

Em entrevista ao Jornal Opção, o presidente da Associação Goiana de Avicultura (AGA), Marcos Café, explicou que a distância entre Goiás e o local onde a doença foi identificada é um dos fatores que podem favorecer os produtores goianos diante das restrições comerciais. “Goiás, em particular, está muito distante do foco. E um dos critérios que os compradores das nossas carnes avaliam é isso. Como eles enxergam que o foco está muito distante, a possibilidade de as nossas aves estarem contaminadas diminui muito”, afirmou.

O representante do setor destacou, no entanto, que os impactos econômicos dependerão da evolução do quadro sanitário e da reação dos países que compram produtos avícolas brasileiros. Caso a doença se espalhe para outras regiões, novas restrições poderão comprometer as exportações e ampliar os prejuízos à cadeia produtiva. “Eu não acredito que a gente vai ter grandes prejuízos nesse primeiro momento. Agora, se a doença se espalhar, aí começa a ter um quadro mais grave e suspensões de importações mais importantes”, alertou.

Restrições comerciais

O México interrompeu a importação de carne de frango, aves vivas, ovos férteis e outros produtos avícolas brasileiros após a identificação da doença em uma granja comercial de perus no município de Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina. A propriedade, que abriga cerca de 6 mil animais, foi interditada pelas autoridades sanitárias. O Ministério da Agricultura e a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) iniciaram medidas de contenção, erradicação do vírus e monitoramento de estabelecimentos da região.

Ao Jornal Opção, Marcos Café explicou que a doença de Newcastle é de notificação obrigatória e que sua identificação permite aos países importadores suspender a compra de produtos avícolas da região ou do país afetado. Entretanto, as restrições não são necessariamente adotadas por todos os parceiros comerciais.

Segundo ele, a avaliação depende da capacidade das autoridades sanitárias de demonstrar que o foco está controlado e não representa ameaça às demais regiões produtoras. “Se eles entenderem que o foco está confinado naquela região e que o país conseguiu conter o foco, as exportações seguem normais. Mas, se acharem que isso pode se espalhar pelo resto do Brasil, é muito normal que as exportações sejam interrompidas”, explicou.

O presidente da associação lembrou que o Brasil enfrentou situação semelhante durante a ocorrência de influenza aviária, quando precisou demonstrar aos parceiros internacionais a capacidade de seu sistema de defesa sanitária para conter a disseminação da doença.

Vacinação favorece produção goiana

Outro fator apontado por Marcos Café como favorável à avicultura de Goiás é o histórico de vacinação dos plantéis contra a doença de Newcastle. Segundo ele, embora exista uma vacina eficiente, a imunização não é adotada de maneira uniforme pelas empresas produtoras em todo o país.

O representante explicou que, em regiões onde a circulação da doença é considerada baixa, algumas empresas optam por não vacinar os animais. Em Goiás, por outro lado, a tradição de imunização representa uma proteção adicional. “Goiás, por exemplo, tem um histórico bom de vacinação. Isso nos protege mais”, destacou.

Apesar desse cenário, o dirigente ressaltou que o setor acompanha a evolução do foco em Santa Catarina, uma vez que o surgimento de novos casos e a eventual ampliação das restrições internacionais podem alterar as perspectivas para a produção e comercialização de aves brasileiras.

Doença não compromete segurança do consumo

A doença de Newcastle é uma infecção viral altamente contagiosa que atinge aves domésticas e silvestres. Entre os principais sintomas estão problemas respiratórios, alterações neurológicas, diarreia, redução da produção de ovos e, em casos graves, elevada mortalidade dos animais.

Apesar dos impactos sobre a sanidade animal e o comércio internacional, as autoridades sanitárias esclarecem que a doença não representa risco significativo à saúde humana. O consumo de carne de aves e ovos provenientes de estabelecimentos inspecionados permanece seguro.

O Ministério da Agricultura informou que as medidas de contenção seguem os protocolos previstos no Plano de Contingência para Influenza Aviária e Doença de Newcastle, com o objetivo de controlar o foco e preservar a segurança sanitária da produção nacional.

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