SUS disponibilizará pílula contra infecção por HIV. Especialista explica como funciona

Ministério da Saúde divulgou nesta segunda-feira (29/5) que o antirretroviral Truvada como profilaxia pré-exposição será ofertado para grupos de risco

foto: Reprodução/PrEP Brasil

Uma portaria do Ministério da Saúde publicada nesta segunda-feira (29/5) no Diário Oficial da União tornou pública a decisão de incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) o antirretroviral Truvada como profilaxia pré-exposição (PrEP) para populações sob maior risco de infecção por HIV.

A PrEP consiste no consumo diário do medicamento por pessoas que não têm o vírus, mas que estão mais expostas à infecção, como profissionais do sexo, homossexuais, pessoas trans e casais sorodiscordantes (quando apenas um dos parceiros é soropositivo).

Em entrevista ao Jornal Opção, a médica infectologista Ana Beatrix Ferreira Caixeta explicou que “quando tomado na dose certa, o medicamento combate o vírus na hora em que a pessoa entra em contato, impedindo a infecção de fato, fazendo com que o vírus não se espalhe”. “Com isso, há grandes chances de se diminuir a epidemia da Aids no mundo”, declarou.

Com a publicação, a PrEP deve passar a ser distribuída em até 180 dias na rede pública de saúde. De acordo com o ministério, o Brasil é o primeiro país da América Latina a adotar a estratégia como política de saúde pública.

Segundo a médica infectologista “é preciso uso contínuo da profilaxia para que faça efeito”. “Não é pra usar só imediatamente antes de se expor”, orientou.

A médica explicou ainda que a Organização Mundial de Saúde (OMS) estabelece um tempo mínimo para que se tenha uma proteção efetiva. “Para a relação anal são sete dias e para a relação vaginal no mínimo 20 dias”, definiu.

Prevenção combinada

A estimativa do ministério é que o Truvada seja utilizado no Brasil por cerca de 7 mil pessoas que integram as chamadas populações-chave, no primeiro ano de implantação.

Segundo a especialista, porém, os participantes dos grupos de risco passam por uma segunda triagem para que consigam o medicamento. “Não basta só fazer parte desse público. Esses pacientes passam por avaliação sobre outros fatores de risco para exposição ao HIV, como números de parceiros e condições sociais. É avaliado o real risco desse paciente de se expor ao vírus”, sintetizou.

A PrEP, segundo a pasta, se insere como uma estratégia adicional dentro de um conjunto de ações preventivas que inclui a testagem regular, a profilaxia pós-exposição, a testagem durante o pré-natal e o uso de preservativo, entre outros.

Entretanto, a PrEP não substitui o uso da camisinha. “Vale ressaltar que a profilaxia pré-exposição é algo pra ser associado à camisinha, mas não para substituir. Principalmente porque ela previne apenas a transmissão do HIV e não de outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs)”, explicou Ana Beatriz.

Estudos

Evidências científicas disponíveis demonstram que o uso de antirretrovirais pode reduzir o risco de infecção por HIV em mais de 90%, desde que o medicamento seja tomado corretamente, já que a eficácia está diretamente relacionada à adesão.

HIV no Brasil

Dados do último boletim epidemiológico do ministério revelam que 827 mil pessoas vivem com HIV/Aids no Brasil atualmente. Desse total, 372 mil ainda não estão em tratamento, sendo que 260 mil já sabem que estão infectadas e 112 mil não sabem que têm o vírus.

A Aids, no país, é considerada uma doença estabilizada, com taxa de detecção em torno de 19,1 casos para cada 100 mil habitantes. Ainda assim, o número representa cerca de 40 mil novos casos ao ano. (Com Agência Brasil)

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ADAILTON

ONDE POSSO ESTAR OBTENDO ESSE MEDICAMENTO ?