“Somos contra expansão urbana em Goiânia”, diz representante do setor imobiliário

Novo presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário, Roberto Elias defendeu modernização do setor público e melhoria na legislação 

Roberto Elias garante que Ademi tem como objetivo proteger o meio ambiente e melhorar a cidade | Foto: Matheus Godoy

Recém-empossado presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), o engenheiro Roberto Elias defendeu, em entrevista ao Jornal Opção, a conduta do setor no Estado e, especificamente, em Goiânia. Segundo ele, a imagem de que construtores só querem lucro a qualquer custo é equivocada e reducionista.

Durante uma hora, apresentou as propostas que pretende desenvolver à frente da entidade, sendo a principal delas a publicidade das ações. “Talvez não tenha havido uma comunicação boa, uma assessoria, mas a Ademi está sempre participando das discussões importantes para e em defesa da cidade”, esclareceu.

Ex-secretário de Planejamento de Goiânia (durante a gestão do finado ex-prefeito Paulo Garcia), Roberto Elias criticou o “atraso” no poder público municipal, que ainda está “na geração do papel”. “A partir do momento que não há uma gestão informatizada, com diretrizes claras, nada funciona. O TJ [Tribunal de Justiça de Goiás] é destaque no Brasil porque todos os processos são digitalizados, queremos isso para o setor público. Para que perder tempo indo à secretaria se algumas análises podem ser feitas online?”, questionou.

O empreendedor defende que a prefeitura deve desburocratizar a aprovação de pequenos projetos e se debruçar sobre os casos com maior potencial de impacto na cidade, como centros comerciais, shoppings, supermercados. Cita como exemplo o projeto “Alvará Fácil”, lançado pelo prefeito Iris Rezende (PMDB), a quem tece elogios e afiança apoio para “implantar modernidade na prefeitura”.

Para ele, a Secretaria de Planejamento, Urbanismo e Habitação (Seplanh) não tem dado conta de elaborar o planejamento da cidade, justamente por isso defende a criação de um instituto de planejamento. “Estava previsto no Plano Diretor de 2007. Aliás, muita coisa ficou faltando ser regulamentada, como o Plano de Drenagem Urbana, o Plano de Gestão de Resíduos, o programa de gerenciamento do trânsito, a adequação da rede viária… São os desafios para a revisão do plano diretor neste ano”, destacou.

Sem expansão

Em confecção por uma comissão de técnicos da prefeitura, a minuta do projeto de lei que fará as alterações no Plano Diretor de Goiânia em 2017 ainda é tratada com discrição pela gestão Iris Rezende (PMDB). No entanto, nesta semana, o coordenador do projeto, Henrique Alves, reconheceu, durante entrevista ao Jornal Opção, que não é possível dizer se haverá ou não uma nova expansão urbana. Mas que há sim áreas na zona rural que precisam ser regulamentadas.

Questionado sobre o assunto, Roberto Elias garantiu que a Ademi não é favorável à ampliação da área urbana da cidade, ou seja, à mudança de áreas consideradas rurais em urbanas para garantir a construção de empreendimentos: “Somos contra expansão urbana, defendemos sim o redesenho da malha urbana de Goiânia porque é necessário”.

“No Setor Real Conquita, por exemplo, há um vazio enorme ao lado que não se pode construir. Por quê? Porque não está na área urbana. Há chácaras sem uso na região e a prefeitura precisa cuidar disso. O uso mais social da terra é a moradia, sem dúvidas. Então há a área, prefeitura tem vontade de fazer moradia, pois é uma demanda social, por isso tem que ter a legislação bem definida. Daí a importância do redesenho”, asseverou.

O presidente da Ademi nega veementemente que a tentativa de se fazer um “novo desenho urbano” seja uma manobra do setor imobiliário para poder construir mais em locais não apropriados. Aliás, ele garante que a nova gestão da entidade provará para a população que o retorno financeiro para a sociedade com as novas construções é enorme.

Medidas mitigadoras

Roberto Elias defende importância do setor imobiliário para a economia 

“O mercado imobiliário saiu construindo? Sim. Mas o poder público, embora tenha recebido R$ 40 milhões apenas em licença onerosa nos últimos anos, não investiu, por exemplo, na mobilidade. Dinheiro deveria ser reinvestido na cidade, o que por vezes não acontece com planejamento. O setor quer ser parceiro para fazer mais praças, como a Praça de Sol, a Ricardo Paranhos [construídas, segundo ele, com recursos privados]”, defendeu.

Um dos objetivos da nova diretoria da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás é mostrar, empiricamente, o quanto de retorno financeiro o setor da construção civil dá à sociedade. E fará isso com a divulgação periódica de pesquisas que serão realizadas em parceria com outras entidades da área.

“Pego o exemplo do Órion [empreendimento na Avenida Mutirão], que antes era a sede da Associação Médica. Quanto se pagava de IPTU? R$ 2 mil? Hoje com o empreendimento, quanto a prefeitura vai passar a arrecadar só de IPTU do hospital, das salas, do shopping? Sem contar os empregos. Mais de mil diretamente. Em ISS [Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza], a FR Construtora, responsável pelo Órion, foi campeã de arrecadação. Geramos emprego, renda tanto para as pessoas quanto para a prefeitura”, rebateu.

Sobre a falta de transparência na divulgação dos valores pagos como contrapartida para a construção de grandes empreendimentos em Goiânia, o empreendedor insistiu na falha do poder público: “É preciso melhorar a Seplanh, equipar melhor, contratar profissionais, melhorar os salários.”

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