Servidores devem esperar votação do novo projeto da data-base para decidirem se cruzam os braços

Projeto de lei que propõe parcelar a data-base de 2015 já está na CCJ e deve chegar em breve ao plenário. Servidores esperam que emendas do projeto vetado pelo prefeito sejam feitas também nessa nova proposta

Cartazes ocuparam o plenário durante votação que decidiu pela manutenção do veto do prefeito Paulo Garcia ao projeto da data-base | Foto: Laura Machado

Cartazes ocuparam o plenário durante votação que decidiu pela manutenção do veto do prefeito Paulo Garcia ao projeto da data-base | Foto: Laura Machado

Durante sessão conturbada, que terminou na aprovação da manutenção do veto do prefeito Paulo Garcia (PT) ao projeto da data-base de 2014 dos servidores municipais de Goiânia, servidores e vereadores da oposição chegaram a falar sobre a possibilidade de greve. É provável, porém, que as categorias esperem a votação do novo projeto da data-base, que já está na Comissão de Constituição, Redação e Justiça (CCJ), para decidirem se cruzam os braços.

A presidenta do Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde no Estado de Goiás (Sindsaúde/GO), Flaviana Alves, falou sobre a decepção de ver os vereadores decidirem pela manutenção do veto do prefeito: “De que lado ele estão? Do prefeito, que faz uma má gestão, que não universaliza e não valoriza todos os trabalhadores? Exigimos desses vereadores o compromisso com cada cidadão, com cada servidor público que os elegeu”.

Flaviana diz ainda que os servidores da Saúde vão pressionar a Câmara Municipal para que o projeto que está na CCJ seja emendado para que haja o pagamento da retroatividade também de 2014. “Se o prefeito ainda insistir no veto, aí sim a categoria terá uma assembleia e vai avaliar que certamente é a hora de cruzar os braços, porque o prefeito não dá valor ao trabalhador público”, explica.

Iêda Leal, vice-presidenta do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), também lamenta a decisão dos vereadores: “Infelizmente, esse momento é muito triste para a gente, porque é o não reconhecimento do nosso trabalho. São oito meses aguardando a prefeitura e a prefeitura diz não aos trabalhadores”. Ela diz ainda que a categoria deve começar a se organizar para ir às ruas: “Nós vamos fazer uma reunião com todos os representantes do fórum e vamos decidir algumas manifestações, nós não vamos nos calar diante disso, é uma falta de respeito”.

Quanto ao projeto da data-base de 2015, a vice-presidenta demonstra apreensão. “Se a prefeitura não tem dinheiro para arcar com os oito meses da data-base de 2014, nós também não temos segurança para saber se ela vai também cumprir com a data-base de 2015”, argumenta. E completa: “Nós vamos propor todas as emendas possíveis para garantir os direitos dos trabalhadores, nós vamos entrar com os nossos advogados, nós vamos discutir com os vereadores e vamos propor que nesse projeto possa voltar o tema da retroatividade”.

Apesar do que as lideranças dos sindicatos dizem, os trabalhadores, que ficaram irados com o posicionamento dos vereadores, apoiam a greve geral. Márcia Andrade, servidora da Educação Municipal, é representa essa multidão. “Eu defendo greve geral, porque o prefeito está descumprindo uma lei que é constitucional, nós não estamos pedindo favor. O momento é de nós irmos para as ruas, é greve geral”.

Nova proposta

O projeto que trata da data-base de 2015 está em trâmite desde a última quinta-feira (26/2), quando foi entregue em caráter de urgência na Câmara pelo prefeito em exercício, Agenor Mariano (PMDB). Essa proposta determina o pagamento da data-base de 2014, em 6,8%, a partir do mês de abril e antecipa o pagamento da data-base de 2015 dividido em três parcelas – 1,5% em maio, 1,5% em setembro e 4,36% em janeiro de 2016 – que somam 7,36%. O projeto não trata, porém, da retroatividade.

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