“Servidor público tem que ser leal, mas não cúmplice”, diz Calero

Ex-ministro da Cultura, pivô da crise no governo federal envolvendo o ex-ministro Geddel, concedeu entrevista na qual defende acusações de que teria sido desleal

Marcelo Calero é entrevistado pela jornalista Renata Loprete | Foto: Reprodução / Youtube

Marcelo Calero é entrevistado pela jornalista Renata Loprete | Foto: Reprodução / Youtube

O ex-ministro da Cultura Marcelo Calero concedeu entrevista ao Fantástico da Rede Globo, na noite do último domingo (27/11), na qual defendeu acusações de que teria sido desleal ao gravar conversas envolvendo pessoas do governo, inclusive com o presidente Michel Temer (PMDB).

“Eu fiz algumas gravações telefônicas. Ou seja, de pessoas que me ligaram. Entre essas gravações, existe uma gravação do presidente da República, mas uma gravação absolutamente burocrática. Inclusive, eu fiz questão de que essa conversa fosse muito protocolar, que é a conversa da minha demissão. Eu tive a preocupação inclusive de não induzir o presidente a entrar em qualquer tema pra não criar prova contra si”, afirmou Calero.

Sobre as críticas de que teria sido desleal a Temer, Calero se defendeu dizendo que servidor público tem que ser “leal, mas não cúmplice”.

“Começaram com essa boataria vinda aí do Palácio do Planalto de que eu deliberadamente teria pedido um encontro com o presidente da República para, de maneira ardilosa, sorrateira, gravar essa audiência. Ou seja, entrar no gabinete presidencial com um instrumento, com uma ferramenta, de gravação. Eu preciso dizer que isso é um absurdo. Isso aí só serve para alimentar essa campanha difamatória e desviar realmente o foco das atenções”, disse.

Na última sexta-feira, o ministro Geddel Vieira Lima, da Secretaria de Governo, decidiu deixar o cargo, após Calero tê-lo acusado de exercer pressão para que fizesse uma intervenção junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para a liberação de construção de um edifício em uma área tombada da capital da Bahia. Neste domingo, Calero afirmou que foi procurado não apenas por Geddel, mas também por Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil, por um assessor próximo a Michel Temer e pelo presidente da República.

Questionado se chegou a gravar alguma conversa com Geddel ou Eliseu Padilha (Casa Civi), Calero disse que não poderia responder a essa pergunta porque “poderia atrapalhar as investigações”. “Eu posso falar que houve as gravações, mas não posso falar dos interlocutores”, afirmou.

Calero também relatou a conversa que teve com o ministro Padilha sobre o assunto e afirmou que ficou impressionado pelo fato de que “altas autoridades da República perdiam o seu tempo em favor de um assunto paroquial”.

Em nota, a AGU afirma que todos os episódios de controvérsia entre órgãos públicos são analisados pela instituição e que é lamentável a insistência em tentar criar fatos a partir de suposições sem ao menos conhecer como funciona a atuação da AGU.

Procurados pelo programa, o ex-ministro Geddel e o ministro Padilha afirmaram que não vão comentar o assunto.

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