Sem-terra acusa usina de Santa Helena de ataque a tiros

Segundo MST, vigilantes fardados da empresa teriam efetuado vários disparos contra grupo de famílias. Conflito entre assentados e indústria teve início em 2015

Acampamento foi levantado por mais de 4 mil famílias no ano de 2015 em áreas que foram arrecadadas pela União junto à empresa | Reprodução/MST

Um grupo de trabalhadores sem-terra assentados na zona rural do município de Santa Helena de Goiás acusa funcionários da Usina Santa Helena (UHS), localizada no perímetro do acampamento, de atirar contra famílias na última quarta-feira (4/1).

As informações são do gabinete da deputada estadual Isaura Lemos (PCdoB), presidente da Comissão de Habitação, Reforma Agrária e Urbana da Assembleia Legislativa de Goiás.

Segundo a denúncia, dois vigilantes fardados da empresa teriam se aproximado do acampamento e efetuado vários disparos na direção de um grupo de famílias. Após mobilização dos assentados, os atiradores teriam fugido.

Com auxílio do Núcleo de Direitos Humanos de Rio Verde, o grupo sem-terra procurou a Delegacia de Polícia de Santa Helena para registrar boletim de ocorrência. Ao Jornal Opção, o delegado Thiago Latorre confirmou o registro, mas disse que as investigações ainda não foram iniciadas e alega não ter mais informações quanto à autoria do atentado.

O conflito entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra de Goiás (MST-GO) e a Usina Santa Helena teve início ainda em 2015, quando mais de 4 mil famílias do MST ocuparam diversas áreas que foram arrecadadas pela União junto à empresa. O delegado Thiago Latorre confirma processos em andamento, na esfera cível e criminal, envolvendo as partes.

Segundo o grupo, a empresa, que integra o Grupo Naoum, tem mais de R$ 1,1 bilhão em dívidas trabalhistas e com a União, possui denúncias de crimes ambientais e está em processo de recuperação judicial desde 2013.

O Jornal Opção tentou insistentemente contato com a Usina Santa Helena, mas, até a publicação desta matéria, os números de telefone indicados em páginas da indústria em websites não chegaram a completar ligação.

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