Sem #ForaDilma, protestos perdem pauta em comum

Os mesmos manifestantes que vestiram verde e amarelo e foram às ruas pelo impeachment, agora divergem em protesto contra parlamentares e a favor da Lava Jato

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Os mesmos movimentos que organizaram ao longo de 2015 e 2016 diversos protestos pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) fizeram neste domingo (4/12) a primeira grande mobilização desde que a petista foi definitivamente afastada do cargo. Em Goiânia, quatro carros de som fecharam as avenidas Coronel Eugênio Jardim e Edmundo Pinheiro de Abreu no Setor Pedro Ludovico, em frente à Superintendência da Polícia Federal.

Convocados pelo Vem Pra Rua, Movimento Brasil Livre e o Nas Ruas, mais uma vez, centenas (os organizadores falam em milhares) de goianienses se vestiram com as cores da bandeira do Brasil e foram às ruas. A sincronia das palavras de ordem, entretanto, já não era mais a mesma. Até mesmo os líderes dos movimentos que falavam nos microfones de cima dos carros som por vezes não entravam em acordo sobre o que dizer ou de quem seria a vez de falar.

Cartazes mostram a incongruência de pauta entre os manifestantes

Cartazes mostram a incongruência de pauta entre os manifestantes | Fotos: Larissa Quixabeira

Do chão, o que não faltavam eram motivos para protestar: as modificações feitas pela Câmara dos Deputados ao projeto de lei proposto pelo Ministério Público Federal (MPF) conhecido como 10 medidas contra a corrupção, a permanência de Renan Calheiros (PMDB) como presidente do Senado mesmo tendo se tornado réu por crime de peculato e até a decisão do Supremo Tribunal Federal que julgou caso em que não considera crime o aborto até o terceiro mês de gravidez.

“Fora Temer ainda não. Por enquanto só fora Renan”, disse à reportagem uma senhora que afirmou ser assídua dos protestos desde 2014. “Tem que ser fora todo mundo”, interrompeu o esposo. Em geral, todos são contra a corrupção e em defesa da Lava Jato. Mas, apesar do apoio da maioria ao juiz federal Sérgio Moro, alguns cartazes também fazem críticas ao poder Judiciário.

Sem Dilma na presidência, sumiram as palavras de ordem contra o Partido dos Trabalhadores, como “nossa bandeira nunca será vermelha”, e os tímidos gritos pedindo a prisão do ex-presidente Lula logo esmiuçaram.

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Seu José Maria é assíduo dos protestos desde 2015 | Foto: Larissa Quixabeira/Jornal Opção

Entre as palavras de ordem, pode-se ouvir “Fora Renan”, “Moro! Guerreiro do povo brasileiro” e até “vamo, vamo, Chape”, em homenagem às vítimas do acidente aéreo que vitimou 71 pessoas na Colômbia, a maioria deles brasileiros do time da Chapecoense, na madrugada da última terça-feira (29/11).

Os manifestantes fizeram ainda uma oração para abençoar a todos que trabalham na força-tarefa da Lava Jato, entoaram o hino nacional e lavaram bandeiras do Brasil.

Quem talvez tenha melhor sintetizado o sentimento de quem foi ao protesto neste domingo (4) foi o senhor José Maria, que levou, com ele, um cartaz em que dizia ser vantajosa a honestidade. “Não vou mentir: Eu era muito a favor do Fora Dilma. Mas o problema é maior que isso. É a corrupção que acaba com o Brasil.”

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