Vice-presidente teria admitido que pode renunciar ao cargo se o presidente pedir: “Pego as coisas e vou embora”

A crise entre o presidente Jair Bolsonaro e o vice Hamilton Mourão parece estar longe do fim. O embate ganhou novos contornos após a divulgação, pela Revista Veja, de uma declaração do vice-presidente Hamilton Mourão admitindo que, se a crise continuasse, não descartava a saída extrema de renunciar_Jornal opção
Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil

A crise entre o presidente Jair Bolsonaro e o vice Hamilton Mourão parece estar longe do fim. O embate ganhou novos contornos após a divulgação, pela Revista Veja, de uma declaração do vice-presidente Hamilton Mourão admitindo que, se a crise continuasse, não descartava a saída extrema de renunciar.

“Se ele (Bolsonaro) não me quer, é só me dizer. Pego as coisas e vou embora”, desabafou. Resignado, explicou que é um soldado a serviço da nação. No governo, tudo o que faz, diz ele, é tentar ajudar o presidente, e não o contrário. “O presidente nunca me disse para parar, para não falar com essa ou aquela pessoa. Então, entendo que não estou fazendo nada de errado. Mas se ele quiser que eu pare…”, disse o vice.

A relação entre os dois piorou após o vereador Carlos Bolsonaro acusar Mourão de se opor às propostas do presidente, de se aliar a adversários, de se aproximar de empresários importantes, de bajular a mídia, de se apresentar como sensato e transigente — tudo isso, segundo Carlos, planejado para que Mourão se viabilize como alternativa de poder.

Bolsonaro também já emitiu sinais, mais brandos que as manifestações de seu filho, de sua insatisfação com o vice. Semanas atrás, o presidente censurou Mourão. “O negócio é o seguinte: o Mourão é general lá no Exército. Aqui quem manda sou eu. Eu sou o presidente”, afirmou.