Samuel Belchior: “Iris não quer ser candidato a prefeito”

Presidente estadual do PMDB diz que é “voz única” ao defender que o principal nome do partido não deve se candidatar em 2016

Presidente estadual do PMDB, durante entrevista ao Jornal Opção em 2014 | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Presidente estadual do PMDB, durante entrevista ao Jornal Opção em 2014 | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

O presidente estadual do PMDB, Samuel Belchior, é, talvez, o único peemedebista a defender que Iris Rezende não deve tentar nova candidatura à Prefeitura de Goiânia em 2016. Auto-intitulado como “voz única no partido”, o ex-deputado garante ainda que o próprio Iris não quer ser candidato.

Tido como favorito absoluto — e comprovado na pesquisa do Instituto Paraná encomendada pela Record Goiás –, o ex-governador tem avaliado que já deu sua contribuição na capital. Pelo menos é o que relatou Belchior, em uma entrevista exclusiva ao Jornal Opção.

Fora da política (pelo menos por enquanto), o ex-deputado não deve concorrer à reeleição para a presidência do diretório estadual — que vê disputa entre José Nelto e Daniel Vilela. Sobre o tema, Belchior defende a união e afirma que não tem preferência, mesmo reconhecendo a importância do filho de Maguito Vilela se apresentar para os correligionários do interior, caso queira ser o nome do partido ao governo em 2018.

Se Iris for o candidato ao Paço Municipal, Samuel Belchior revela que o PMDB manterá aliança tanto com o PT, quanto o DEM. A despeito da oposição em nível nacional, as duas legendas consideram, sim, se unir na capital. “Paulo Garcia não é inimigo de Ronaldo Caiado. Pelo contrário, são amigos, médicos e se respeitam”, asseverou.

Confira a entrevista na íntegra:

O senhor pretende se candidatar no ano que vem?

Por enquanto não penso em uma nova candidatura.

E o PMDB Estadual?

Também não ficarei no comando do PMDB estadual.

E quem te sucederá?

Hoje, duas pessoas querem: o deputado estadual José Nelto e o deputado federal Daniel Vilela. O que eu pedi para os dois é que nós evitássemos disputa interna. Não tem porquê. Não estamos em fase de disputa… Os dois são amigos e temos maturidade suficiente para resolver isso. Há um lado positivo em ambas candidaturas.

No caso do Daniel, ele quer ser candidato a governador em 2018, então é a chance que ele tem de se projetar nos municípios. Sou a favor. Acho que quem quer disputar o governo tem que pular na água e nadar. Não sei se o caminho é ser presidente, mas se quer ser candidato ao governo ele tem que se apresentar assim e lutar para construir a candidatura. Para depois não ter aquela história de que “não fui candidato porque não me deram oportunidade”.
É uma forma que nós temos de sentir as candidaturas. Precisamos deixar amadurecer. Quem quer ser candidato tem que se apresentar.

Hoje, Iris é o candidato do partido?

Para mim, Iris não deve disputar essa eleição. Ele é o melhor nome, o que apresenta os melhores índices, existe um recall do nome dele em Goiânia, que até para governador no ano passado, perdemos em quase todas as cidades, mas ganhamos bem em Goiânia. Existe um reconhecimento. Não existe patrimônio maior que o reconhecimento, ainda mais depois de 60 anos de vida pública. O que mais falo para ele é o seguinte: “O sr. pode encerrar a carreira sossegado, cabeça alta, porque o senhor anda de cabeça erguida entre o povo”. É só comparar com outros políticos que, depois de 60 anos veja o que eles viraram.

Sou da opinião e tenho sentido do coração dele uma vontade de não ser candidato. Acho que devemos seguir o coração. Se ele não quer ser candidato, não deve ser. Isso é definitivo? Não. Tem muita água para correr.

Agora, o PMDB tinha o Sandro Mabel, que já se filiou em Aparecida de Goiânia. Acho até que deve ser candidato lá.

Bruno Peixoto, Agenor Mariano e o próprio Daniel podem ser candidatos aqui na capital.

Qual o maior desafio da campanha?

Na verdade, é da política. Enquanto não tivermos uma reforma decente — não é isso aí que eles estão fazendo não, chovendo no molhado –, não haverá mudança. A questão financeira é muito séria, pesa demais.

O PMDB é um partido forte, qualquer candidato que sair pelo PMDB hoje tem que ser respeitado, porque não é um partido qualquer. Hoje ter uma estrutura financeira é muito importante. Com essas operações, não tenha dúvida, não vai ter financiamento privado de campanha como houve no passado não. E esses financiamentos privados há muito tempo deixaram de ir para qualquer tipo de candidato. Geralmente, eles vão para quem está no poder.

O senhor é contra o financiamento privado?

O financiamento nada mais é que um investimento imediato. Imediato! Isso que as pessoas não entendem. Uma empresa não vem aqui e bota uma fortuna na mão de um candidato, milhões, esperando que ele ganhe a eleição para depois ela ver o que vai dar. Não é assim que funciona. Foi o que aconteceu na Petrobrás. A empresa não precisava ter dado dinheiro para Lula quando foi candidato pela primeira vez. Esperou ganhar para ir lá e fazer o esquema.

Hoje, o apoio financeiro dessas empresas não representa 20% de uma eleição. Então, o candidato hoje precisa ter dinheiro. Ele precisa colocar dinheiro. E não é pouco. Uma eleição para Goiânia não custaria, em hipótese alguma, menos de 10 milhões de reais. Isso uma campanha enxuta, mínima.

Pessoa física ter esse dinheiro para eleição é muito difícil. Aí a pessoa vai se desfazer do patrimônio por “espírito público”? Estranho né. Vai fazer porque o interesse dele é pegar o investimento de volta ou o dobro. Então, estamos lascados. Se não mudarmos o sistema, difícil pessoas realmente dotadas de espírito público quererem participar da política.

O Delegado Waldir (PSDB) é uma ameaça?

Para mim, ele é uma incógnita. Veio de uma votação muito grande para deputado federal, é uma votação de protesto, sem dúvidas. Depende do jeito que ele desenvolverá as coisas é que saberemos se ele se consolida ou não como candidato.

Então, é cedo para dizer. Acho que candidatura majoritária depende de consistência partidária, depende de aliança, de consistência eleitoral. Antônio Gomide (PT) e Vanderlan Cardoso (PSB) eram bons nomes à eleição de 2014.

São bem avaliados, foram bons prefeitos, mas tiveram votação muito aquém do esperado. Gomide muito aquém mesmo, era uma revelação, uma novidade, poderia ser o governador.

Por que não foram para frente? Por falta de solidez partidária. PT não tem solidez no interior, não conseguiram fazer aliança suficiente, número de candidatos a deputado, etc.

Se Waldir for o candidato do governo à prefeitura, é uma candidatura. Se ele for candidato sozinho, é outra candidatura. Goiânia é uma cidade grande e é difícil ter surpresas eleitorais. As pessoas aqui votam com consciência, sabem que tem que administrar uma cidade com vários problemas, não é qualquer um que chega lá e dá conta de tocar a cidade.

É um candidato que deve ser respeitado, como os outros, mas sou da opinião de que o PMDB deve fazer seu dever de casa, se fizermos, não perdemos eleição.

E o PT em Goiânia?

Em Goiânia, o PT já é bem mais forte. Não tem a força do PMDB. Por exemplo, boa parte dos votos de Paulo Garcia em 2012 tem influência do Iris, boa parte mesmo. Escuto muito assim: “Fala para Iris que votei no Paulo por causa dele”. Realmente transferiu muito votos.

Deputado acredita que PMDB está junto ao PT e ao DEM | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Deputado acredita que PMDB estará junto ao PT e ao DEM | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Quais as chances do PMDB ganhar eleição sem Iris?

Quando se tira Iris da eleição em Goiânia, os outros viram japonês. São iguais. Não há um expoente em nível de conhecimento político. Vai todo mundo sair com 5%, 10%, não teremos ninguém com 40% de votos.

Vanderlan talvez tenha 20%, caso seja candidato mesmo. Depois de Iris é o que tem uma votação cativa, principalmente na região Leste, que tem mais proximidade com Senador Canedo — onde foi prefeito.

O que temos que fazer é uma boa aliança. Sou da opinião que temos que manter com todos os partidos. Inclusive, com o DEM e com o PT.

Mas como? Ambos já avisaram que não estarão juntos.

Rapaz, tudo em política é possível. Tem município que o PMDB e o PSDB são coligados. Tem município que o PT e DEM estão coligados. Temos que analisar a conjuntura local. Paulo Garcia não é inimigo de Ronaldo Caiado. Pelo contrário, são amigos, médicos e se respeitam. Iris é extremamente bem relacionado com os dois. Caiado que é a maior liderança do DEM e Paulo a maior liderança do PT — lógico, é o prefeito.

E vou lutar por essa aliança até o final.

Quando entrevistamos os dois, negam qualquer possibilidade de união.

Eu sei que sim, mas quando eles conversam comigo entre quatro paredes sabem que é possível sim. É possível sim. É uma questão local. Por que Caiado iria ficar contra o candidato de Iris, principalmente depois do apoio que teve em 2014 e ele querendo ser candidato em 2018 — quando ele dependerá absurdamente do PMDB? Só se ele perder a noção política que ele não perderia.

As grandes lideranças do PT já têm definido hoje que o candidato é Iris e eles vão estar aliados ao PMDB, indicando uma vice. Essa é a conversa.

Se Iris não for candidato, o cenário é outro.

Então, Iris é o candidato?

Há uma pressão muito grande dentro do partido para que ele seja o candidato. É um fardo que só ele tem que carregar toda vez. Eu o digo sempre para ele que tem que ouvir o coração.

Mas eu insisto que tem que decidir isso este ano. Não podemos deixar para o ano que vem. Se ele não quiser, não podemos exigir isso dele. Não é obrigado a ficar carregando o partido em candidatura a vida inteira não. Deixa ele decidir.

É o povo que pede mesmo?

Já teve momentos que pode ter sido diferente. Ele quis, lutou, foi para a convenção e acabou sendo escolhido. É nome mais forte dentro do partido. Agora, teve momentos que não.

A eleição de 2010 eu fui testemunha. Fui contra ele ser candidato em 2010, fui vaiado dentro da prefeitura no dia em que os prefeitos foram lá juntos com deputados pedir para ele ser candidato, fizeram ele chorar. Eu falei para ele: “O senhor não pode ir. Tem a prefeitura [de Goiânia], Lula [ex-presidente] já autorizou o Alcides Rodrigues [ex-governador] lançar candidato, não vamos coligar com o PT, não vamos conseguir”. Naquele dia eu perdi o apoio de dois prefeitos, eu era candidato. Naquela época eu sei que ele não queria.

Neste momento, sinto que ele mais uma vez não quer ser candidato. Igual em 2010. Se ele não quiser, excelente, Iris já prestou um serviço muito grande para Goiânia.

Se Iris for cabo eleitoral, seria a mesma coisa?

Ajuda demais. É o que eu falo, Iris sairia vitorioso se qualquer outro ganhasse. Porque quem ganhou foi o Iris, o PMDB. Iris tem força física, saúde, mas se o coração não quer, temos que respeitar.

Mas você é minoria no partido?

Devo ser uma voz única no PMDB. Ninguém pensa como eu… O resto quer que ele seja candidato, porque se não for “o partido vai acabar”, “que se perder a prefeitura não tem projeto para 2018″… Hoje o discurso é esse.

Uma resposta para “Samuel Belchior: “Iris não quer ser candidato a prefeito””

  1. Avatar Caio Maior disse:

    O “ungido do cerrado” é péssimo administrador; é falastrão – mas incapaz de
    impedir os “supostos” desvios ocorridos no Planejamento, Comurg, Saúde,
    Educação, Meio Ambiente, Cultura, etc, etc. É “dono” do PMDB e será candidato a prefeito, sem dúvida. Que seja derrotado – para o bem de Goiânia.

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