Com desembarque do DEM e do MDB do “blocão”, partidos passam a atuar de forma mais independente e antagônica ao governo federal. Presidente do MDB, Daniel Vilela, vê saída com naturalidade. “Na verdade, estavam juntos apenas para indicar as principais comissões”, analisa

Câmara dos Deputados | Foto: Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados

Os deputados goianos do DEM se animam com a notícia de que o partido desembarca do chamado “Centrão”, bloco liderado pelo deputado Arthur Lira (PP) na Câmara dos Deputados.

A leitura que os representantes goianos do DEM fazem é que a saída do “blocão” dará mais autonomia para o partido e para os parlamentares individualmente.

Zacharias Calil afirma que a saída dará mais liberdade burocrática aos parlamentares. Ele cita a apresentação de destaques, que era restringida a dois por partido. Com isso, os parlamentares podem votar de forma mais independente, de acordo com o partido, sem adesão total ao governo federal.

“Sempre fui contra ser chamado de Centrão e de ter adesão de 100% ao governo. Foi bom enquanto durou”, salienta Calil.

Zacharias Calil, deputado federal pelo DEM / Foto: Renan Accioly

Zé Mário Schreiner também se mostra satisfeito com a decisão. Ele reforça que a saída mostra que o DEM nunca foi Centrão, mas esteve alinhado ao “blocão”, que se mostrou eficaz por um tempo, mas que agora não faz tanto sentido.

O parlamentar goiano sustenta que a saída do “blocão” permitirá com o que partido exerça sua proeminência, o que favorecer o estado de Goiás.

Zé Mario Schreiner, deputado pelo DEM | Foto: Divulgação

Além do DEM, o MDB também já se mostra disposto a sair das votações em bloco na Câmara dos Deputados. O presidente do partido em Goiás, Daniel Vilela, trata como normal a saída do Centrão. Segundo ele, é natural que os blocos sejam feitos e desfeitos ano a ano. “Na verdade, estavam juntos apenas para indicar as principais comissões”, diz.

Juntos DEM e MDB têm 63 deputados e prometem ficar em posição antagônica ao Centrão, que se alinha cada vez mais ao governo Bolsonaro.

Daniel Vilela Foto: Lívia Barbosa/Jornal Opção

Racha

O desembarque acontece após tentativa do líder do blocão retirar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Fundeb da pauta a pedido do Palácio do Planalto.

O grupo contava com Progressistas, PL, PSD, MDB, DEM, Solidariedade, PTB, PROS e Avante que juntos somavam 221 deputados federais. Ele foi formalizado em 2019 para a Comissão Mista de Orçamento, o que garantiu 18 assentos aos partidos membros.