Rosácea ganha destaque após relato de Alisson; veja os sintomas e quando buscar tratamento
04 julho 2026 às 13h01

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A revelação do goleiro da Seleção Brasileira, Alisson Becker, de que convive com rosácea trouxe visibilidade para uma doença inflamatória crônica que afeta principalmente a pele do rosto. Embora não tenha cura, o problema pode ser controlado com diagnóstico precoce, tratamento adequado e acompanhamento dermatológico.
Segundo o dermatologista Alessandro Alarcão, a rosácea acomete, principalmente, a região central da face, como bochechas, nariz, testa e queixo. A condição está relacionada a fatores genéticos, alterações no sistema imunológico, inflamação dos vasos sanguíneos e comprometimento da barreira natural de proteção da pele.
De acordo com o especialista, é comum que a doença seja confundida com acne ou alergias, o que pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento.
“É muito comum ser confundida com acne porque alguns pacientes apresentam pápulas e pústulas semelhantes às espinhas. Também pode ser confundida com alergias devido à vermelhidão, ardência e sensação de queimação. No entanto, diferentemente da acne, a rosácea normalmente não apresenta cravos e, ao contrário das alergias, não é uma reação passageira, mas uma condição crônica que evolui em fases de melhora e piora”, explica.

Os primeiros sinais costumam surgir após exposição ao sol, calor intenso, consumo de bebidas alcoólicas, ingestão de alimentos condimentados, situações de estresse ou prática de atividades físicas. No início, a vermelhidão aparece de forma temporária, mas, com a evolução do quadro, tende a se tornar permanente.
Além da vermelhidão persistente, a rosácea pode provocar vasos sanguíneos aparentes, sensação de ardor e queimação, aumento da sensibilidade da pele e lesões inflamatórias semelhantes à acne. Muitos pacientes também relatam desconforto ao utilizar cosméticos e produtos para cuidados com a pele.
Para Alarcão, identificar a doença logo nas primeiras manifestações faz toda a diferença na evolução do tratamento.
“Quanto mais precoce o diagnóstico, maior a chance de controlar a inflamação, evitar a progressão da doença e preservar a qualidade da pele”, afirma.
A prática de atividades físicas não precisa ser interrompida por quem tem rosácea. No entanto, alguns cuidados ajudam a reduzir o risco de crises, como treinar em horários de temperaturas mais amenas, manter uma boa hidratação, utilizar protetor solar diariamente e evitar ambientes excessivamente quentes.
A alimentação também pode influenciar o aparecimento dos sintomas. Bebidas alcoólicas, especialmente o vinho tinto, alimentos muito apimentados, bebidas quentes e produtos ricos em capsaicina estão entre os principais gatilhos. Ainda assim, o dermatologista ressalta que esses fatores variam de acordo com cada paciente.
Além das manifestações na pele, a doença também pode comprometer os olhos. A chamada rosácea ocular provoca vermelhidão, sensação de areia, ardor, lacrimejamento, ressecamento e sensibilidade à luz. Nos casos mais graves, pode atingir a córnea e exigir acompanhamento oftalmológico.
O tratamento é individualizado e pode incluir medicamentos de uso tópico e oral, além de tecnologias como laser vascular e luz intensa pulsada, indicadas conforme as características e a gravidade de cada caso.
O especialista também faz um alerta para os riscos da automedicação. Segundo ele, o uso indiscriminado de ácidos, produtos abrasivos e corticoides tópicos pode agravar a inflamação e dificultar o controle da doença.
“A rosácea não deve ser encarada apenas como um problema estético. Trata-se de uma doença inflamatória crônica que pode impactar a autoestima e a qualidade de vida. Com diagnóstico precoce e tratamento individualizado, é possível controlar a doença de forma muito eficaz”, conclui.
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