Repasses de R$ 1,4 milhão a empresa de marido e filha de Celina Leão são investigados pelo MPDFT
05 setembro 2026 às 10h20

COMPARTILHAR
Uma representação formal protocolada no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) pelo deputado distrital Gabriel Magno (PT-DF) colocou no centro das atenções políticas de Brasília as relações financeiras entre uma prestadora de serviços do governo local e a família da governadora em exercício do Distrito Federal, Celina Leão (PP).
O documento pede a abertura urgente de inquérito civil e a preservação de registros contábeis e operacionais para apurar supostas irregularidades em repasses no valor total de R$ 1,4 milhão feitos pela empresa Real JG Facilities à Faceng Engenharia — empreendimento pertencente a Fabrício Faleiro Ferreira e Bruna Victória Leão, respectivamente marido e filha da governadora.
A rota do dinheiro
Segundo as denúncias trazidas à tona inicialmente pela imprensa e detalhadas no documento enviado ao MP, os repasses ocorreram de forma contínua no período entre maio de 2025 e junho de 2026. Ao todo, foram registradas 14 parcelas mensais e consecutivas no valor exato de R$ 100 mil. Em julho de 2026, um pagamento adicional de mesma quantia teria sido efetuado por meio da 3J Facilities, empresa subcontratada que atua diretamente para a Real JG.
Fundada em 2013, a Faceng Engenharia traz em seu quadro social Fabrício Faleiro como sócio-administrador e Bruna Leão como sócia desde abril de 2018.
Um dos pontos centrais sustentados pelo parlamentar do PT na representação é a falta de transparência nas transações comerciais. Segundo a representação, as notas fiscais emitidas pela Faceng não apresentam detalhamentos fundamentais sobre os supostos serviços executados, tais como local das obras, cronograma de execução, medições técnicas ou especificação dos projetos executados para justificar o padrão dos recebimentos mensais.
A conexão com o Governo Distrital
A cronologia dos repasses coincide com o período de transição e consolidação do poder de Celina Leão na capital federal. O fluxo de pagamentos começou enquanto ela ocupava o cargo de vice-governadora e se estendeu ao longo do período em que assumiu em definitivo o comando do Palácio do Buriti.
Além das transferências privadas entre as empresas, a representação aponta para o contrato direto mantido pela Real JG Facilities com o próprio Governo do Distrito Federal (GDF). Em agosto de 2024, quando Celina chefiava a Vice-Governadoria, a pasta firmou um contrato de R$ 2,23 milhões com a Real JG, com vigência prevista até 2029, destinado à locação de materiais, equipamentos e alocação de mão de obra.
O deputado Gabriel Magno questiona a legalidade das transações e pede que o MPDFT investigue não apenas o contrato vigente, mas também a ocorrência de eventuais pagamentos por serviços prestados ao governo sem a devida cobertura contratual formal.
O outro lado
Em nota, os envolvidos negaram veementemente qualquer irregularidade e sustentaram a legalidade dos atos.
A Real JG Facilities e a defesa de Fabrício Faleiro declararam que as transferências financeiras citadas tratam-se exclusivamente de transações comerciais legítimas do setor privado, referentes a serviços técnicos prestados e executados fora da estrutura pública ou de projetos vinculados ao Governo do Distrito Federal.
Já a assessoria do GDF e da governadora Celina Leão informou que a contratação da Real JG pelo governo distrital seguiu rigorosamente os ritos legais, sendo formalizada por meio de pregão eletrônico transparente disputado por 36 concorrentes. A nota destaca ainda que a gestão pública não possui ingerência nem responsabilidade sobre negócios celebrados entre entes privados no mercado corporativo.
O MPDFT deve analisar os pedidos de abertura de inquérito e de busca de provas nos próximos dias.
Leia também: Empresa da família de Celina Leão recebeu R$ 1,4 milhão de empresa contratada pelo governo do DF


