Renan Calheiros defende que PSDB participe mais diretamente no governo

Presidente do Senado afirmou que PMDB aprendeu com experiência com PT e não vai manter relação periférica com PSDB

Nesta sexta-feira (19/8), entre uma reunião com a presidenta afastada, Dilma Rousseff (PT), e outra com o presidente interino, Michel Temer (PMDB), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) criticou a relação entre o PT e o PMDB no governo Dilma e defendeu uma participação mais direta do PSDB no atual governo.

De acordo com Renan, a conversa com Dilma foi institucional e “agradável”. Ele afirmou que não poderia dizer o que foi tratado na reunião de duas horas. “Não tratamos nada específico. Eu fiz uma avaliação sobre como enxergo a conjuntura. A presidenta, da mesma forma [fez sua avaliação]. Essa avaliação dos dois lados tem de se encerrar na própria conversa, e não pode ser revelada”, disse ele. Renan contou que explicou à presidenta o roteiro que foi estabelecido para a sessão que irá julgá-la a partir do próximo dia 25.

O presidente do Senado também afirmou que Dilma fez questão de reforçar que vai comparecer ao julgamento e vai ficar à disposição para responder qualquer pergunta. “Mas ela em nenhum momento adiantou o que iria fazer ou deixar de fazer no dia do julgamento, nem sobre expectativas e sobre como é que vai se desdobrar o julgamento. Da mesma forma eu não especifiquei como devo, enquanto presidente do Senado, me posicionar”, acrescentou.

Renan afirmou que não tem definiu ainda se votará ou como votará durante a sessão de julgamento da Dilma. “Tenho conduzido o processo com isenção, responsabilidade e equilíbrio. É exatamente isso que me impede de declarar o que vou fazer e o que não vou fazer no dia de julgamento”, disse ele.

“Eu já disse que não votaria na admissibilidade, na pronúncia, e que pretendia não votar no julgamento. Estou em pleno processo de decisão. Procurei estar em todos momentos com isenção e responsabilidade, como presidente de uma casa que tem democrática divergência”, completou.

Relação entre partidos

Renan comentou ainda a tendência de aproximação entre o PMDB e o PSDB. Segundo o presidente do Senado, seu partido não vai repetir os erros do PT, que teve uma relação periférica com o PMDB. “Acho fundamental esse espaço e a participação mais direta do PSDB no governo e na definição de diretrizes na especificação de políticas públicas”, declarou.

Renan saiu do Palácio da Alvorada para encontrar Michel Temer, a equipe econômica, e com os líderes do governo na Câmara e no Senado em São Paulo. Durante a reunião, Temer deve tratar da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Desvinculação das Receitas da União (DRU).

“Vou participar dessa reunião na condição de presidente do Senado. Certamente nós vamos tratar dessas coisas [DRU] na conversa que teremos logo mais em São Paulo. Eu, mais do que nunca, entendo que precisamos ter uma agenda econômica suprapartidária no Brasil. E essa agenda, num momento de crise fiscal, tem de ser priorizada”, disse Renan.

 

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