Relatório da CPI dos incentivos fiscais aponta que apenas 3 regiões do Estado eram beneficiadas

Relatório final será apresentado pelo deputado Humberto Aidar no próximo dia 10. O parlamentar adiantou algumas questões que serão apontadas

Foto: Eduardo Pinheiro/Jornal Opção

O deputado estadual Humberto Aidar (MDB) antecipou alguns dos pontos que serão expostos no relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Incentivos Fiscais, na qual é relator, e que serão entregues ao Ministério Público (MP). Ele finaliza o documento ainda nessa semana e anunciou que o apresentará no próximo dia 10. Dentre as descobertas da CPI, Aidar contou que apenas três regiões do Estado de Goiás recebiam os investimentos.

Embora o parlamentar não tenha revelado quais seriam as regiões, é visível a superioridade no desenvolvimento econômico da metade sul goiana em relação com a metade norte do Estado. Um estudo desenvolvido por professores de Economia da Universidade Federal de Goiás (UFG) e apresentado no II Seminário Dinâmica Econômica e Desenvolvimento Regional aponta que “mais de 80% dos recursos do Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO) e do programa Fomentar/Produzir se concentrou na metade Sul de Goiás. Nessa direção também está a captação do crédito rural, com distribuição desigual dos recursos a favor da metade Sul,
detendo, em média, 81,2% dos recursos.”

Além deste ponto, o relator mostrou outros problemas na aplicação dos incentivos em Goiás. “Na pauta de fiscalização, vamos mostrar que essas empresas não são fiscalizadas. Vamos mostrar quanto custou cada emprego. Tivemos empresas que, se contabilizarmos o que ela recebeu e o que gerou de emprego, tem emprego que custou mais de R$90 mil por pessoa. Vamos mostrar o que a população não sabe. Era uma caixa preta esses anos todos”, contou o deputado. “Vamos mostrar ao Ministério Público, a ele vai caber indiciar ou não.”

“Nós decidimos desde o início que não entraríamos na questão política. Mas, de posse da farta documentação que vamos mostrar, nós, certamente, e ainda mais com a presença da doutora Leila, que participou da CPI como observadora, dificilmente não será tocado para frente essa questão. Apenas três regiões do Estado foram beneficiadas. De mais de quatro mil empresas que receberam crédito outorgado ou algum incentivo fiscal, em apenas doze processos constava contrapartida”, revelou.

“Vamos mostrar o que nós temos e vamos disponibilizar ao MP, com todo o cuidado do sigilo fiscal. Não seríamos inocentes, até porque não podemos pegar a situação fiscal dessas empresas e expor. Mas o MP terá essa possibilidade. Vamos tratar essas empresas por letras, por números”, falou, ainda, o parlamentar.

 

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