Regulamentação de medicamentos à base de Cannabis ainda é ineficaz, afirma associação goiana

Associação Goiana de Apoio e Pesquisa à Cannabis Medicinal (Agape) afirma que resolução da Anvisa não atende demandas reais de pacientes e prioriza empresários

Foto: Reprodução

Após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidir, nesta terça-feira, 3, por regulamentar o registro de medicamentos à base de cannabis medicinal, associações sinalizam contrariedade com as regras impostas. Ao Jornal Opção, a Associação Goiana de Apoio e Pesquisa à Cannabis Medicinal (Agape), afirma que as diretrizes não atendem aos pacientes que necessitam das medicações.

Segundo o presidente da Agape, Yuri Ben-Hur da Rocha Tejota, que acompanha pacientes e familiares com indicação de tratamento à base dos compostos da maconha, a regulamentação da Anvisa acaba por manter os níveis de inacessibilidade aos tratamentos, priorizando, segundo ele, interesse das empresas que irão produzir as substâncias.

Presidente da Agape, Yuri Ben-Hur da Rocha Tejota | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

“O debate sobre cannabis medicinal não nasce nas empresas, ele nasceu da experiência do pai e da mãe que trata um parente. O texto só prevê a possibilidade de empresas produzirem”, critica o presidente da Agape, que acrescenta: “Essa regulamentação só prioriza os interesses empresariais”.

Ainda segundo o representante, o passo dado pela Anvisa teria sido: “Não só pequeno, como também limitante”. Yuri explica que pacientes com indicação para esse modelo de tratamento recebem receituário variado, o que não é atendido pela Anvisa, que limitou a 0,2% a porcentagem de THC permitida em cada medicamento.

“Não é esse o padrão internacional. Em países como a França é 0,3%. Com essa tentativa de inovar o Brasil não prevê neuropatas e dor crônica”, acrescenta o presidente da associação, que informa que a Agape irá protocolar ação solicitando a liberação de plantação para fins medicinais.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.