As obras de reformulação do Estádio Serra Dourada devem ter início em junho, segundo a Construcap, concessionária do complexo, que ainda prevê modernização do Ginásio Goiânia Arena, estacionamento e todo o entorno. O anúncio veio durante um tour realizado pela empresa destinado à imprensa sobre o que vai ser feito no local.

A expectativa é que a capacidade do estádio seja ampliada para 44 mil lugares, com possibilidade de chegar a 60 mil em dias de show, e a reorganização do estacionamento para 4.600 vagas.

A concessionária ficará à frente do complexo por 35 anos e as obras devem ser finalizadas em 2028. Segundo o diretor-superintendente do complexo, Paulo Rossi, a primeira fase da obra envolve demolições pontuais, principalmente em áreas específicas da arquibancada. Segundo ele, essas intervenções são necessárias para viabilizar novos acessos e estruturas internas.

“Nas áreas vermelhas é onde haverá demolição, que é exatamente o trabalho que começa. Como está acontecendo as demolições, nós não conseguimos ter a realização de eventos. Por isso, fechamos o estádio”, destaca.

Imagem mostra as primeiras áreas que serão demolidas dentro do Estádio Serra Dourada | Foto: Samuel Oliveira/Jornal Opção

A demolição será necessária para atender uma demanda pujante em Goiânia: a criação de novos espaços premium, incluindo camarotes em diferentes níveis, inclusive rente ao gramado, inspirados em arenas norte-americanas. Ao todo, serão criados 66 camarotes no estádio.

“Uma grande inovação são os camarotes no nível do gramado. Aqui vai entrar uma passarela metálica para acesso aos novos camarotes”, destaca ao lembrar que as mudanças envolvem também o alongamento do anel inferior da arquibancada, criando cobertura e novos espaços internos.

Outro ponto central do projeto é a substituição de soluções improvisadas por infraestrutura permanente. Paulo destaca, como exemplo, a eliminação dos banheiros químicos, que sempre é alvo de críticas em grandes eventos. “Um grande mito do banheiro químico não vai acontecer aqui. Vamos ter estruturas definitivas de banheiro para atender de 18 a 20 mil espectadores no gramado, com conforto e qualidade”, afirma.

Os executivos apresentaram ainda que o novo estádio contará com acessos específicos e melhor distribuídos, tanto para o público quanto para profissionais. A ideia é reduzir pontos de conflito e melhorar o fluxo geral em dias de eventos, sem necessidade de grandes obras estruturais, mas com foco em eficiência operacional.

“Vamos ter um acesso exclusivo para a imprensa, que vai ser bastante útil. Também teremos um novo acesso ao público na área norte, voltado aos camarotes, melhorando a circulação.”

Outro diferencial apresentado será a criação de lounges e áreas panorâmicas poderão ser utilizados para eventos corporativos, sociais e culturais, atendendo a uma demanda crescente por espaços diferenciados. “Podemos ter um jogo hoje e amanhã uma convenção ou congresso. O lounge panorâmico pode receber desde eventos corporativos até casamentos e aniversários.”

Acessibilidade

Apesar da construção histórica, o estádio carece de acessibilidade para quem quer usufruir do espaço. Segundo os executivos, o novo Serra Dourada contará com a chamada “acessibilidade universal”, que prevê acesso ao estádio por elevadores e demarcações exclusivas para pessoas com deficiência em qualquer setor do Serra Dourada.

“O estádio está sendo preparado para acessibilidade universal. Hoje falta elevador e as pessoas precisam ser carregadas, isso não vai mais acontecer. Todos os níveis terão espaços demarcados para cadeirantes e pessoas com deficiência”, destaca Samuel Lloyd, que é diretor do Complexo Serra Dourada.

Polo gastronômico

Paulo destaca que o objetivo é fazer um Serra Dourada pujante diariamente e não por uso esporádico em dias de eventos esportivos ou artísticos. Por causa disso, é pensado em transformação o espaço em um equipamento urbano ativo diariamente, com restaurantes, experiências gastronômicas e eventos diversos.

“A ideia é que o estádio fique aberto todos os dias, não só em jogos ou shows. Queremos transformar o espaço em um grande centro gastronômico, com opções para quem está no entorno”, destaca. Segundo os executivos, já há negociações em andamento com nomes conhecido da culinária goiana e, além disso, a expectativa é de manter iguarias goianas, como pamonha e jantinha.

Paulo apresenta o projeto de revitalização completa do Serra Dourada | Foto: Samuel Oliveira/Jornal Opção

Arena multiuso

A expectativa é que o Estádio Serra Dourada vire uma arena multiuso para aglutinar shows nacionais e internacionais dentro do complexo. Para isso, Samuel conta que o projeto também está levando em consideração a criação de áreas específicas para docas, caminhões e unidades móveis de transmissão. Isso porque a falta de espaço adequado para suporte técnico era um dos grandes gargalos de eventos no interior do Serra. A nova estrutura deve garantir mais segurança e eficiência.

Ele destaca ainda que também terá a implantação de cozinhas industriais e estruturas adequadas busca profissionalizar a operação de alimentos no estádio, garantindo segurança alimentar e melhor experiência para o público. Questionado sobre a atuação de ambulantes ao redor do estádio em dias de evento, Samuel comenta que é mantido um diálogo com a Prefeitura de Goiânia sobre a fiscalização necessária em dias de evento.

Goiânia Arena

O Ginásio Goiânia Goiânia também passará por manutenção pontuais nesses dois anos, mas sem alterar muito em sua infraestrutura neste período. Entretanto, Samuel destaca que já a expectativa do ginásio ganhar um novo telhado, como recursos tecnológicos de visualização para que eventos também possam ser realizados do lado externo da arena.

“A ideia é transformar esse projeto, que a gente considera até uma gentileza urbana com a cidade. Porque ele é muito visto para quem passa na BR. Ele tem uma alta visibilidade, são 58 mil carros por dia são impactados por essa fachada”, destaca.

Já expectativa de serem feitos 23 camarotes no Goiânia Arena, que também receberá melhorias no tratamento acústico.

Entorno do Serra

Segundo Samuel, haverá ainda a revitalização de todo entorno do Serra. Entre as mudanças, está a construção da maior pista de caminhada e ciclovia de Goiânia, que deve ter cerca de três quilômetros de extensão. Essa parte, conforme explica, não faz parte do contrato e, sim, uma intenção da concessionária. O espaço ainda deve contar com quiosques para fomentar a economia local.

“A gente quer que o Serra Dourada seja um complexo onde as pessoas venham todos os dias fazer seu exercício diário Vai ter quiosques, alimentos, bebidas… você corre, passeia com o cachorro, toma uma água de coco”, destaca Samuel.

Pistas de corrida e ciclovia devem ter 3 km de extensão | Foto: Samuel Oliveira/Jornal Opção

Outro fator apresentado são as construções de quadras que serão alugadas para as práticas de diversos esportes, como vôlei, tênis, beach tênis, entre outros.

Ainda no projeto, há dois pontos que foram sugeridos ao Governo de Goiás: a construção de um trincheira sob a BR-153 para facilitar o acesso dos torcedores visitantes e a construção de prédios estruturantes para abrir a sede do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil, que ficam ao fundo do Serra. “O visitante terá um fluxo totalmente separado, desde a chegada até a saída. Isso cria uma bolha de segurança e evita conflitos. Poucos estádios no Brasil têm esse nível de separação de fluxos”, destaca Samuel, que disse que o Executivo estadual tem se mostrado animado com o que foi proposto

Projeto de revitalização do Serra como um todo | Foto: Samuel Oliveira/Jornal Opção

Além disso, há a possibilidade de uma área do espaço ganhar empreendimentos que venham deixar o ambiente completo: de hospedagem a lazer. A estratégia é apostar em diversidade de serviços para prolongar o tempo de permanência do público. “Pode ser um mix de tudo. Porque aí se torna uma mini cidade para quem está vindo de fora. Se tiver esse mix ali, a pessoa já consegue fazer tudo aqui”, destaca Paulo.

Uma das possibilidades analisadas é trazer um hotel de alto padrão é considerada estratégica, inclusive resgatando o projeto original do arquiteto. A proposta busca suprir uma carência da cidade, que impacta diretamente a realização de grandes eventos.

“O projeto original previa um hotel. E isso é algo que se cogita aqui também. Tem artistas que não fazem suas exibições em Goiânia por falta dessa hotelaria premium. O artista pode ficar hospedado num hotel que fica atrás do palco.”

Além disso é prevista o plantio de cerca de mil mudas do Cerrado para criação de áreas sombreadas. Entretanto, Samul explica que o Parque da Criança, diferentemente do que foi anunciado, não faz parte da concessão.

Samuel Lloyd apresenta as fases da obra do Complexo Serra Dourada | Foto: Samuel Oliveira/Jornal Opção

Interdições

Apesar disso, Paulo destaca que a interdição acontecerá de maneira parcial. Ou seja, os jogos não são realizados dentro do Serra Dourada, mas os eventos artísticos continuarão sendo realizados do lado de fora e, até mesmo, no Goiânia Arena.

“O complexo continua funcionando. Goiânia continuará com uma agenda cultural muito ativa. Tem gente achando que vai ficar dois anos tudo parado, e não é essa a nossa realidade.”

Projeto do interior do Serra Dourada após reforma | Foto: Samuel Oliveira/Jornal Opção

Respeito à estrutura

Segundo Samuel Lloyd, o projeto de reforma do Estádio Serra Dourada traz como mote a modernização sem apagar a identidade arquitetônica original. O projeto do estádio é assinado por Paulo Mendes da Rocha, vencedor do Prêmio Pritzker de 2006, conhecido pelo uso do concreto aparente 

Mesmo o Serra Dourada não sendo tombado pelo patrimônio histórico, nós estamos usando esses conceitos. É uma modernização do complexo, preservando o que ele tem de mais precioso, afirma.

Os executivos ainda relembram outras obra do Grupo Construcap, como as realizadas no Parque do Ibirapuera e no Mineirão, que indicam atualizar infraestrutura mantendo a “assinatura” arquitetônica original.

As obras devem custar em torno de R$ 300 milhões, mas há previsão de ampliação significativa. “Esse valor não inclui projetos eletivos… deve crescer bastante nos próximos anos”, destaca. Para ter início efetivo, segundo ele, é aguardado os alvarás por parte da Prefeitura de Goiânia.

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