Rede Sustentabilidade de Marina Silva divulga nota de repúdio à homofobia

O grupo ainda sustenta que apoia uma candidatura que apresentou propostas para a comunidade LGBT, e diz defender “com radicalidade” o Estado laico

O partido não formalizado que foi idealizado pela presidenciável Marina Silva (PSB) divulgou neste sábado (13/9) uma nota repudiando a homofobia e em solidariedade à família de João Antônio Donati, jovem homossexual assassinado em Inhumas na última quarta-feira (10). No texto, a sigla explica que vários movimentos sociais estão se mobilizando para protestar pedindo pela criminalização da homofobia, “tornando esse ato semelhante ao crime de racismo”. “O debate no Congresso Nacional é intenso e as forças conservadoras vêm conseguindo impedir que qualquer projeto de lei neste sentido seja aprovado. Enquanto isso, os crimes continuam.”

O texto vai de encontro ao que foi recentemente visto nas ações da presidenciável pelo PSB. Marina, que integra o grupo de fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus, mudou parte do seu plano de governo (em menos de um dia) justamente no trecho referente aos direitos da comunidade LGBT, como por exemplo a criminalização da homofobia. O documento foi alterado após o pastor Silas Malafaia publicar no seu Twitter ameaças dizendo que caso Marina não retirasse tais propostas expressaria “a mais dura fala contra um presidenciável”.

A nota divulgada pela Rede ainda sustenta que o grupo apoia uma candidatura que apresentou propostas para a comunidade LGBT, e diz defender ainda, “com radicalidade”, o Estado laico e os direitos individuais como invioláveis, “dentre eles a liberdade de viver em paz e segurança sua orientação sexual.”

Veja a nota na íntegra:

Nota da Rede Sustentabilidade de repúdio à homofobia e de solidariedade à família de João Antônio Donati

A aversão pelas pessoas LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais), mais conhecida como homofobia, matou mais um gay na quarta-feira, 10 de setembro de 2014. Trata-se do jovem João Antônio Donati, de 18 anos, que foi encontrado morto, com a boca cheia de papel e sacola plástica, e foi enterrado na quinta-feira (11/09), em Inhumas, a 48 km da cidade de Goiânia.

Seu corpo foi encontrado com sinais visíveis de tortura e espancamento. Alguns afirmam que um dos papéis encontrados na boca do cadáver tinha a frase “esta raça tem que acabar”.

A polícia está investigando e os movimentos sociais, incluindo aí a comunidade LGBT, está se mobilizando para realizar atos e protestos por todo o país pedindo a criminalização da homofobia, tornando esse ato semelhante ao crime de racismo. O debate no Congresso Nacional é intenso e as forças conservadoras vêm conseguindo impedir que qualquer projeto de lei neste sentido seja aprovado. Enquanto isso, os crimes continuam.

A Rede Sustentabilidade conta em sua fileira com diversos ativistas vinculados à causa LGBT e disso se orgulha. Apoiamos uma candidatura que apresentou propostas para a comunidade LGBT — enquanto os outros candidatos ofertaram poucas palavras — e defende com radicalidade o Estado laico e os direitos individuais como invioláveis, dentre eles, a liberdade de viver em paz e segurança sua orientação sexual.

Lamentamos profundamente mais esse episódio que testemunha o ódio que ainda permeia setores da sociedade brasileira que não respeitam o Estado de Direito Democrático e a multiplicidade humana. De acordo com o site “Homofobia Mata” (http://homofobiamata.wordpress.com), de janeiro deste ano até hoje já foram 207 assassinatos desta natureza no Brasil.

Nós, da Rede Sustentabilidade, estamos chocados com esses números e solidários com a dor dos familiares, amigxs [sic] e de todas as pessoas de bem. Comprometemo-nos em redobrar nossos esforços no sentido de construirmos um país sem homofobia, pressionar o Congresso Nacional e mobilizar a sociedade brasileira para que aprove medidas duras contra essa barbárie que ofende a democracia, a liberdade e a dignidade da pessoa humana.

4 respostas para “Rede Sustentabilidade de Marina Silva divulga nota de repúdio à homofobia”

  1. Avatar Daniel disse:

    Gostaria muito de saber qual a fonte desta informação de que o rapaz teria um bilhete na sua boca com esses dizeres, qual a fonte, de onde saiu a tal informação?!

    Seu corpo foi encontrado com sinais visíveis de tortura e espancamento. Alguns afirmam que um dos papéis encontrados na boca do cadáver tinha a frase “esta raça tem que acabar”.

  2. Avatar Rafael disse:

    Marina é da Assembléia de Deus, e não da Universal como citado.

  3. Avatar Georgenes Lima disse:

    Homicídio já é crime, para que criar uma lei para condenar um assassino, se a lei já existe? Ah desse jeito quero uma lei também para quem discrimina e critica os evangélicos e quem é evangelhofobia, tem que inventar essa também. Sou contra qualquer tipo de violência, mas acho essa sociedade muito sensível e lutam por um direito em detrimento aos direitos dos outros, e quando fazem movimentos LGBT utilizam o espaço para praticar obscenidades e promiscuidade na rua, ah isso é correto!?!? Outra coisa ficam usando estes casos isolados para criar um movimento achando que uma lei vai mudar isso. Se fosse assim, não haveria homicídios contra ninguém. E afirmo que querem criar uma lei em detrimento dos outros porque daqui a pouco vão querer obrigar a igreja que tem seus princípios contra estes costumes, a casar duas pessoas do mesmo sexo.

  4. Avatar Grupo Escoteiro disse:

    As leis deveriam ser feitas para a maioria, isso é democracia. Fazer o que a maioria do povo quer é democracia. Aceitar o que a maioria quer se torna difícil quando a menoria pertence a mídia e aos famosos. Mas parem de criticar o candidato Levy, porque o que ele falou é o que mais de 90% da população pensa. Discriminar o que a maioria pensa é pior tipo de discriminação. Sei que entender o que é realmente democracia é pra poucos, mas sempre irei torcer para que só se torne lei aquilo que o povo quer, independentemente do que eu penso. Não importa em quem nós íamos votar! Agora, vamos votar em Levy, sabem o número ????

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