Raquel Teixeira: “Reforma do ensino médio é a pauta mais importante para a Educação”

Secretária goiana avalia que propostas do governo federal para novo modelo são “profundas e muito necessárias”

Raquel Teixeira durante seminário em São Paulo | Foto: Jornal Opção

Raquel Teixeira durante seminário em São Paulo | Foto: Instituto Unibanco

Larissa Quixabeira
De São Paulo

Grande parte dos alunos de ensino médio na rede pública do Brasil estão em escolas estaduais. Por isso, desde que anunciou a intenção de implementar uma reforma profunda nos moldes da escola de nível médio, o governo federal afirma estar em constante diálogo com o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consede).

Titular da pasta de Educação, Cultura e Esporte em Goiás (Seduce), Raquel Teixeira avalia positivamente as propostas de mudanças e recebe com entusiasmo a notícia de que o presidente Michel Temer (PMDB) estaria disposto a editar Medida Provisória (MP) para viabilizar a reforma com maior rapidez, caso necessário.

“A informação do ministro [Mendonça Filho – Educação] de que existe uma disponibilidade para a edição de Medida Provisória, caso necessário para acelerar o processo de reforma, é uma novidade muito bem vinda. Esta é hoje a pauta mais importante do MEC e a proposta vai levar em conta os problemas detectados pelo próprio Consed”, defendeu.

Em entrevista ao Jornal Opção durante o Seminário Internacional Caminhos para a qualidade da educação pública: Impactos e Evidências de realização do Instituto Unibanco e jornal Folha de S. Paulo, a representante de Goiás destacou alguns aspectos das mudanças que podem ser implementadas.

“A tendência nas discussões é que a reforma talvez traga quatro ou cinco disciplinas obrigatórias, com ênfase em matemática, língua portuguesa e língua estrangeira. O que já é uma configuração muito nova, uma vez que a língua estrangeira nas redes tem sido um desastre”, avaliou e completou: “Outro aspecto é a flexibilidade desejada, a partir de um núcleo comum, que deve tomar o primeiro ano, talvez um ano e meio, do ensino médio, e partir daí, cada estudante vai poder construir sua própria trajetória de aprendizagem”.

A configuração representa uma mudança significativa em relação ao atual modelo, com 13 disciplinas obrigatórias. Para Raquel Teixeira, essa flexibilização é uma forma de viabilizar a permanência do aluno na escola.

“Hoje, com as 13 disciplinas obrigatórias e o Enem, que engessa, se você quer estudar piano na Universidade Federal ou física quântica ou engenharia no ITA, você tem que fazer o mesmo curso, o mesmo Enem. E isso não tem sentido. Não acontece em nenhum país do mundo, só no Brasil. Ao criar a possibilidade de que cada aluno construa sua trajetória de aprendizado, voltado pro que ele quer pro seu futuro, você atrai os jovens. Hoje, eles evadem do ensino médio por falta de interesse no que está sendo oferecido”, disse ela, destacando ainda uma outra mudança que considera, talvez, a mais importante de todas: a formação técnica profissional como uma das possibilidades dentro do ensino médio.

Gestão em Goiás

Raquel Teixeira esteve entre os palestrantes do seminário, no qual explanou sobre os impactos do sistema de avaliação para o desenvolvimento da gestão em educação.

Segundo dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), Goiás conseguiu superar, em todos os anos, desde 2007, as metas do indicador para os anos iniciais e anos finais do Ensino Fundamental, além de atingir todas as marcas previstas anualmente para o Ensino Médio.

O Estado faz parte do programa Jovem de Futuro, ferramenta tecnológica criada pelo Instituto Unibanco que, acompanhada de formação para professores, diretores e subsecretários, com o objetivo de implementar a cultura de monitoramento e acompanhamento de resultados.

Para a secretária, o modelo de gestão tem feito a diferença desde que foi implantado em Goiás, em 2012, e a ideia agora é ampliar o alcance do projeto.

“O Jovem de Futuro criou uma rotina nova nas escolas, nas subsecretarias e na própria Secretaria, que tiveram que aprender a fazer esse planejamento estratégico. Essa criação de uma nova cultura, voltada para a gestão de resultados de aprendizagem, já está incorporada”, avaliou.

Segundo ela, a intenção é expandir o método, hoje utilizado no ensino médio da rede estadual, também para o ensino fundamental II, que engloba do 6º ao 9º ano do ensino fundamental.

O Jovem de Futuro teve tamanho êxito em Goiás que, a partir dele foram criadas outras duas ferramentas que auxiliam a gestão pública escolar.

Os programas Avaliação Diagnóstica Amostral (ADA) e Goiás 360, foram destacados pela secretária em palestra durante o evento como importantes meios para os avanços alcançados pela pasta. O ADA é uma ferramenta que consiste em avaliar, a cada dois meses, 48 mil alunos da rede estadual e permite que em sete dias os diretores tenham acesso, por meio do software Goiás 360, as orientações pedagógicas de correção.

A secretária explicou que as plataformas tecnológicas “compilam de maneira” eficiente todos os dados, fazendo com que as avaliações tenham uma devolutiva muito rápida, o que gera “um grande impacto na aprendizagem”. A ideia é transformar esses projetos em política pública para que possam permear toda a rede de ensino estadual.

Sobre a importância da gestão resultados Raquel Teixeira fez questão de frisar que tudo é feito com o objetivo final de que o aluno aprenda mais. “A gestão não é um fator determinante para o aluno aprender. Mas sem a gestão, o aprendizado não acontece. Então, tudo o que fazemos em gestão é para criar condições favoráveis de aprendizagem para o aluno”, destacou.

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Antonio Alves

“Hoje, eles evadem do ensino médio por falta de interesse no que está sendo oferecido.” Isso é uma doce ilusão de quem acha que vai fazer reforma de ensino sem acabar com as aberrações do Sistema. A partir do momento em que a escola proíbe o uso do celular em sala de aula, mas permite que o celular entre na escola, não terá competência para controlar a disciplina do aluno. A permissibilidade dentro da escola é a verdadeira responsável pelos maus índices no ensino médio. Há alunos que trabalham a semana toda em um sistema de horário revezado, tendo apenas… Leia mais

Beth Silva

Pra mim, como sempre a fala dela ficou clara. Ela resume tudo muito bem na conclusão do seu discurso. Tudo que é novidade e nos tira do que estamos acostumados pode até assustar.Mas da forma responsável , e comprometida que já conhecemos dela, vamos enfrentar nossas dificuldades com muia coragem e a certeza de estarmos no caminho certo.

Zé da Silva

Eu acho que na hora da seleção o aluno devia fazer provas correlatas com o curso que escolheu, mas durante sua formação seria necessário sim ele ver todas as matérias. Se não for assim, como faz o aluno que achou que queria Física e depois decidiu por Letras?