Raquel Dodge toma posse e se torna a primeira mulher à frente da PGR

Em discurso, nova procuradora-geral defendeu combate a corrupção, mas não mencionou a Operação Lava Jato, um de seus principais desafios no cargo

Em discurso, Raquel afirmou que não faltam recursos para que o MP atue na cobrança pelo cumprimento da Constituição | Foto: Antonio Augusto/Secom/MPF

A procuradora goiana Raquel Dodge tomou posse, nesta segunda-feira (18/9), como a nova Procuradora-Geral da República e se tornou a primeira mulher da história brasileira a conseguir o posto. Ela sucede Rodrigo Janot, que ficou quatro anos à frente da PGR, com o desafio de prosseguir com a Operação Lava Jato e revisar a polêmica delação da JBS.

Em seu discurso de posse, Raquel focou na corrupção e disse que o Ministério Público tem como dever a cobrança da gestão eficiente e honesta dos gastos públicos. A ausência de referências à Operação Lava Jato, no entanto, chamou atenção na fala da nova procuradora-geral.

Ela afirmou ainda que não faltam recursos orçamentários e nem instrumentos jurídicos para garantir o cumprimento da Constituição e defendeu a harmonia entre os Poderes. “Estou certa de que o Ministério Público continuará a receber do Poder Executivo e do Congresso Nacional o apoio indispensável ao aprimoramento das leis e das instituições republicanas e para exercício das nossas atribuições”, declarou ela.

Outro ponto ressaltado por ela é a importância da atividade do ministério na vida da população: “A situação continua difícil pois [os brasileiros] estão expostos à violência e à insegurança pública, recebem serviços públicos precários, pagam impostos elevados, encontram obstáculos no acesso à Justiça, sofrem os efeitos da corrupção, têm dificuldade de se auto-organizar, mas ainda almejam um futuro de prosperidade e paz social”.

Responsável pela sua indicação para o cargo, o presidente Michel Temer (PMDB) também discursou e optou por tratar de abuso de autoridade, o que pode ser interpretado como uma alfinetada a Janot. Isso porque, denunciado duas vezes pelo agora ex-procurador-geral, Temer afirma ser vítima de “perseguição política’.

“Eu ouvi dizer que, em outras palavras, a autoridade suprema não está nas autoridades constituídas, mas está na Lei. Ou seja, toda vez que já o ultrapasse nos limites da Constituição ou nos limites da Lei, verifica-se o abuso de autoridade”, declarou ele.

Estiveram presentes da cerimônia, além de Dodge e Temer, a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Carmén Lúcia e os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE). Janot, que já havia antecipado sua ausência, não prestigiou a posse de Dodge

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