“Querem fazer eleição socialista em um país capitalista”, critica Jovair Arantes

Defensor do financiamento privado de campanhas, deputado federal chama nova reforma política de “remendo da pior qualidade”

Jovair Arantes discursa durante evento do PTB em Anápolis | Foto: Ruber Couto

Defensor declarado do financiamento privado de campanhas, o presidente do PTB em Goiás, deputado federal Jovair Arantes, criticou, durante coletiva de imprensa no último sábado (19/8), o projeto de reforma política que será votado nesta semana pela Câmara Federal.

Segundo ele, trata-se de um “remendo da pior qualidade” e, no que depender dele, será rejeitado em plenário. “Acredito que para se ter uma reforma política, tem que ter consistência, tem que ser profunda. É preciso discutir com atores fora da cena, não se pode discutir uma reforma para ser aplicada imediatamente faltando um ano para as eleições”, argumentou.

Aprovada na comissão especial, a proposta, que divide os parlamentares, prevê o voto majoritário para deputados e vereadores já a partir de 2018 (o chamado distritão), estabelece o financiamento público de campanhas, por meio da criação do Fundo Especial para Financiamento da Democracia e permite que os candidatos disputem mais de um cargo no mesmo pleito.

Jovair Arantes se declarou totalmente contra o modelo de financiamento público das campanhas eleitorais — que, caso aprovado, retirará 0,5% do orçamento da União de 2018 para bancar os custos da eleição, chegando a R$ 3,6 bilhões no ano que vem.

“Em país capitalista, quem financia a democracia é o capital; no Brasil querem fazer eleição socialista com modelo capitalista, aí não vira. Vai dar no que deu […] Nós copiamos tudo dos Estados Unidos, porque não usar o modelo eleitoral de lá, que é um dos melhores do mundo. Lá existe o fundo de campanha que cada candidato tem e ele busca na iniciativa privada, existem regras e leis para fiscalizar”, opinou.

No entanto, o petebista é favorável ao “distritão” — que também é alvo de críticas da sociedade e de pequenos partidos, pois, segundo eles, beneficiará os “caciques” do Congresso e garantirá a reeleição dos que parlamentares que já estão lá.

Paciência

Jovair Arantes durante a coletiva de imprensa | Foto: Alexandre Parrode

Questionado sobre a descrença popular e o crescente descrédito da classe política junto à sociedade, Jovair Arantes disse entender o sentimento, mas não vê outra saída. “Sociedade está cansada do modelo político, da política, mas não existe país que avançou sem ser por meio da política. A política existe e é controversa mesmo desde Jesus Cristo. Mesmo com percalços, é o melhor caminho. Então, não adianta a sociedade ficar chateada, e tem direito de ficar, claro, mas no final da eleição do ano que vem teremos renovação dos atores políticos eleitos pelo voto popular”, afirmou.

Já sobre a revisão da meta do governo Temer, que aumentou a previsão do rombo para os próximos anos, o líder da bancada do PTB acredita que é preciso ser honesto e fazer o que é preciso para salvar o Brasil. “Não dá para abrir o ralo e deixar a coisa do jeito que estava. Tem que estabelecer metas, teto de gastos, as prioridades. Presidente, com todos os desgastes, tem que fazer o que é preciso ser feito”, completou.

Por fim, garante que o povo não aceita aumento de impostos e que a equipe de Temer não pode depender única e exclusivamente da reforma da Previdência para melhorar a economia. “Não podemos apostar que a reforma da Previdência seja o filão de ouro, que vai resolver todos os problemas do Brasil. É necessária? Sim! Mas se fizer no afogadilho sai uma emenda pior que o soneto”, arrematou.

 

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