Queimadas já motivaram 124 atendimentos nas BRs 060 e 452 em 2025; rodovias recebem operação preventiva
16 junho 2026 às 18h53

COMPARTILHAR
As queimadas às margens das rodovias continuam sendo um dos principais desafios do período de estiagem em Goiás. Apenas em 2025, o caminhão-pipa que atende as BRs 060 e 452 foi acionado 155 vezes. Desse total, aproximadamente 80% das ocorrências tiveram relação com incêndios em vegetação, segundo dados operacionais da concessionária responsável pelos trechos.
Os números ajudam a dimensionar um problema que se intensifica entre os meses de junho e outubro, quando a combinação de baixa umidade do ar, vegetação seca e ação humana favorece a propagação do fogo. Além dos danos ambientais, os incêndios representam riscos para motoristas, comprometem a visibilidade nas pistas e podem afetar propriedades rurais próximas às rodovias.
Diante desse cenário, foi iniciada uma operação preventiva ao longo dos 426 quilômetros das BRs 060 e 452. As ações incluem a abertura de aceiros e a roçada da vegetação em toda a faixa de domínio das rodovias, com o objetivo de dificultar a propagação das chamas e reduzir os impactos dos incêndios durante a seca.
80% dos atendimentos envolveram focos de incêndio
O levantamento da concessionária mostra que a maior parte das ocorrências registradas neste ano está relacionada às queimadas. Além dos atendimentos a incêndios em vegetação, as equipes também foram acionadas para 19 incêndios em veículos e 21 ocorrências de limpeza de pista.
Embora o combate direto ao fogo seja responsabilidade do Corpo de Bombeiros, as equipes operacionais atuam na contenção inicial das chamas até a chegada das forças especializadas. A estratégia busca evitar que pequenos focos se transformem em incêndios de grandes proporções, especialmente em regiões próximas a lavouras, pastagens e áreas de vegetação nativa.
Os serviços preventivos começaram em maio na BR-060 e serão estendidos à BR-452. O cronograma prevê intervenções em toda a extensão concedida até outubro, justamente no período considerado mais crítico para a ocorrência de queimadas no estado.
Redução nacional não elimina risco no Cerrado
A operação ocorre em meio a um cenário de redução das áreas queimadas no país. Dados divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente apontam que o Brasil registrou queda de 39% na área atingida pelo fogo em 2025 na comparação com a média dos últimos oito anos. O resultado foi atribuído ao fortalecimento das ações de monitoramento, prevenção e manejo integrado do fogo.
Apesar do recuo nacional, especialistas alertam que o Cerrado continua entre os biomas mais vulneráveis durante a estação seca. Goiás enfrenta, anualmente, períodos prolongados sem chuva e índices reduzidos de umidade relativa do ar, fatores que favorecem o surgimento e a rápida disseminação dos incêndios.
Nesse contexto, os aceiros funcionam como uma das principais ferramentas de prevenção. As faixas sem vegetação criam barreiras físicas capazes de retardar ou interromper o avanço do fogo entre propriedades rurais, áreas de preservação e as margens das rodovias.
Corredor estratégico para o agronegócio
As BRs 060 e 452 formam um dos principais corredores logísticos do Centro-Oeste brasileiro. As rodovias conectam municípios como Goiânia, Rio Verde e Itumbiara, sendo fundamentais para o transporte de cargas e para o escoamento da produção agropecuária da região.
Com milhares de veículos circulando diariamente pelos trechos, a prevenção de queimadas também se tornou uma questão de segurança viária. A fumaça provocada pelos incêndios pode reduzir drasticamente a visibilidade dos condutores e aumentar o risco de acidentes, especialmente em períodos de maior movimentação de cargas.
A expectativa é que as ações preventivas contribuam para reduzir a incidência de ocorrências ao longo da estiagem e minimizem os impactos ambientais e operacionais causados pelas queimadas no estado.
Leia também: Governo lança edital do Anel Viário que promete desafogar a BR-153 em Goiânia



