As queimadas às margens das rodovias continuam sendo um dos principais desafios do período de estiagem em Goiás. Apenas em 2025, o caminhão-pipa que atende as BRs 060 e 452 foi acionado 155 vezes. Desse total, aproximadamente 80% das ocorrências tiveram relação com incêndios em vegetação, segundo dados operacionais da concessionária responsável pelos trechos.

Os números ajudam a dimensionar um problema que se intensifica entre os meses de junho e outubro, quando a combinação de baixa umidade do ar, vegetação seca e ação humana favorece a propagação do fogo. Além dos danos ambientais, os incêndios representam riscos para motoristas, comprometem a visibilidade nas pistas e podem afetar propriedades rurais próximas às rodovias.

Diante desse cenário, foi iniciada uma operação preventiva ao longo dos 426 quilômetros das BRs 060 e 452. As ações incluem a abertura de aceiros e a roçada da vegetação em toda a faixa de domínio das rodovias, com o objetivo de dificultar a propagação das chamas e reduzir os impactos dos incêndios durante a seca.

80% dos atendimentos envolveram focos de incêndio

O levantamento da concessionária mostra que a maior parte das ocorrências registradas neste ano está relacionada às queimadas. Além dos atendimentos a incêndios em vegetação, as equipes também foram acionadas para 19 incêndios em veículos e 21 ocorrências de limpeza de pista.

Embora o combate direto ao fogo seja responsabilidade do Corpo de Bombeiros, as equipes operacionais atuam na contenção inicial das chamas até a chegada das forças especializadas. A estratégia busca evitar que pequenos focos se transformem em incêndios de grandes proporções, especialmente em regiões próximas a lavouras, pastagens e áreas de vegetação nativa.

Os serviços preventivos começaram em maio na BR-060 e serão estendidos à BR-452. O cronograma prevê intervenções em toda a extensão concedida até outubro, justamente no período considerado mais crítico para a ocorrência de queimadas no estado.

Redução nacional não elimina risco no Cerrado

A operação ocorre em meio a um cenário de redução das áreas queimadas no país. Dados divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente apontam que o Brasil registrou queda de 39% na área atingida pelo fogo em 2025 na comparação com a média dos últimos oito anos. O resultado foi atribuído ao fortalecimento das ações de monitoramento, prevenção e manejo integrado do fogo.

Apesar do recuo nacional, especialistas alertam que o Cerrado continua entre os biomas mais vulneráveis durante a estação seca. Goiás enfrenta, anualmente, períodos prolongados sem chuva e índices reduzidos de umidade relativa do ar, fatores que favorecem o surgimento e a rápida disseminação dos incêndios.

Nesse contexto, os aceiros funcionam como uma das principais ferramentas de prevenção. As faixas sem vegetação criam barreiras físicas capazes de retardar ou interromper o avanço do fogo entre propriedades rurais, áreas de preservação e as margens das rodovias.

Corredor estratégico para o agronegócio

As BRs 060 e 452 formam um dos principais corredores logísticos do Centro-Oeste brasileiro. As rodovias conectam municípios como Goiânia, Rio Verde e Itumbiara, sendo fundamentais para o transporte de cargas e para o escoamento da produção agropecuária da região.

Com milhares de veículos circulando diariamente pelos trechos, a prevenção de queimadas também se tornou uma questão de segurança viária. A fumaça provocada pelos incêndios pode reduzir drasticamente a visibilidade dos condutores e aumentar o risco de acidentes, especialmente em períodos de maior movimentação de cargas.

A expectativa é que as ações preventivas contribuam para reduzir a incidência de ocorrências ao longo da estiagem e minimizem os impactos ambientais e operacionais causados pelas queimadas no estado.

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