Quando tudo vira motivo para explosão: entenda por que algumas pessoas não sabem lidar com frustrações
18 agosto 2026 às 14h57

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Uma crítica no trabalho, um compromisso desmarcado, alguns minutos de atraso no trânsito ou uma simples contrariedade. Situações corriqueiras podem desencadear reações muito maiores do que o problema que as provocou. Para quem está por perto, o resultado costuma aparecer na forma de um comportamento quase automático: escolher cuidadosamente as palavras, evitar determinados assuntos e, como se diz popularmente, “pisar em ovos” para não provocar uma nova explosão.
Segundo a psicóloga Caroline Dias Braga, esse tipo de reação está frequentemente relacionado à baixa tolerância à frustração e à dificuldade de regular as próprias emoções. Ela explica que sentir de maneira intensa não representa, necessariamente, um problema. O sinal de alerta aparece quando a resposta deixa de ser proporcional ao que aconteceu.
“A intensidade emocional, por si só, não é um problema. A dificuldade aparece quando a pessoa perde a capacidade de responder aos acontecimentos de forma proporcional, permitindo que pequenas frustrações assumam dimensões muito maiores do que realmente têm”, explica.
Pequenos problemas ganham grandes proporções
Críticas, imprevistos, negativas e mudanças de planos fazem parte da rotina, mas podem ser especialmente difíceis para quem apresenta baixa tolerância à frustração. Nessas situações, sentimentos como raiva, tristeza ou vergonha podem surgir de maneira intensa e levar a respostas impulsivas.
O impacto, porém, não fica restrito a quem reage. Com o tempo, o comportamento pode modificar a dinâmica das relações e fazer com que familiares, parceiros, amigos e colegas passem a evitar situações que possam desencadear conflitos.
“O ambiente se torna imprevisível. Familiares, parceiros e colegas passam a agir com cautela constante, receosos de provocar uma reação desproporcional”, afirma Caroline.
Essa necessidade de antecipar possíveis explosões ajuda a explicar a sensação de estar constantemente “pisando em ovos”. Em vez de uma convivência espontânea, as relações passam a ser conduzidas pelo receio da próxima reação.
Ser intenso não significa perder o controle
Embora algumas pessoas definam esse comportamento simplesmente como parte de uma personalidade “intensa”, Caroline ressalta que a forma de reagir às emoções não precisa ser encarada como algo definitivo. A maneira como cada pessoa lida com frustrações e conflitos é construída ao longo da vida e, por isso, também pode ser modificada.
O desenvolvimento do autoconhecimento e de estratégias de regulação emocional pode ajudar a identificar o que desencadeia determinadas reações e, principalmente, criar um intervalo entre sentir uma emoção e agir a partir dela.
Para a psicóloga, o primeiro passo é trocar o julgamento pela observação. “Viver com equilíbrio não significa deixar de sentir. Significa reconhecer as emoções, compreendê-las e escolher como responder a elas, sem permitir que assumam o controle da própria vida.”
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