Um vídeo viralizou nesta terça-feira, 18, após a mãe Rosângela, moradora há 27 anos de Morrinhos, em Goiás, denunciar que a neurologista do filho, Ranyel, que tem autismo grau 3, se recusou a sair do consultório para atendê-lo no carro durante uma crise. A situação ocorreu na Clínica da Mulher, e a família não conseguia locomover o menino sem amparo, enquanto a ambulância municipal também se negou a buscá-los, o que gerou cobranças ao prefeito Maycllyn Carreiro.

Em entrevista ao Jornal Opção, o prefeito de Morrinhos confirmou o caso, mas assegurou que a médica acabou atendendo a criança no veículo após intervenção da gestão municipal. “A Rosângela chegou com o filho no carro próprio e foi informado que a médica não tinha chegado, porque ela chegou uma hora e meia antes. Aí ela retornou pra casa e depois solicitou uma ambulância para a Clínica da Mulher, só que era consulta ambulatorial, não um atendimento em emergência. As ambulâncias são para emergências. A médica resistiu, falou que não iria até o carro, mas nós convencemos ela e o menino foi atendido”, explicou Carreiro. 

Ele reconheceu que a situação expôs dificuldades, mas que “é uma questão de empatia ver a necessidade do paciente. Eu também não posso obrigar a médica a ir até lá, mas nós a convencemos.”

No vídeo Rosângela desabafou: “Estou aqui pelejando para conseguir atendimento com a neurologista (…) Pedimos a ambulância e ela disse que não podia vir buscar. Sem estrutura nenhuma, nem enfermeira para ajudar a segurar ele. É inacreditável, indignação total.” O prefeito, por sua vez, justificou que a ambulância regionalizada de Itumbiara só atende emergências com risco de vida, o que, segundo ele, não era o caso da crise do menino. “A ambulância leva para o hospital, ela não pode levar para consultas ambulatoriais”, esclareceu.

Veja vídeo:

Em relação à situação, o prefeito de Morrinhos fez um apelo por uma política nacional para neurodivergentes. “O governo federal fecha os olhos. O SUS não criou uma política nacional eficiente. Morrinhos é um dos únicos municípios da região com neurologista. Se ela sair, teremos dificuldade para achar outra. Precisamos ampliar residências, formar mais médicos, terapeutas e fonoaudiólogos”, disse.  

Entretanto, o Carreiro destacou que a gestão municipal já promoveu avanços na contramão da escassez nacional. Ele citou como exemplo o Centro Municipal de Habilitação e Reabilitação Professora Alice Ferreira do Carmo, que atualmente conta com 12 profissionais, incluindo 3 fonoaudiólogos, 1 terapeuta ocupacional, psicólogos e nutricionistas. Sob sua administração, o número de atendimentos saltou em 500%, enquanto a quantidade de crianças neuro divergentes assistidas foi triplicada. 

Inclusive, segundo o prefeito, nesta quarta-feira, 19, a prefeitura entregará laudos de neuro avaliação pela primeira vez na história do município, um exame que, na rede privada, custa quase R$ 4 mil, viabilizado por uma parceria do SUS com a área social. Contudo, o gestor enfatiza que a demanda é avassaladora e a contratação de especialistas é um desafio diário. “Se alguém falar em um lugar que não tem fila em neurologia, eu renuncio meu mandato, porque não existe”, reforçou.

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