As declarações de bens dos candidatos à Presidência da República protocoladas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram os extremos financeiros da desigualdade entre os adversários da disputa eleitoral de 2026. Enquanto o escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante) lidera o ranking com R$ 242,28 milhões em bens, a candidata Samara Martins (UP) registrou apenas R$ 33 mil, uma diferença de 7 mil vezes entre os concorrentes. 

Entre os dois nomes que figuram no topo das pesquisas de intenção de voto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) informou um patrimônio de R$ 8,19 milhões, praticamente o dobro dos R$ 4,78 milhões declarados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Augusto Cury

O candidato do Avante, Augusto Cury, apresentou ao TSE a maior fortuna entre todos os presidenciáveis registrados até o momento, totalizando R$ 242.281.162,52. O montante do escritor e psiquiatra está concentrado em negócios empresariais e créditos corporativos, com destaque para um empréstimo de R$ 121 milhões concedido à Filadélfia Nature Participações, além de R$ 54 milhões em participações societárias e R$ 33 milhões em ações.

O vice de Cury na chapa, o ex-deputado Júlio Delgado (Avante), informou possuir R$ 3,5 milhões em bens, valor que representa uma fração diante da fortuna do candidato titular.

Romeu Zema

Logo atrás do líder do ranking, o governador Romeu Zema (Novo) declarou um patrimônio de R$ 178.707.610,09, o que representa um aumento de 37,7%, além de R$ 94,5 milhões em fundos de investimento e R$ 4,3 milhões em aplicações de renda fixa.  Seu vice na chapa, Eduardo Girão (Novo), apresentou um patrimônio de R$ 34,1 milhões, embora tenha registrado uma queda de 6,3% na comparação com 2018.

Pablo Marçal

A situação do empresário Pablo Marçal (PRTB) configura-se como uma situação à parte no cenário das declarações patrimoniais. Embora seu pedido de registro tenha sido protocolado nos últimos instantes do prazo legal, o sistema DivulgaCandContas do TSE ainda exibe um patrimônio de R$ 7,418 bilhões, quantia que o colocaria com enorme vantagem no topo da lista dos candidatos mais ricos. 

Contudo, o próprio Marçal afirmou que o valor registrado está equivocado e que determinou a correção das informações, sem, no entanto, revelar qual seria o montante correto.

O valor declarado no sistema, que seria mais de 43 vezes superior aos R$ 169,5 milhões apresentados pelo empresário na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2024, inclui R$ 6,7 bilhões em aplicações de renda fixa e um terreno em Santana de Parnaíba (SP) avaliado em R$ 490 milhões. A situação eleitoral de Marçal permanece pendente, pois ele está inelegível até 2032 em razão de condenação eleitoral relacionada à campanha municipal de 2024.

Em 5 de agosto, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) rejeitou, por unanimidade, os embargos de declaração apresentados pela defesa e manteve a inelegibilidade por oito anos por uso indevido dos meios de comunicação.

Ronaldo Caiado

O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) declarou R$ 52.557.930,98 em bens, registrando um crescimento de 111% em comparação com o ano de 2022, com R$ 36,21 milhões em imóveis rurais e R$ 10,49 milhões em animais de criação. De acordo com sua assessoria, o aumento patrimonial deve-se à venda da Fazenda Santa Maria, em Nova Crixás (GO), herdada em 1985 e negociada por R$ 27,6 milhões em novembro de 2025. 

O vice de Caiado, Gilberto Kassab, presidente do PSD, declarou R$ 21 milhões, valor 311% superior ao registrado em sua última disputa eleitoral em 2008.

Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL) informou um patrimônio de R$ 8.186.555,83, valor que representa um crescimento de 370%, em relação ao valor informado em 2018, ano que foi eleito para o Senado Federal. 

A principal mudança no acúmulo de bens do senador foi a inclusão de uma casa no Lago Sul, em Brasília, avaliada em R$ 6,2 milhões, que responde pela maior parte da alta patrimonial. Além do imóvel, Flávio declarou um fundo de investimento de aproximadamente R$ 1 milhão, recursos em contas bancárias e um veículo.

O candidato a vice na chapa do PL, Alfredo Gaspar, informou possuir R$ 565 mil em bens, com evolução financeira de 95% na comparação com o pleito de 2022.

Lula

O presidente Lula (PT) declarou R$ 4.775.650,64, valor que representa uma queda de 35,7% em relação aos R$ 7,4 milhões informados em 2022. Corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) , o valor de 2022 corresponderia a R$ 8,86 milhões em junho de 2026, o que significa uma perda de 46,1%.

Além disso, itens que figuravam na lista anterior, como créditos decorrentes de empréstimos pessoais e valores de devoluções judiciais, não constam no registro atual. Por outro lado, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) viu seus bens mais que triplicarem, passando de R$ 1 milhão para R$ 3,3 milhões.

Os demais candidatos

Wilson Grassi (Democrata) informou R$ 50 milhões em bens, enquanto Clariana Barão (DC) declarou R$ 1.820.760,17, composto majoritariamente por imóveis e um veículo Land Rover Discovery Sport avaliado em R$ 376 mil.

A candidata a vice de Clariana, Fabiana Torquato, informou um patrimônio superior ao da titular, totalizando R$ 2,2 milhões.

Renan Santos (Missão), estreante em disputas eleitorais, declarou R$ 795.089,00, sem detalhar imóveis ou veículos, enquanto seu vice, Coronel Medina, informou R$ 1,6 milhão, incluindo itens como uma medalha de ouro de R$ 200 mil e uma espada de oficial da Polícia Militar.

Edmilson Costa (PCB) registrou R$ 454.485,68, redução de 9,4% em relação a 2014, com o item de maior valor sendo a posse de 50% de um apartamento avaliado em R$ 350 mil.

Samara Martins (UP) declarou o menor patrimônio entre os candidatos: R$ 33.000, composto por um carro de R$ 29 mil e R$ 4 mil em poupança. Os candidatos Hertz Dias (PSTU) e Rui Costa Pimenta (PCO) registraram candidatura sem declarar nenhum bem à Justiça Eleitoral.

Vale ressaltar que os valores informados não correspondem necessariamente aos preços atuais de mercado e que os pedidos apresentados ainda passam pela análise da Justiça Eleitoral, que pode deferi-los ou rejeitá-los. O prazo para apresentação dos registros terminou em 15 de agosto, e até o dia seguinte o TSE contabilizava 13 pedidos de candidatura à Presidência, com os dados ainda sujeitos a processamento e atualizações no sistema DivulgaCandContas, disponível para consulta pública.

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