Punição ou não de Pazuello deve ampliar crise entre Planalto e Forças Armadas

Em seu passado, ex-ministro já cometeu equívocos como militar e chegou a responder inquérito por obrigar jovem soldado negro a fazer papel de animal

General Eduardo Pazuello: participação em ato de Bolsonaro agrava tensão entre governo e militares | Foto: Reprodução

Polêmicas envolvendo o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello vão aparecendo conforme seu nome segue na berlinda do noticiário nacional. Segundo reportagem do Estado de S. Paulo, deste domingo, 30, o general carrega em sua carreira militar algumas marcas, chegando a responder inquérito por obrigar o recruta Carlos Vítor de Souza Chagas, um jovem negro de 19 anos, a substituir um  cavalo que puxava uma carroça.

A situação ocorreu em 2005, quando comandava havia quatro meses o quartel do Depósito Central de Munições do Exército, em Paracambi, a 70 quilômetros do Rio de Janeiro, quando viu dois soldados passarem em um carroça. Avaliando que maltratavam o animal mandou parar, desatrelar o animal e  que Carlos Vítor substituísse o cavalo. O soldado teve de puxar a carroça com o outro soldado em cima.

Hoje, Pazuello é o homem que está no centro de uma das crises do governo de Jair Bolsonaro (sem partido). Tudo porque, no último domingo, 23, o general de divisão ativa marcou presença no palanque montado pelo presidente para um ato considerado “político” já pensando nas eleições do ano que vem.

Pazuello participou de um evento de motociclistas com Bolsonaro e subiu ao palanque para dar apoio ao presidente. Demitido em março por sua gestão considerada desastrosa à frente da Saúde, o general foi incorporado a um cargo burocrático na Secretaria-Geral do Exército.

Sem punição
Bolsonaro teria dito ao comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, que não quer ver o ex-ministro Pazuello punido. A sinalização segundo a Folha de S. Paulo, foi dada ao comandante durante a viagem de ambos a São Gabriel da Cachoeira (AM), onde Bolsonaro foi inaugurar uma ponte de menos de 20 metros e fazer uma visita de dois dias a partir de quinta-feira, 27.

Eduardo Pazuello é um general da ativa, responsável pela logística militar, com três estrelas. Paulo Sérgio é seu superior, e o pedido de Bolsonaro deixa ainda mais acirrada a crise entre o Planalto e as Forças Armadas. Já que o ato de Pazuello gerou irritação no Alto Comando do Exército, colegiado de 15 generais de quatro estrelas encabeçado por Paulo Sérgio.

Pelo regimento militar, que veta manifestações políticas de quem está fardado, é inegociável a situação, sendo assim, ele pode ser advertido verbalmente, receber uma repreensão por escrito ou pegar 30 dias de cadeia em um quartel.

Beco sem saída?
A depender da escolha, a decisão pode abrir uma porta da politização das Forças Armadas e perder a autoridade ante seus pares que são contrários a isso. Por outro lado, se punir Pazuello, Paulo Sérgio pode se ver numa situação em que a permanência no cargo será insustentável, levando à segunda crise militar em dois meses. Paulo Sérgio tem uma semana para decidir o que fazer com o ex-ministro da Saúde.

* Com informações do Estado de S. Paulo e da Folha de S. Paulo.

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