“PT-PMDB é um casamento em litígio, que pode chegar ao divórcio mais cedo ou mais tarde”, afirma José Nelto

Deputado eleito teceu duras críticas à administração municipal e acusa prefeito Paulo Garcia de “sempre fazer o que quer”: “A prefeitura é do PT. O PMDB não tem voz lá não”

José Nelto em reunião com executiva do PMDB e prefeito Paulo Garcia (PT) | Foto: Humberto Silva

José Nelto em reunião com executiva do PMDB e prefeito Paulo Garcia (PT) | Foto: Humberto Silva

Contradizendo o vice-prefeito de Goiânia, Agenor Mariano, e o presidente da executiva do PMDB metropolitano, Bruno Peixoto, o deputado estadual eleito José Nelto teceu duras críticas à gestão do prefeito Paulo Garcia (PT) e garantiu que a relação entre PMDB e PT continua abalada.

“Não estamos bem não. Este é um casamento em litígio, que pode chegar ao divórcio mais cedo ou mais tarde”, afirmou.

O parlamentar, que participou da reunião entre integrantes da executiva do PMDB e o prefeito Paulo Garcia (PT), disse que “entrou mudo e saiu calado”. “Eu não concordo com esta gestão. A crise de Goiânia é problema de gestão”, acusou.

Apresentar sugestões e debater não faz diferença, explica José Nelto. “O prefeito faz aquilo que quer. Não adianta falar nada. A prefeitura é do PT. O PMDB não tem voz lá não”, desabafou, dizendo que ficar calado foi uma decisão pessoal. “Só fui para ouvir, e mais nada. Não dei um palpite sequer”, completou.

O motivo de Paulo Garcia ter chamado integrantes do PMDB para uma conversa no Paço foi justamente para mostrar que tem se preocupado em manter uma boa relação com todos — como fez também com a Câmara Municipal. José Nelto, entretanto, não se convenceu.

“Aqui eu sou o prefeito. Eu mando na reforma”, disse o deputado, replicando a forma com que, de acordo com ele, Paulo Garcia leva a gestão. “Isso é o que mais me incomoda”, completou. De acordo com ele, o petista até ouve, mas não usa as sugestões. “Ele vai fazer o que der na cabeça dele.”

Questionado se acreditava que a reunião daria bons frutos, ele respondeu: “Só Deus sabe.”

O deputado eleito sustenta que nem indicação para cargo o PMDB faz da forma como deseja. “Ele [Paulo Garcia] não aceita o PMDB indicar um nome; tem que indicar três, e ele escolhe. Ora, isso não é indicar. Ele sempre faz o que ele quer”, contesta.

Ainda sobre a reunião, José Nelto acredita que o projeto para enxugar a máquina está pequeno. “Acho que teria que ser uma reforma mais abrangente”, afirmou.

De acordo com ele, a reforma não vai resolver o problema de Goiânia. “Tem que mudar estatuto dos servidores, tirar as incorporações. Tem muito dinheiro saindo pelo ralo da prefeitura, dinheiro dos pagadores dos impostos. A reforma é pequena, não é uma grande reforma.”

O Jornal Opção Online entrou em contato com o prefeito Paulo Garcia, que alegou que a ligação estava ruim e pediu para retornar em seguida. A reportagem ligou novamente, mas o gestor não atendeu as ligações.

Passado x Futuro

Em um momento da entrevista, o deputado tentou apontar para uma possibilidade de união, de contornar a situação, e disse que as siglas não devem viver de passado. “Houve erros por parte do PT e do PMDB, mas vamos construir um futuro. A oposição tem um adversário em Goiás, que é o governador Marconi Perillo [PSDB]”, disse.

Perguntado sobre o futuro, José Nelto disse que o PMDB possui vários candidatos para 2016. “Temos Iris Rezende, Daniel Vilela, Sandro Mabel, Agenor Mariano, Bruno Peixoto… nome à vontade para a prefeitura, e para vereador também”, disse.

Questionado, então, como será se o PT indicar um nome para concorrer à prefeitura, José Nelto disse: “Volto a dizer: temos nomes para prefeito, vice e vereadores.”

“Quem traiu ele na Câmara foi o PT”

O deputado estadual eleito disse para o prefeito sua decepção com a administração municipal e com o PT. “Quem derrotou ele foi o próprio partido”, alegou.

José Nelto atribui o início da decadência de Paulo Garcia ao que ele chamou de “traição” de petistas. “O Felisberto Tavares e o Tayrone [di Martino] se venderam para o governo já na campanha do ano passado”, e completou: “A bancada do PT não é confiável.”

O Jornal Opção Online tentou contato com o vereador Tayrone di Martino, mas as ligações não foram atendidas

Deixe um comentário