Promotor aciona Marconi Perillo por renúncia fiscal irregular de IPVA

Krebs questiona isenção de imposto e aponta prejuízo de quase R$ 5 milhões ao erário

Marconi Perillo | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O promotor de Justiça Fernando Krebs acionou o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) por ato de improbidade administrativa, em razão de renúncia fiscal de Imposto de Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Segundo Krebs, o ex-governador agiu em desobediência à Lei Complementar n° 101/2000, que estabelece normas de finanças públicas para a responsabilidade na gestão fiscal, causando um dano ao erário de R$ 4.961.116,18.

Na ação, Krebs relata que a renúncia de receita se deu com o encaminhamento de projeto de lei à Assembleia Legislativa, que aprovou as medidas sem nada questionar. Segundo apurado pelo promotor, em 15 de março de 2017, o ex-governador encaminhou ao Legislativo projeto de lei para alterar o Código Tributário de Goiás, isentando o IPVA sobre veículos de propriedade dos Centros de Formação de Condutores credenciados no Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran), até o limite de 3.100 CFCs e até 2020. Após tramitação e aprovação da Assembleia, o projeto foi sancionado por Marconi Perillo, dando origem à Lei n° 19.616/2017.

Krebs, no entanto, sustenta que o Perillo descumpriu a Lei de Responsabilidade Fiscal, pois o projeto de lei não atendeu os requisitos legais exigidos para concessão de benefícios fiscais, com omissão quanto ao impacto orçamentário-financeiro do benefício entre 2018 e 2020, não comprovou sua conformidade com a Lei de Diretrizes Orçamentária, nem apresentou qualquer cálculo sobre adequação com a lei orçamentária. O promotor destaca que faltou ainda a indicação das medidas que seriam tomadas para compensar a renúncia de receita prevista na lei.

De acordo com a ação, uma das motivações para o envio do projeto foi a de minimizar os efeitos da crise enfrentada pelo setor, possibilitando a continuidade da prestação de serviços oferecidos pelas autoescolas. Informação que, conforme apurado pelo promotor, não confere com os dados do próprio Detran sobre primeira habilitação, mudança e adição de categoria.

O Jornal Opção entrou em contato com a defesa do ex-governador mas não obteve resposta até a publicação dessa reportagem.

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