João Reynol e João Paulo Alexandre

O professor de inglês Danilo Neves Pereira, de 35 anos, está desaparecido há pelo menos quatro dias em Buenos Aires. O caso é investigado pela polícia local, enquanto familiares e amigos pedem ajuda para localizar o brasileiro. Ele era egresso do curso de Letras, da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Ao Jornal Opção, Diego Machado, amigo do professor desde 2008, contou que Danilo é goiano, tem mestrado pela UFG e lecionou durante 12 anos no Centro de Línguas da universidade. “Ele tinha acabado de conseguir um emprego fixo na Cultura Inglesa, além de dar aulas particulares. Era uma pessoa organizada financeiramente.”

Diego descreve o amigo como “extremamente responsável” e “fácil de fazer amizades”. Ele estava vivendo na capital argentina há cerca de seis meses. O último contato conhecido aconteceu quando o professor enviou, por WhatsApp, a localização de uma pessoa que havia conhecido por aplicativo de relacionamento. Desde então, ele não atende ligações nem visualiza mensagens em redes sociais. O desaparecimento ocorreu na madrugada da última terça-feira, 14.

Outro amigo de Danilo ouvido pelo Jornal Opção, mas que preferiu não se identificar, disse que recebeu versões contraditórias durante a apuração policial. Segundo ele, agentes foram ao apartamento de Danilo com mandado judicial, mas o porteiro informou que o professor não morava mais no local. “Acho muito estranha essa informação, porque o Danilo não me falou nada e eu sempre conversava com ele”, relatou.

Diego afirma ainda que a polícia também esteve na casa da última pessoa que viu Danilo. Ela teria afirmado que ele ficou pouco tempo no local e ido embora. Enquanto isso, a aflição e a agonia pela falta de resposta só aumenta. “Meu sentimento é de total desespero. Não faz sentido esse sumiço. Eu sei que a família é muito alheia, então ele só tem os amigos mesmo.”

O amigo conta que estava conversando com Danilo para que ele retornasse a viver em Goiânia. O motivo? Se tornarem empreendedores. “A gente estava planejando abrir uma empresa juntos. Não faz nenhum sentido ele simplesmente desaparecer assim.”

Diego conta que há uma mobilização entre professores e colegas da UFG para entrar em contato com o Itamaraty para ajudar no paradeiro do goiano.

A Polícia de Buenos Aires informou ao Jornal Opção que “as buscas são conduzidas pela Divisão de Pessoas Desaparecidas da Cidade Autônoma de Buenos Aires”, mas que não poderiam passar mais detalhes sobre as investigações.

Em retorno à reportagem, o Itamaraty informou que o Consulado do Brasil em Buenos Aires foi acionado prestou a assistência devida. Mas disse que “em casos dessa natureza, os consulados orientam amigos/familiares ao contato com polícia e autoridades locais, mas não tem competência para iniciar ou acompanhar investigações.”

“Em atendimento ao direito à privacidade e em observância ao disposto na Lei de Acesso à Informação e no decreto 7.724/2012, o Ministério das Relações Exteriores não fornece informações sobre casos individuais de assistência a cidadãos brasileiros”, finalizou o posicionamento.

Danilo é descrito por antigos professores como excelente aluno. Antes de se mudar para a Argentina, ele também havia passado por Rio de Janeiro e São Paulo, onde planejava defender o doutorado. Na capital argentina, o professor lecionava aulas para crianças em uma escola em Buenos Aires, além de possuir alunos particulares.

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