A produtora responsável pelo filme Dark Horse, inspirado no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), declarou que a obra teve custo total de US$ 13,4 milhões, o equivalente a cerca de R$ 75 milhões, e que não utilizou recursos públicos ou incentivos fiscais para sua produção. As informações constam em uma perícia privada apresentada pela defesa da Go Up Entertainment em inquérito que investiga suposto desvio de verbas públicas para financiar o projeto.

Segundo o laudo, os gastos realizados no Brasil entre junho de 2025 e junho de 2026 somaram R$ 20,9 milhões, enquanto as despesas nos Estados Unidos alcançaram US$ 9,6 milhões, totalizando aproximadamente R$ 75 milhões. O documento sustenta que os recursos empregados na produção tiveram origem exclusivamente privada.

A investigação apura suspeitas de que valores provenientes de um contrato de R$ 108 milhões entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up Entertainment, possam ter sido desviados para financiar o longa-metragem. A perícia contratada pela defesa afirma não ter identificado uso de recursos públicos, incentivos da Lei Rouanet ou verbas municipais na documentação analisada.

O custo do filme também passou a ser alvo de questionamentos após o vazamento de um áudio atribuído ao senador Flávio Bolsonaro (PL), no qual ele solicita recursos ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, para financiar a produção. De acordo com a reportagem do Intercept Brasil, Vorcaro chegou a repassar R$ 61 milhões para o projeto, embora seu nome não apareça no laudo pericial.

O documento destaca ainda que o principal financiador da obra seria o fundo norte-americano Havengate Development Fund LP, que teria aportado cerca de US$ 13,3 milhões na produção. Conforme reportagens anteriores, o fundo é administrado por Paulo Calixto, advogado ligado ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL).

Diante da repercussão política envolvendo o longa, o advogado Ricardo Sayeg, que representa Karina Ferreira da Gama, afirmou ter recomendado o adiamento da estreia para depois das eleições. Segundo ele, a medida busca evitar que o filme seja associado ao cenário eleitoral.

A produtora informou que avalia a possibilidade de postergar o lançamento. Em manifestação anterior, Karina afirmou que o objetivo da equipe é disputar premiações internacionais, incluindo o Oscar em categorias como melhor filme, direção, roteiro e atuação.

Paralelamente, a Polícia Federal investiga se recursos repassados por Daniel Vorcaro também teriam sido utilizados para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Flávio e Eduardo Bolsonaro negam qualquer irregularidade.

Outra frente de apuração levou a Prefeitura de São Paulo a afastar Rodrigo Raveli Bolzan da gerência da SPTuris após a abertura de investigação sobre sua ligação com empresas e entidades relacionadas ao caso. Antes de assumir o cargo, Bolzan foi sócio de uma empresa citada nas investigações conduzidas pela Polícia Civil.

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