Grupo da Operação Lava Jato também entrou com ação na Corregedoria Nacional do Ministério Público Federal contra pedido da PGR. Procuradoria diz estranhar reação de procuradores

Agentes da Polícia Federal durante ação da Operação Lava Jato em sede da Odebretch | Foto: Rovena Rosa/ Agência Brasil

Visitas ocorridas nos dias 24 e 25 de junho pela subprocuradora-geral da Procuradoria-Geral da República (PGR) Lindôra Araújo motivaram três produradores da Operação Lavajato a deixarem o grupo em Brasília nesta sexta-feira, 26. Conforme noticiado pela TV Globo, foram eles Hebert Reis Mesquita, Victor Riccely Lins Santos e Luana Macedo Vargas. Maria Clara Noleto havia deixado a Lava Jato no início do mês, por divergências também.


Segundo os procuradores, Lindôra teria solicitado dados sigilosos de investigações em diversos estados. O grupo teria aberto uma ação na Corregedoria Nacional do Ministério Público Federal contra a PGR. Já a PGR se defendeu por meio de nota, em que falou que realizou uma visita de trabalho e um pedido de compartilhamento formal de informações com anuência da Secretaria de Perícia, Pesquisa e Análise (Sppea). O pedido também foi encaminhado para forças-tarefas de São Paulo e Rio de Janeiro.


“Os assuntos da visita de trabalho, como é o normal na Lava Jato, são sigilosos. A PGR estranha a reação dos procuradores e a divulgação dos temas, internos e sigilosos, para a imprensa”, afirmou nota da PGR.


O ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, também se manifestou em relação ao pedido da PGR. “Aparentemente, pretende-se investigar a Operação Lava Jato em Curitiba. Não há nada para esconder nas investigações, embora essa intenção cause estranheza. Registro minha solidariedade aos procuradores competentes que preferiram deixar seus postos em Brasília”, escreveu.


Confira nota da PGR na íntegra:


A respeito de notícias publicadas nesta sexta-feira (26), a Procuradoria-Geral da República (PGR) esclarece que a subprocuradora-geral Lindôra Araújo, na condição de coordenadora da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ), realizou visita de trabalho à Força-Tarefa Lava Jato em Curitiba (PR). Desde o início das investigações, há um intercâmbio de informações entre a PGR e as forças-tarefas nos estados, que atuam de forma colaborativa e com base no diálogo. Processos que tramitam na Justiça Federal do Paraná têm relação com ações e procedimentos em andamento no STJ.

A visita foi previamente agendada, há cerca de um mês, com o coordenador da força-tarefa de Curitiba – que, inclusive, solicitou que se esperasse seu retorno das férias, o que foi feito. O procurador Deltan Dallagnol sugeriu que a reunião fosse marcada para entre 15 e 19 de junho, mas acabou ocorrendo nessa quarta-feira (24) e quinta-feira (25).

Não houve inspeção, mas uma visita de trabalho que visava a obtenção de informações globais sobre o atual estágio das investigações e o acervo da força-tarefa, para solucionar eventuais passivos. Um dos papéis dos órgãos superiores do Ministério Público Federal (MPF) é o de organizar as forças de trabalho. Não se buscou compartilhamento informal de dados, como aventado nas notícias da imprensa, mas compartilhamento formal com acompanhamento de um funcionário da Secretaria de Perícia, Pesquisa e Análise (Sppea), órgão vinculado à PGR, conforme ajustado previamente com a equipe da força-tarefa em Curitiba.

A solicitação de compartilhamento de dados foi feita por meio de ofício datado de 13 de maio. Pedido semelhante foi enviado às forças-tarefas de São Paulo e do Rio de Janeiro. Diante da demora para a efetivação da providência, a reunião de trabalho poderia servir também para que a Sppea tivesse acesso ao material solicitado. A medida tem respaldo em decisão judicial que determina o compartilhamento de dados sigilosos com a PGR para utilização em processos no STF e no STJ.

A corregedora-geral do Ministério Público Federal, Elizeta Paiva, também iria a Curitiba, mas não o fez nesta ocasião por motivos de saúde, conforme oficialmente informado ao gabinete do PGR. A corregedora vem acompanhando os trabalhos da Lava Jato porque determinou uma correição extraordinária, realizada por dois procuradores designados por ela, em todas as forças-tarefas em funcionamento no âmbito do MPF no país. Os assuntos da reunião de trabalho, como é o normal na Lava Jato, são sigilosos. A PGR estranha a reação dos procuradores e a divulgação dos temas, internos e sigilosos, para a imprensa.