Problema financeiro já preocupa quase metade dos brasileiros e acende alerta nas empresas
22 julho 2026 às 16h32

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Quase metade dos brasileiros convive com elevado nível de estresse financeiro. É o que revela uma pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), realizada em parceria com o Datafolha. Segundo o levantamento, 47% da população enfrenta alta pressão relacionada ao dinheiro, enquanto outros 48% relatam um nível moderado de preocupação.
Os efeitos ultrapassam o orçamento doméstico e chegam à rotina de trabalho. De acordo com a pesquisa, 37% dos brasileiros afirmam perder o sono por causa das finanças e 49% dizem trabalhar mais do que gostariam para conseguir manter as contas em dia. Diante desse cenário, empresas têm ampliado o debate sobre saúde financeira e reforçado programas de benefícios como estratégia para reduzir impactos na produtividade e no bem-estar dos colaboradores.
Saúde financeira influencia produtividade
Para o gerente regional da Vólus, Gerlos Lima, a saúde financeira deixou de ser uma questão exclusivamente individual e passou a influenciar diretamente o desempenho das organizações.
“Durante muito tempo, as empresas acreditavam que os problemas financeiros ficavam do lado de fora do ambiente de trabalho. Hoje está claro que eles acompanham o colaborador e afetam sua rotina, sua produtividade e até o clima organizacional”, afirma ao Jornal Opção.
Segundo ele, a preocupação constante com dívidas, contas e despesas compromete a concentração e aumenta os níveis de ansiedade.
“Quando o colaborador está preocupado em pagar as contas ou em conseguir honrar seus compromissos financeiros, naturalmente ele perde foco. Isso afeta o rendimento e pode refletir em toda a equipe”, explica.
Na avaliação do executivo, a ampliação da oferta de crédito também contribuiu para esse cenário. Embora tenha facilitado o acesso ao consumo, muitas famílias passaram a assumir compromissos financeiros sem planejamento suficiente para enfrentar imprevistos, aumentando a sensação de insegurança diante de despesas inesperadas.
Benefícios ganham papel estratégico
Como resposta, empresas têm fortalecido suas políticas de benefícios para aliviar parte da pressão sobre o orçamento dos funcionários. Gerlos explica que auxílios destinados à alimentação, mobilidade e outras despesas essenciais reduzem gastos fixos e ajudam a proporcionar maior estabilidade financeira.
“Quando o colaborador recebe um benefício de alimentação, por exemplo, ele sabe que uma parte importante das despesas da casa já está coberta. O mesmo acontece com os benefícios de mobilidade, que reduzem os custos com deslocamento. Isso representa um alívio direto no orçamento familiar”, frisa.
Esse movimento também tem influenciado os processos de contratação. Segundo o gerente, os benefícios deixaram de ser apenas um diferencial e passaram a integrar a estratégia de atração e retenção de talentos.
“Hoje, durante uma entrevista de emprego, as empresas apresentam os benefícios oferecidos porque sabem que eles têm peso na decisão do candidato.”
Apesar disso, ele ressalta que não existe uma solução única capaz de atender todos os perfis de trabalhadores.
“Uma empresa reúne pessoas em diferentes fases da vida, desde jovens aprendizes até profissionais mais experientes. Cada grupo possui necessidades distintas. Por isso, muitas organizações têm ouvido os próprios colaboradores antes de criar ou ampliar seus programas de benefícios.”
Saúde mental entra na pauta das empresas
A discussão ganha ainda mais relevância diante do aumento dos afastamentos por transtornos mentais no país. Dados do Ministério da Previdência Social mostram que a concessão de benefícios relacionados à saúde mental mais do que dobrou em dois anos, passando de 201 mil em 2022 para 472 mil em 2024.
Embora diversos fatores expliquem esse crescimento, Gerlos avalia que as dificuldades financeiras estão entre os elementos que contribuem para o agravamento do problema.
“As finanças influenciam praticamente todos os aspectos da vida. Quando existe preocupação constante com dinheiro, isso acaba refletindo também na saúde emocional. As empresas perceberam que cuidar desse tema também é cuidar das pessoas.”
Além dos benefícios tradicionais, muitas organizações passaram a investir em ações voltadas ao bem-estar integral dos colaboradores. Educação financeira, plataformas de saúde, acesso a academias, programas de qualidade de vida, pausas durante a jornada e atividades laborais estão entre as iniciativas que vêm ganhando espaço.
“Não basta oferecer apenas os benefícios tradicionais. Hoje as empresas procuram criar um ambiente mais saudável, com iniciativas que ajudem o colaborador a administrar melhor sua vida financeira e também a cuidar da saúde física e mental.”
Na avaliação do executivo, a tendência é que os programas corporativos se tornem cada vez mais personalizados, acompanhando as diferentes necessidades dos trabalhadores e integrando soluções que promovam qualidade de vida, equilíbrio financeiro e maior engajamento no ambiente profissional.
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