Presença de Marconi na posse da mesa diretora aponta proximidade de vereadores com gestão estadual

Prefeito Paulo Garcia (PT) não compareceu e enviou seu chefe de gabinete, Olavo Noleto, como representante

Na posse da nova mesa diretora da Câmara Municipal, presidida agora pelo vereador Anselmo Pereira (PSDB), não faltaram tucanos. Além do governador Marconi Perillo (PSDB), sentado ao centro da mesa, ao lado do então presidente Clécio Alves (PMDB) — que em seguida deixou o lugar para o recém-empossado Anselmo –, estavam também os deputados federais João Campos (PSDB), Giuseppe Vecci (PSDB), o presidente da Agência Goiana de Transporte e Obras (Agetop), braço direito de Marconi, Jayme Rincón (PSDB), e o presidente do PSDB goiano, Paulo de Jesus.

A ausência do prefeito Paulo Garcia (PT), não passou despercebida pelos vereadores. Em seu lugar, o petista enviou seu chefe de gabinete, Olavo Noleto. Em entrevista, Olavo garantiu que o compromisso principal do prefeito é fortalecer o diálogo com os vereadores. Questionado sobre o não comparecimento de Paulo Garcia, o auxiliar do prefeito afirmou que o petista ainda estava em Brasília, depois de acompanhar a posse de alguns ministros.

Olavo ainda lembrou dos problemas que a capital passou nos últimos tempos, dizendo que toda grande cidade passa por dificuldades financeiras. “Estamos tomando as medidas necessárias, apertando os cintos. O prefeito já até prometeu enviar uma proposta de reforma administrativa”, e completo: “Altos e baixos fazem parte da vida pública.”

O vereador Elias Vaz (PSB) lamentou a ausência do prefeito, e disse que é preciso outro tipo de relação. “Espero que isso seja apenas um simbolismo. Goiânia está passando por problemas sérios. Não estamos aqui para fazer oposição e nem ser autônoma”, pontuou.

A possível interferência do governador nas eleições da mesa era um dos assuntos mais comentados. Paulo Magalhães (Solidariedade) falou novamente sobre um suposto ônibus que levou os vereadores a uma chácara poucos dias antes da votação. “O governador interferiu na votação do IPTU e na eleição da mesa”, sustentou.

Vereadores, entretanto, desconversam o fato. Rogério Cruz (PRB) e Elias, por exemplo, afirmam que foi uma reunião entre os vereadores, não tendo envolvimento de nenhuma figura. “Eu mesmo paguei o meu quarto”, disse Rogério, se referindo a pousada que ficaram em Anápolis. Já Elias, afirmou: “Fomos apenas para ficarmos isolados e podermos conversar e discutir melhor.”

Zander Fábio (PSL), que chamou o último encontro que teve com Paulo Garcia de “frio e rápido”, também garante que não houve interferência do governador. Mesmo assim, o vereador citou pessoas próximas de Marconi que, segundo ele, tiveram papel primordial na eleição da mesa. “Jaime Rincón, Francisco Oliveira e Santana Gomes são pessoas que sempre ouço”, garantiu, frisando o nome de Rincón, próximo a Marconi. “Mas não é o Marconi”, disse.

Clécio Alves, por sua vez, não disse que sim ou que não. “Quero acreditar que não”, afirmou, ao ser questionado sobre interferência do governador. O peemedebista sustentou que o governador tem outras preocupações. “Ele acaba de ser reeleito para seu quarto mandato”, disse.

O presidente do PSDB em Goiás, Paulo de Jesus, disse que não houve interferência do governador, mas sim do partido. “O que Anselmo defendeu foram os interesses do partido, não do governador. Marconi já tem muito trabalho em Goiás”, frisou.

Questionados se a mesa, constituída por maioria de oposição, iria fazer oposição ao prefeito Paulo Garcia, a maioria dos vereadores respondeu que não. O petista Tayrone Di Martino, por exemplo, pontuou que a intenção é ser uma gestão autônoma. “Não vai ser secretaria do Paço, mas também não faremos oposição por fazer”, e completou: “Não somos uma extensão do Paço.”

O discurso de posse

A Casa estava cheia, com plenário e galeria lotados. O evento era para celebrar a posse da nova mesa diretora da Câmara Municipal, presidida por Anselmo Pereira; com o petista Tayrone Di Martino como vice; Rogério Cruz no cargo de 2º vice; Zander sendo o 1º secretário; Geovani Antônio, 2º secretário; Pedro Azulão Júnior (PSB), 3º secretário; e o peemedebista Mizair Lemes Júnior, 4º secretário. Esses dois últimos não compareceram.

Ao lado do governador Marconi Perillo, o vereador Anselmo Pereira concedeu uma entrevista coletiva antes de entrar no plenário para a solenidade. O mesmo fez o governador, que após sentar-se à mesa, não mais se pronunciou. “Nossa postura será a mais natural possível, e estaremos sempre de portas abertas para discutir com o prefeito”, disse Anselmo.

Conforme o presidente, a intenção é se aproximar mais da população, e levar discussões pertinentes não apenas para a capital, mas para as cidades que formam a Região Metropolitana de Goiânia. Falando da relação com o prefeito, Anselmo citou o projeto da data base dos servidores do município, já enviado pelo petista, que será discutido em autoconvocação. “Não seremos oposição”, frisou.

Anselmo Pereira iniciou seu discurso citando Fernando Sabino, e no decorrer da fala citou outras figuras, como Tolstoi, Bill Gates, Cora Coralina e o Papa Francisco. O governador foi aplaudido de forma fervorosa quando entrou no plenário, e foi citado por diversas vezes tanto por Anselmo quanto por Clécio Alves, que fez de seu discurso uma conversa direta com o governador, chamando-o a todo tempo.

O presidente empossado visou, entretanto, não gerar mais desconforto, tendo falado do prefeito Paulo Garcia (representado por Olavo Noleto), apontando que a intenção era alcançar uma gestão integrada com a prefeitura, o governo e a Assembleia Legislativa. “A premissa será sempre despir-se de qualquer ranço ou exacerbação de diferenças”, e completou: “Este caminho colide com as escolhas pessoais, muito mais propícias a erros de direção por conta da nossa própria condição humana individual.”

Durante o discurso de Anselmo – que citou por diversas vezes a necessidade de uma boa relação com o Paço –, o vereador voltou as atenções ao governador, elogiando o tucano ao dizer que ele é o melhor exemplo de alguém que cumpre uma relação republicana. O parlamentar falou da relação de Marconi com a presidente Dilma, e citou o discurso de posse do governador, na última quinta-feira (1º/1). “Como disse o governador, Goiás se agigantou e mesmo com o Brasil à beira da recessão, prossegue a trajetória de crescimento sustentável, com índices sempre bem acima da média nacional.”

Anselmo também deu destaque ao projeto da cidade sustentável, dizendo que pretende perseguir formas para se avançar nesta questão da “Goiânia sustentável”. “Temos que seguir na perspectiva de respeitar e cuidar dos recursos naturais e das gerações futuras”, pontuou.

Ao final do discurso de posse, Anselmo ainda citou o ex-prefeito Iris Rezende, quem, de acordo com o vereador, imprimiu fortes características como gestor realizador, assim como Nion Albernaz. O tucano também fez uma homenagem póstuma ao ex-prefeito Darci Accorsi, falecido no dia 20 de novembro do último ano.

Vereadores criticam antiga gestão

Com maior parte dos vereadores presentes de oposição, ou do bloco moderado, críticas não faltaram. Muitos afirmaram que o grande desafio será estabelecer um canal melhor de interlocução com a sociedade, como disse o vereador Elias Vaz. “A Câmara não pode ter o foco no Executivo, quando o fundamental é a sociedade, e a Casa tem falhado nisso”, sustentou o vereador.

Questionado se a antiga mesa diretora não possuía autonomia, o parlamentar disse: “Votar um projeto do IPTU às 22 horas de um domingo não é nada republicano ou respeitoso”, afirmou.

O vereador Tayrone Di Martino (PT) também fez críticas no mesmo sentido, dizendo que essa nova gestão não iria deixar que projetos fossem aprovados de forma atropelada. “Vai haver debate, discussão; não vamos aprovar nada na pressão”, afirmou.

Paulo Magalhães, por sua vez, rebateu as críticas de alguns parlamentares. De acordo com ele, é uma inverdade dizer que a última gestão não foi autônoma. “Autonomia são interesses particulares. Por exemplo,  têm vereadores com muitos imóveis, e aumento do IPTU não é bom para eles [sic]”, disse, acusando alguns vereadores de terem votado contra o projeto do IPTU/ITU por motivos pessoais.

Antigo presidente da Casa, o vereador Clécio Alves também se defendeu, pontuando que os projetos passaram pela Casa com seu devido tempo. “Saio com a sensação de dever cumprido. Uma coisa que fui aqui foi democrático”, disse, sustentando que sempre abriu espaço para discussão antes das votações.

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