O prazo final para que o governo federal realizasse a desocupação das terras indígenas Apyterewa e Trincheira Bacajá, no Pará, encerrou-se na última terça-feira, 31. Entretanto, organizações associadas aos povos originários declaram que a remoção dos invasores dos territórios ainda não foi finalizada.

O governo federal afirma que tem se empenhado na retirada de não indígenas das áreas demarcadas, contando com a participação de mais de 300 funcionários de 14 entidades distintas, incluindo a Força Nacional e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

A operação do Executivo teve início em 2 de outubro, após duas decisões determinando a desocupação das terras indígenas. Uma delas foi emitida pelo ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a outra pela Justiça Federal.

Mas, segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), a desocupação dos territórios não foi concluída até a data estabelecida.

Por sua vez, o governo federal se defende, alegando que a primeira fase da desocupação foi finalizada e, a partir de 1º de novembro, as equipes concentrarão esforços em sobrevoar as terras para verificar a presença de invasores na região.

Aldeias

O território Apyterewa se tornou a terra indígena mais desmatada do país durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e está localizado entre os municípios de São Félix do Xingu e Altamira. A área perdeu 319 km² de floresta nativa entre 2019 e 2022, extensão equiparada à cidade de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais.

A terra Apyterewa abriga cerca de 700 indígenas Parakanã que estão espalhados por uma área de 773 mil hectares. Segundo o Governo Federal, há registros de indígenas isolados e de recente contato dentro do território.

A terra indígena Trincheira Bacajá também sofreu com o desmatamento durante a gestão Bolsonaro. No entanto, o território vinha sofrendo as consequências da instalação da hidrelétrica de Belo Monte, durante a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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