Polícia Federal afirma que prova do Enem 2016 foi vazada

Inquérito entregue ao Ministério Público Federal no Ceará (MPF-CE) confirma que pelo menos duas pessoas receberam gabaritos e tema da redação antes do exame

A Polícia Federal (PF) entregou ao Ministério Público Federal no Ceará (MPF-CE) relatório final do inquérito que avaliou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2016. Segundo o documento, divulgado nesta quinta-feira (1º/12), pelo menos dois candidatos receberam o tema da redação, as provas e gabaritos do 1º e 2º dia antes de fazerem a prova.

Durante a realização do exame, a PF deflagrou duas operações e apreendeu alguns celulares em que foram encontradas fotos dos resultados. Eles também obtiveram acesso à chamada frase-código presente no caderno rosa, o que possibilitou que, mesmo com prova de cor diferente, eles pudessem preencher o gabarito exatamente como receberam. No total, 11 pessoas foram presas.

As investigações também descobriram que, apesar de dois dos candidatos presos estivessem fazendo prova em estados diferentes – um no Maranhão, outro em Minas Gerais -, as fotos eram iguais, mesmo mandadas por pessoas diferentes. A conclusão é de que a fraude era comandada por uma mesma quadrilha.

“Uma quadrilha organizada nacionalmente teve acesso antecipado às provas. Isso compromete a lisura do exame e a própria credibilidade da logística de segurança que vem sendo aplicada”, afirmou o procurador da República Oscar Costa Filho. Segundo ele, o inquérito será juntado a um recurso do MPF que tramita no Tribunal Regional Federal da 5ª Região, em Recife (PE).

Neste recurso, de autoria de Oscar, o MPF pede o cancelamento da redação do Enem, sob o argumento de que o vazamento do tema viola a isonomia que deve ser garantida a todos os que fazem a prova. Em sua conclusão, a PF aponta que a quadrilha cometeu crime de estelionato qualificado no caso.

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