Polícia autua por homicídio culposo empregadora da mãe do menino que caiu do 9º andar em Recife

Mulher permitiu que criança entrasse no elevador e apertou botão para que subisse. Autoridades afirmaram que ela pagou R$ 20 mil e responderá em liberdade

Prédio Píer Maurício de Nassau, de onde criança caiu de uma altura de 35 metros. Foto: Reprodução.

De acordo com informações divulgadas pela polícia nesta quarta-feira, 3, a empregadora da mãe de Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, que morreu ao cair do 9º andar de um prédio em Recife, foi presa em flagrante por homicídio culposo. As autoridades alegaram que ela agiu com negligência, mas pagou fiança de R$ 20 mil e responderá em liberdade. 

Miguel estava passando o dia no trabalho da mãe e faleceu após despencar de uma altura de aproximadamente 35 metros no prédio Píer Maurício de Nassau nesta terça-feira, 2. As câmeras de vigilância do prédio registraram imagens da criança saindo do 5º andar do prédio, entrando no elevador e chegando ao 9º  andar, onde ela se dirigiu ao hall de máquinas, área comum onde ficam localizados os condensadores de ar-condicionados do pavimento.

A empregadora não teve a identidade revelada oficialmente, mas, de acordo com a TV Cube PE, se trata de Sari Gaspar, esposa do prefeito de Tamandaré, Sérgio Hacker.

“Por meio da oitiva da mãe, da análise mais apurada dos nossos investigadores e da ordem cronológica dos fatos, nós conseguimos observar uma sequência em que a moradora não consegue retirar a criança do elevador, aperta um andar superior a sua unidade e permite que a porta se feche. Quando o elevador para, no nono andar, a criança desembarca. Local  de onde viria a cair fatalmente” relatou o delegado da Delegacia Seccional de Santo Amaro, Ramón Teixeira.

Responsabilidade legal temporária

Teixeira explicou que a mulher estava com a “guarda momentânea da criança”, enquanto a mãe do menino, a empregada doméstica Mirtes Renata, caminhava com os cachorros.

“A responsabilidade legal, naquela circunstância, temporariamente jazeria sobre a empregadora. A criança, filha de sua funcionária, permaneceu na sua unidade sob sua responsabilidade. Ela tinha o poder e dever naquele caso de cuidar daquela criança e impedir, em última análise a ocorrência do trágico resultado que, é bom enfatizar, advém de uma tragédia, uma fatalidade”, afirmou o delegado.

Ainda de acordo com a polícia, a dona do apartamento estava em casa em companhia de outra mulher, que seria manicure. 

“A queda categoricamente se deu de modo acidental, o que restava era identificar a responsabilização de alguém, pelo fato de a criança ter ficado só. Conduzimos as partes envolvidas na ocorrência à delegacia. Fizemos esse convite tanto a moradora quanto a genitora para que elas pudessem nos passar informações úteis sobre o ocorrido”, afirmou Teixeira.

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