PM vai investigar participação de policiais em caso de advogado agredido

Comandante-geral determinou apuração minuciosa sobre acusação envolvendo esposa do senador Ronaldo Caiado (DEM)

Coronel Divino Alves | Foto: Jota Eurípedes

O comandante-geral da Polícia Militar de Goiás, Coronel Divino Alves, determinou a abertura de investigação interna para apurar a suposta participação de dois policiais no episódio de agressão ao advogado Márcio Messias Cunha, ocorrido em seu escritório em Goiânia.

Segundo informações prestadas em Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) no 4º Distrito Policial da Polícia Civil, a esposa do senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), Gracinha Caiado, e um primo, Jorge Caiado, teriam agredido verbal e fisicamente o advogado após desentendimento sobre um processo.

Toda a confusão, que aconteceu no dia 20 de março de 2017, foi presenciada por funcionários do escritório, que foram instruídos a chamarem a polícia. Poucos minutos depois, apareceram no local dois policiais militares, que, segundo denuncia Márcio Messias Cunha, estariam ali em conluio com a família Caiado.

“A verdade é que tinha um carro da polícia a menos de 20 metros do meu escritório durante todo o dia, coisa que nunca acontece. Quando meu funcionário foi pedir ajuda, o policial não teria perguntado onde era o problema, mas sim quem estava chamando”, relatou e seguiu:  “O que fiquei sabendo depois é que alguém, de dentro da polícia, teria pedido para que essa viatura ficasse ali naquele local, o que eles chamam de ‘ponto base’. Tudo isso me leva a crer que fui vítima na verdade, de uma armação. Eles foram lá para me agredir. Eu estava no meu local de trabalho, estou la há 18 anos. Foram para agredir a mim e à minha família.”

Inclusive, um dos funcionários do escritório teria gravado toda a briga, incluindo o chute que teria sido dado por Jorge no advogado, mas, o telefone teria sido tomado da mão dele pela esposa do senador, e um dos policiais que ali estavam teria apagado parte das gravações.

Assessor de imprensa da Polícia Militar do Estado de Goiás, o Coronel Ricardo Mendes, informou que, ante a gravidade das acusações, já foi aberta uma investigação interna para apurar o caso. Os polícias envolvidos devem ser ouvidos.

O caso

Jornal Opção noticiou com exclusividade na última quarta-feira (4/5) que a esposa o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), Maria das Graças Caiado, conhecida como Gracinha Caiado, e o primo Jorge Caiado foram acusados de agredir verbal e fisicamente e ameaçar o advogado Márcio Messias Cunha.

Segundo informações prestadas à polícia, o episódio aconteceu no dia 20 de março de 2017, quando os Caiado foram ao escritório do advogado, que fica no Setor Marista, para tratar sobre uma ação na qual ele representou o senador contra a Prefeitura de Goiânia.

Durante a discussão do processo, os três se desentenderam e começaram a trocar insultos e agressões verbais. No entanto, o advogado relata que o primo do senador se descontrolou e desferiu um chute contra ele. A polícia chegou a ser chamada, mas os dois policiais que apareceram no local estariam, segundo a vítima, “a serviço” dos dois acusados. Márcio Messias Cunha sugere que houve ordens de dentro da Polícia Militar para que uma viatura ficasse nas proximidades de seu escritório o acompanhando durante todo o dia.

O imbróglio foi parar na Justiça e, após uma audiência de conciliação no dia 3 de maio, o advogado decidiu registrar nova ocorrência na polícia por ter sido supostamente ameaçado pelo primo do senador mais uma vez dentro do Tribunal de Justiça.

A ação judicial que culminou na confusão data o ano de 2006, quando Márcio Messias Cunha representou o senador Ronaldo Caiado e outros moradores do condomínio de luxo Alphaville contra a Prefeitura de Goiânia, com o objetivo de recalcular os valores de IPTU e ITU.

À época, foram depositados por todos os autores montantes em uma conta única para o pagamento dos impostos, das custas judiciais e dos honorários advocatícios. Por meio de um mandado de segurança, a prefeitura foi obrigada a reduzir o imposto, o que resultou em um crédito a ser recebido pelo senador (e por todos os outros moradores).

O advogado moveu, então, uma ação de consignação em pagamento para que Ronaldo Caiado ou representante legal pudesse reaver o dinheiro por meio de um alvará — que foi publicado e recebido pela filha do senador, Anna Vitória Gomes Caiado. Porém, esta nunca chegou a resgatar o montante.

E é isso que causou a disputa: a família acusa o advogado de ter se apropriado indevidamente do valor sem ter pagado o imposto devido. No dia 20 de março, Gracinha Caiado e Jorge Caiado decidiram ir ao escritório de Márcio Messias Cunha para tirar satisfação.

A defesa garante que, no dia da confusão, o advogado recebeu os Caiado de maneira “rude” em seu escritório e teria confirmado ter feito o levantamento do dinheiro, o que foi o estopim para a discussão. Nega de maneira veemente que Gracinha Caiado tenha sido autora de qualquer agressão, física ou verbal e que, pelo contrário, teria sido insultada e ameaçada por Márcio Messias Cunha.

Pedro Paulo Medeiros, advogado que acompanha o caso, ressalta que, apesar do laudo médico apresentado pela vítima que comprova o chute, não houve agressão física. Jorge Caiado só teria agredido verbalmente diante de ameaças por parte de Cunha contra a esposa do senador. Ainda de acordo com a defesa, a polícia estava no local para “apaziguar os ânimos” e foi testemunha de todo o acontecimento.

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Alexandre Martins

É isso mesmo produção?