Plantas que nascem no quintal e na calçada viram tema de oficina gratuita em Goiânia
30 julho 2026 às 15h28

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Conhecidas pela sigla PANCs, as plantas alimentícias não convencionais ainda são pouco exploradas pela maioria das pessoas, mas vêm conquistando espaço na gastronomia, na pesquisa científica e em iniciativas de educação alimentar. Encontradas muitas vezes de forma espontânea em quintais, calçadas e áreas urbanas, essas espécies serão tema da oficina gratuita Verdejá, que será realizada nos dias 1º, 15 e 29 de agosto, às 9h, no Coletivo Centopeia, em Goiânia, dentro da programação do ATAC Pro.
A atividade será conduzida pelo chef, educador ambiental e pesquisador de gastronomia Humberto Marra, que propõe uma experiência prática envolvendo agroecologia, culinária e economia criativa. Segundo ele, as PANCs apresentam vantagens tanto pelo cultivo simples quanto pela possibilidade de ampliar a diversidade alimentar.
“As PANCs são de fácil cultivo, não exigindo solos férteis e dispensando o uso de veneno ou repelentes para insetos”, afirma o pesquisador.
Participantes aprenderão identificação e preparo de receitas
Durante os encontros, os participantes terão contato com técnicas para reconhecer espécies de forma segura, aprender formas de reprodução por sementes, mudas e estacas, além de preparar receitas utilizando plantas que ainda não fazem parte do consumo cotidiano da maioria da população.
A oficina é aberta para pessoas a partir de quatro anos. Crianças interessadas em participar deverão estar acompanhadas por um responsável.
Na primeira edição, marcada para este sábado (1º/8), os participantes vão iniciar uma experiência de compostagem doméstica, realizar o plantio de trigo destinado à produção de suco verde, colher ingredientes para uma salada de PANCs e ainda levar mudas de ora-pro-nóbis e joão-gomes para cultivar em casa.
Para o produtor da oficina e integrante da ATAC, Vinicius Gade, ampliar o conhecimento sobre essas plantas é uma forma de valorizar cultura, alimentação e biodiversidade.
“Gastronomia também é cultura, é conhecimento que permite diversificar a dieta no dia a dia. Nesse contexto, ficamos satisfeitos em oferecer uma atividade que mostra o potencial alimentício e nutritivo de plantas como as PANCs”, destaca.
Pesquisas apontam potencial nutricional das espécies
Além do interesse gastronômico, as PANCs também vêm sendo estudadas pela ciência devido à presença de nutrientes e compostos bioativos.
Uma dissertação desenvolvida na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP) analisou a composição nutricional de cinco espécies consumidas no estado de São Paulo: taioba, ora-pro-nóbis, serralha, capuchinha e beldroega.
O estudo identificou características nutricionais distintas entre as plantas. A taioba apresentou altos índices de carotenoides e vitamina C; a capuchinha se destacou pelas concentrações de proteínas, fibras e selênio; enquanto a ora-pro-nóbis apresentou maiores teores de magnésio e manganês.
Para Humberto Marra, algumas espécies também podem estar associadas a benefícios percebidos no consumo cotidiano. “Um exemplo é mastigar cinco folhas de ora-pro-nóbis para acabar com a queimação e azia no estômago”, explica.
Outro levantamento acadêmico publicado pelo Instituto Federal Goiano (IF Goiano) reuniu pesquisas sobre diferentes espécies de PANCs e destacou o interesse crescente por essas plantas devido ao valor nutricional, à presença de compostos bioativos e às possibilidades de uso na alimentação e na tecnologia de alimentos.
Os pesquisadores, porém, ressaltam que ainda existem espécies que precisam ser mais estudadas para ampliar o conhecimento sobre suas propriedades e possíveis aplicações.
O crescimento do interesse pelas PANCs acompanha movimentos ligados à valorização da biodiversidade, à busca por uma alimentação mais diversificada e ao fortalecimento de práticas sustentáveis. Esses temas estarão no centro das atividades propostas pela oficina Verdejá.
ATAC Pro reúne ações de formação cultural e criativa
As atividades do ATAC Pro são gratuitas e as inscrições permanecem abertas enquanto houver vagas disponíveis. O programa é realizado pelo Instituto BR e Prospera, com idealização, curadoria e produção da Associação dos Trabalhadores em Arte e Cultura (ATAC).
A programação reúne mais de 30 palestras e oficinas voltadas à formação cultural e criativa até o final de agosto.
Criada em 2026, a ATAC tem como objetivo fortalecer trabalhadores da cultura, articular iniciativas e ampliar espaços para circulação da produção artística em Goiânia. A associação surgiu conectada a redes independentes que atuam há anos na construção da cena cultural da cidade.
Inscrição
A oficina “Verdejá: PANCs — Plantas Alimentícias Não Convencionais” será realizada nos dias 1º, 15 e 29 de agosto de 2026, sempre às 9h, no Coletivo Centopeia, em Goiânia. A participação é gratuita e as inscrições podem ser feitas pelo link: https://shre.ink/atacpro. As vagas são limitadas e permanecem disponíveis enquanto houver lugares.
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