PF em Goiás apura indícios de fraude no Enem

Quadrilha foi descoberta pela PUC-Goiás, que repassou informações ao Ministério Público. Polícia descobriu, então, ação do grupo suspeito em outras instituições

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Vice-reitora da PUC-Goiás, Olga Izilda, e delegado Jocenildo Cavalcante | Foto: Bruna Aidar

A Polícia Federal em Goiás divulgou na manhã desta terça-feira (17/11) informações sobre a Operação Gabarito, que prendeu quatro estudantes do primeiro e segundo período de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO). Os alunos são suspeitos de envolvimento em fraudes de certames de interesse público, principalmente vestibulares. A polícia não possui muitos dados sobre o caso e os detidos estão sendo ouvidos.

“A quadrilha não agiu só na PUC. Até o momento, acreditamos que agiu em outras instituições de Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, além de indícios de fraude no Enem”, disse o delegado Jocenildo Cavalcante.

Em entrevista à imprensa, o delegado explicou que as investigações começaram depois do processo seletivo da PUC-Goiás, no último dia 7. A instituição desconfiou de um dos jovens, que saiu muito cedo da sala e levou parte da prova, e logo agiu com o intuito de descobrir a possível fraude.

Conforme a vice-reitora da instituição, Olga Izilda Ronchi, os estudantes se inscreveram para o vestibular de Administração e Zootecnia. A instituição desconfiou de um dos alunos que se comportou de forma suspeita durante a prova. Assim, a PUC logo agiu, nomeando equipe para fazer o cruzamento de dados dos candidatos. “Rapidamente chegamos a indícios concretos de que havia um grupo se associando para fraudar as provas”, explicou. Em seguida, a instituição repassou as informações para o Ministério Público Federal em Goiás (MPFGO), que informou a Polícia Federal.

De acordo com o delegado, a quadrilha agia da seguinte forma: os quatro alunos ficavam pelo período mínimo dentro de sala, saíam e passavam as informações para outras pessoas, que repassavam as respostas para pessoas que estavam fazendo prova.

A polícia não sabe ainda dizer quanto o grupo recebia para divulgar as respostas das questões, ou quem participava do esquema além dos quarto. “Estamos numa fase para ver os beneficiários e as pessoas responsáveis pela transmissão dos conteúdos sigilosos”, disse.

Nesta terça, foram cumpridos quatro mandados de prisão e de busca e apreensão. Segundo o delegado, os jovens poderão responder por organização criminosa (pena de um a três anos de prisão), fraude nos certames com dano na administração pública (dois a seis de reclusão) e multa. Não existe indício de participação de funcionários no esquema.

Possibilidade de cancelamento do vestibular

A vice-reitora da PUC-GO, Olga Izilda Ronchi, explicou que até o momento não existe necessidade de cancelamento do último vestibular da instituição, mas somente a desqualificação do grupo e dos estudantes envolvidos. “Vamos aguardar as investigações e se houver algum outro indício certamente a universidade tomará as medidas necessárias.”

Sobre os envolvidos, que são estudantes de Medicina da PUC, a vice-reitora frisou que deixará a polícia finalizar a apuração para tomar medidas referentes à expulsão dos alunos da universidade. “Não podemos dizer ainda que serão expulsos. Estamos aguardando confirmação por parte da polícia, para em seguida enquadrá-los com base no regimento geral da instituição”, explicou Olga.

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