Pesquisa da CNT indica que as dez melhores rodovias do país são privatizadas

Confederação Nacional do Transporte realizou um levantamento que apontou que 78,3% das rodovias concedidas tiveram seu estado avaliado como “bom ou ótimo”

Considerando os trechos concedidos, 78,3% de sua extensão foram classificados como ótimo ou bom. Apenas 21,7% foram classificados como regular, ruim ou péssimo | Foto: José Cruz/ Agência Brasil

Apenas 21,7% dos trechos concedidos foram classificados como regular, ruim ou péssimo | Foto: José Cruz/ Agência Brasil

As dez rodovias mais bem avaliadas pela Pesquisa CNT de Rodovias 2015 são concedidas à iniciativa privada e estão localizadas no estado de São Paulo. Segundo o levantamento divulgado nesta quarta-feira (4/11) pela Confederação Nacional do Transporte, enquanto 78,3% das rodovias concedidas tiveram seu estado avaliado como “bom ou ótimo”, no caso das públicas este percentual cai para 34,1%.

A constatação levou a entidade a reiterar sua defesa pela ampliação das concessões rodoviárias no país. “Em meio às dificuldades do governo, no sentido de aplicar recursos nas rodovias, as concessões podem ser fundamentais para promover a melhoria da infraestrutura do país”, afirmou o diretor executivo da CNT, Bruno Batista.

“Se considerarmos os trechos concedidos, 78,3% de sua extensão foram classificados como ótimo ou bom. Apenas 21,7% foram classificados como regular, ruim ou péssimo. No caso das rodovias públicas [sob responsabilidade dos governos federal ou estadual], a situação é inversa, com 65,9% da extensão apresentando algum tipo de deficiência e 34,1% classificados como bom ou ótimo”, acrescentou Batista.

De acordo com o levantamento da CNT, isso é explicado, em parte, pela queda nos investimentos dos governos locais ou nacional.

“Tivemos um pico de investimento do governo federal em 2012, com R$18,67 bilhões. Mas esses investimentos voltaram a cair nos anos seguintes, para cerca de R$12 bilhões anuais[em 2013 e 2014]. O problema é que nem todo investimento é, de fato, aplicado. Em 2014, 24,7% do investimento previsto não foi realizado”, informou o diretor.

Bruno Batista citou como exemplo a baixa aplicação dos recursos obtidos a partir do aumento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide/Combustíveis), que cobra R$0,05 por litro de diesel e R$0,15 por litro de gasolina. “Dos R$1,4 bilhões arrecadados com essa contribuição, apenas R$34,22 milhões foram pagos. Isso representa apenas 2,4% do arrecadado.”

Conforme o levantamento, nos 55 mil km de rodovias públicas foram investidos R$165 mil por km. Já nos 16,5 mil km de rodovias concedidas foram investidos R$422 mil por km.

Os dados indicam que a primeira rodovia do ranking liga a capital paulista à cidade de Limeira [trecho rodoviário que inclui a SP-310, a BR-364 e a SP-348]. Em segundo lugar está o trecho da SP-225 e da BR-369 , ligando Bauru e Itirapina. O terceiro trecho mais bem avaliado liga São Paulo e Taubaté (SP-070). Em quarto lugar está a ligação Ribeirão Preto e Borborema (SP-330, BR-050 e SP-070).

A pior avaliada em 2015 foi a BR-222, no trecho paraense que liga Marabá a Dom Eliseu. O segundo pior trecho foi o que liga Natividade (TO) a Barreiras (BA), passando pelas rodovias BA-460, BR-242, TO-040 e TO-280. A terceira pior avaliação é a do trecho da BR-158, que liga Jataí a Piranhas, em Goiás.

A Pesquisa CNT de Rodovias 2015 foi elaborada entre junho e julho deste ano, envolvendo 20 equipes da CNT.

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