Um representante do Pentágono afirmou neste sábado, 13, que a morte de Héctor “Niño” Guerrero, apontado como principal líder da organização criminosa venezuelana Tren de Aragua, representa “um sinal claro do compromisso dos Estados Unidos em intensificar o combate ao narcotráfico e às facções que atuam na América Latina.”

Guerrero morreu durante uma operação conduzida por forças norte-americanas em cooperação com autoridades venezuelanas. A ação foi confirmada pelos governos de Washington e Caracas na sexta-feira, 12, que informaram que o criminoso foi abatido durante confrontos envolvendo integrantes de grupos armados.

Em publicação nas redes sociais, Patrick Weaver, subchefe de gabinete do secretário de Defesa dos Estados Unidos, afirmou que a ofensiva demonstra que “não existe lugar seguro para narcoterroristas” na região e reiterou que o Departamento de Guerra continuará executando a estratégia de enfrentamento às organizações criminosas defendida pelo presidente Donald Trump.

O próprio Trump utilizou suas redes para confirmar que o Comando Sul americano realizou uma operação que classificou como “rápida e letal” contra o chefe da facção. O presidente também divulgou um vídeo que mostra imagens aéreas de uma explosão atribuída ao ataque.

Facção expandiu atuação para vários países

Criado na Venezuela, o Tren de Aragua se transformou em uma das maiores organizações criminosas da América Latina e foi classificado pelos Estados Unidos como grupo terrorista. Além do território venezuelano, a facção possui atuação registrada na Colômbia, Peru, Chile e Brasil.

No caso brasileiro, investigações apontam que o grupo se estabeleceu principalmente em Roraima, aproveitando a proximidade da fronteira com a Venezuela.

Entre as principais atividades atribuídas ao Tren de Aragua estão o tráfico de drogas e de armas, exploração sexual, transporte ilegal de migrantes, extorsão e crimes ligados ao garimpo clandestino.

Nos últimos meses, o governo Trump intensificou operações voltadas ao combate da organização, incluindo ações contra embarcações suspeitas de integrar rotas internacionais do narcotráfico no Caribe e no Oceano Pacífico.

De criminoso comum ao comando de uma facção internacional

Natural de Maracay, no estado venezuelano de Aragua, Héctor Guerrero nasceu em 1983 e iniciou sua trajetória no crime ainda no início dos anos 2000, praticando roubos e outros delitos. Em 2005, participou de um ataque contra uma delegacia que resultou na morte de um policial.

Preso em 2010 por crimes como tráfico de drogas, homicídio e roubo, foi encaminhado para o presídio de Tocorón. Dois anos depois conseguiu fugir, tornando-se um dos homens mais procurados da Venezuela, mas acabou recapturado em 2013 e levado novamente à mesma unidade prisional.

Em 2018, recebeu condenação de 17 anos por diversos crimes, entre eles homicídio, tráfico de entorpecentes, falsificação de identidade e posse ilegal de armamento de guerra, embora não tenha cumprido integralmente a pena.

Presídio funcionava como centro de operações

Mesmo encarcerado, Guerrero manteve o comando do Tren de Aragua e transformou a prisão de Tocorón em uma espécie de quartel-general da organização.

Durante sua permanência no local, o complexo ganhou estruturas incomuns para um sistema penitenciário, incluindo piscina, boate, cassino, restaurantes, bares, playground, estádio de beisebol, caixas eletrônicos, áreas para criação de animais e até um zoológico com espécies como onças, pumas e avestruzes.

Em 2023, uma grande operação militar foi realizada para retomar o controle da unidade. As autoridades encontraram túneis de fuga e um arsenal com granadas, lança-foguetes e explosivos, mas Guerrero conseguiu escapar antes da chegada das forças de segurança.

Especialistas já alertavam, à época, que a intervenção no presídio não significava necessariamente o enfraquecimento da estrutura da organização criminosa.

Acusações nos Estados Unidos

No fim de 2025, o governo americano apresentou acusações formais contra Guerrero em um tribunal federal de Manhattan por crimes como terrorismo, conspiração para extorsão, tráfico internacional de drogas e delitos relacionados ao uso de armas de fogo.

As autoridades dos Estados Unidos ofereciam recompensa de até US$ 5 milhões por informações que levassem à captura do líder criminoso.

Além disso, Guerrero também figurava como réu em um processo que envolve integrantes do alto escalão do governo venezuelano, incluindo o presidente Nicolás Maduro, sua esposa Cilia Flores, o ministro do Interior Diosdado Cabello e um dos filhos do mandatário.

Leia também: Mulher morre após ser jogada em rope jump sem equipamento de segurança em SP