Para advogado de Tiago Henrique, midiatização exacerbada era o que o serial killer “queria”

Uma avaliação psiquiátrica no suspeito está agendada para esta segunda-feira (20/10). Caso fique comprovado que o vigilante sofre alguma doença mental ele será considerado inimputável

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Vigilante Tiago Henrique Gomes da Rocha, de 26 anos | Foto: Mônica Parreira

O advogado do suposto serial killer que atuava nas ruas de Goiânia e vitimou ao menos 39 pessoas nos últimos três anos, Thiago Huáscar, afirmou que o vigilante Tiago Henrique Gomes da Rocha, de 26 anos, tinha interesse em assassinos em série e que “gosta de estar no centro das atenções”. Ainda de acordo com o advogado, a midiatização exacerbada do fato é o “ápice” para sujeitos com características “sanguinárias”. “Este é momento do serial. Ele queria chamar à atenção de alguma forma e conseguiu. Mas infelizmente foi por meio de sofrimento e sangue”, lamentou o defensor.

O fato de que quase todas as mulheres assassinadas mexiam no celular no momento do crime é um detalhe que, segundo o próprio advogado do suposto serial killer, é singular. “Eu perguntei para ele se tinha alguma coisa a ver com o uso de aparelhos celulares e ele confirmou que não. No entanto, durante os depoimentos, ele afirmou que observava o clarão do aparelho”, disse Thiago Huáscar.

Uma avaliação psiquiátrica no suspeito está agendada para esta segunda-feira (20/10). “A realização do exame com médicos forenses será para entender o perfil psicológico, para então adentrarmos com um pedido de insanidade mental. É uma vitória para a defesa. Conseguir antes de subir processo, antes de o juiz instaurar incidente de sanidade mental”, disse.

Caso fique comprovado que o vigilante sofre alguma doença mental ele será considerado inimputável, ou seja, incapaz de responder judicialmente pelos crimes. E poderá ser encaminhado pela Justiça para hospitais para tratamento psiquiátrico.

A série de homicídios de mulheres e a polêmica de um suposto serial killer iniciou no dia 19 de janeiro deste ano com a morte de Beatriz Oliveira, de 23 anos, no Setor Nova Suíça. Nos últimos meses, os crimes ganharam repercussão da mídia nacional e internacional e foram descritos como feminicídio.

No momento da prisão, que ocorreu na última terça-feira (14), a Polícia Civil encontrou com o suspeito uma arma e uma moto preta utilizadas nos crimes. Na quarta-feira (15), a arma foi analisada pela superintendente da Polícia Técnico-Científica de Goiás, Itatiana Pires, que confirmou, durante coletiva de imprensa o nome de seis jovens que foram assassinadas “efetivamente” por essa arma: Ana Lídia Gomes, 14 anos; Isadora Cândido, 15; Juliana Dias, 22; Rosirene Alberto, 29; Thaynara da Cruz, 13; Thamara Conceição, de 17.

Em depoimento para a polícia, o vigilante confessou os crimes e revelou que praticava os assassinatos após consumo de bebidas alcoólicas. Além disso, o suspeito declarou que foi abusado sexualmente na infância por um vizinho e que após os homicídios acompanhava os noticiários na televisão para descobrir o nome das vítimas, que eram tratadas por ele como números.

Segundo a polícia, o vigilante ainda assaltava loterias, farmácias, e roubava placas de outras motocicletas para alterar seu próprio veículo para continuar praticando os crimes.

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