Oposição cobra maior independência da Câmara em relação ao Paço em 2018

Parlamentares criticaram postura do presidente Andrey Azeredo (PMDB) na última sessão de 2017, mas ressaltaram pontos positivos no balanço do ano

Na última semana, o presidente da Câmara Municipal de Goiânia, vereador Andrey Azeredo (PMDB), realizou um balanço do primeiro ano desta legislatura, ressaltando economia do duodécimo e aprovação de matérias importantes para independência do Legislativo, como aprovação das emendas impositivas.

Os vereadores de oposição, porém, fazem uma avaliação diferente do ano de 2017 na Câmara Municipal.  Ao Jornal Opção, Elias Vaz (PSB) se disse decepcionado com a postura do presidente, em especial na última sessão do ano.

“No conjunto fiquei satisfeito com atual legislatura, acho que a Câmara em diversos momentos demonstrou independência, mas fiquei preocupado com o final agora porque parece que tem um grupo de vereadores que estão começando a repetir a mesmice do passado e transformar a Câmara em uma extensão do Paço Municipal”, avaliou o experiente Elias Vaz (PSB).

Ele fez referência ao episódio que ocorreu na quinta-feira (21/12), última sessão ordinária do ano, quando o projeto de Decreto Legislativo que suspende o chamado “IPTU do puxadinho” não foi votado por falta de quórum. A matéria não foi apreciada em plenário apesar do acordo pré-estabelecido entre base e oposição. A base do prefeito Iris Rezende (PMDB) esvaziou o plenário e a sessão foi encerrada por falta de quórum.

“O presidente vive às vezes uma confusão, porque ele representa o poder Legislativo e o poder é composto por vereadores de oposição e da base, então ele não pode ter um posicionamento aqui de líder do prefeito, o que às vezes acontece, me referindo, em especial, à postura dele como conduziu uma das situações mais lamentáveis que presenciamos aqui”, relembrou Elias.

Sobre o mesmo episódio, a vereadora Dra. Cristina Lopes (PSDB) criticou a postura do presidente Andrey Azeredo, comparando com a própria eleição da mesa diretora no dia 1º de janeiro de 2017. “A legislatura aqui na Câmara abriu e fechou da mesma forma. De uma forma sofrível, lamentável, pouco republicana, com o presidente atropelando a sessão. Nesta última ele usou de uma manobra que é natural dentro do legislativo, porém ele tinha um acordo. Ele colocou em votação uma matéria que precisava de quórum qualificado, o que forçou o encerramento da sessão de maneira desnecessária, amadora e muito canalha, na minha opinião”, asseverou a vereadora Dra. Cristina.

Jorge Kajuru (PRP) também relembrou a eleição da Mesa Diretora. “O primeiro dia da Câmara representou um dia sórdido. Não há nenhuma dúvida que foi uma eleição negociada, com participação de cartéis, discutida com pessoas que nem deveriam estar aqui. E aí veio o último dia, quando foi a confirmação da sordidez total, nós fomos feitos de palhaços, foi um episódio lamentável, realmente muito triste”, disse.

Boas surpresas

Para o ano que vem, a oposição aposta na ampliação da independência entre os poderes para a continuidade dos trabalhos do Legislativo. “Tivemos boas revelações nesta legislatura”, disse Elias Vaz (PSB), citando os novatos Sabrina Garcêz (PMB), Lucas Kitão (PSL), Jorge Kajuru (PRP) e Delegado Eduardo Prado (PV).

“Na minha opinião, esses novos vereadores, junto aos outros parlamentares que já vinham desempenhando trabalhos importantes, engrandeceram muito a Casa. Hoje a Câmara adquiriu um perfil, um nível que vai ser difícil o Executivo continuar com essa postura de querer tratorar este poder. Tivemos investigações importantes e posicionamento por várias vezes de independência, com a derrubada de vários vetos, por exemplo. Então ainda acredito que a Câmara mantém o perfil de independência na sua essência, mais do que tivemos no passado”, avaliou o vereador do PSB.

Dra. Cristina, por sua vez, ressaltou um maior empenho e produtividade dos vereadores em geral, com a formação de várias Comissões Especiais de Inquérito (CEI) e a realização de todas as sessões ordinárias, sem nenhum cancelamento durante o ano. “Hoje há um novo perfil no processo político brasileiro e as pessoas que não trabalharem efetivamente serão eliminadas. Isso é muito salutar”, ressaltou.

Segundo ela, durante o ano a Câmara teve pôde “legislar de frente para a população”, com a aprovação de projetos e derrubada de vetos do prefeito durante o ano. “O prefeito [Iris Rezende] desqualifica e despreza essa Casa ao não eleger um líder e isso gera um grande dano, em especial para a população de Goiânia. Muitas coisas inclusive estão sendo judicializadas porque ele não confia no trabalho desta Casa”, citou. Sobre este relacionamento conturbado entre Executivo e Legislativo, ela afirmou que não vê perspectiva de mudanças para o ano que vem.

 

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