Operação Monte Carlo: advogados recuperam aposentadoria de desembargador que respondia por improbidade

O desembargador sofreu condenação à pena de aposentadoria compulsória em processo administrativo disciplinar, instaurado a partir de fatos relacionados à Operação Monte Carlo

Júlio César Cardoso de Brito, aposentado compulsoriamente pelo TRT de Goiás (18ª Região) | Foto: reprodução

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) determinou, no último dia 2 de setembro, o restabelecimento da aposentadoria do desembargador Júlio César Cardoso de Brito, do Tribunal Regional do Trabalho da 18º Região (TRT-18). Ele havia sofrido condenação à pena de aposentadoria compulsória em processo administrativo disciplinar, instaurado a partir de fatos relacionados à Operação Monte Carlo.

O desembargador se tornou réu em ação de improbidade administrativa, com sentença que determinou a perda imediata de aposentadoria, independentemente de recurso.

Os advogados Demóstenes Torres e Vera Carla Silveira apelaram contra a sentença e apresentaram pedido de tutela, fundamentados pela Constituição da República e a Lei de Improbidade Administrativa que não preveem a pena de cassação da aposentadoria. Segundo a defesa, o desembargador foi aposentado compulsoriamente antes da sentença de improbidade, e o Judiciário não poderia interferir na decisão administrativa, confirmada pelo Conselho Nacional de Justiça.

Além disso, segundo a defesa não existia função pública a ser cassada no tempo da decisão de primeira instância e o direito à aposentadoria depende dos requisitos previstos em regime jurídico contributivo, e sua extinção não decorre da perda do cargo público decretada, depois, em processo judicial e o recorrente sofre nítido prejuízo, pois deixa de receber os proventos da aposentadoria a que tem direito, imprescindíveis para o sustento de sua família, já que não possui outra fonte de renda.

A determinação

Relator do caso no TRF-1, o desembargador federal Néviton Guedes acolheu o pedido, ao determinar a continuidade dos pagamentos até que seja julgado o mérito da apelação. Conforme registrou, “considerado o caráter alimentar dos proventos da aposentadoria, fato é que não poderia a sentença, cautelar e liminarmente, impedir o recebimento dos respectivos valores” e, mesmo se fosse legítima a cassação do benefício, não poderia ocorrer antes do trânsito em julgado.

Ainda, observou que a Lei de Improbidade não prevê a perda de proventos de aposentadoria e não pode receber interpretação extensiva, por se tratar de direito sancionador.

Por fim, segundo o magistrado, o juiz de primeiro grau não observou a lei, pois “determinou o depósito em juízo, a título de pagamento do valor da condenação, dos proventos integrais da aposentadoria percebida pelo apelante, o que não pode ser admitido, uma vez que não considerado o disposto no art. 833, IV, § 2º, do CPC, nem observado o limite relativo à garantia do sustento do requerido e de sua família”.

Com a decisão, o TRT-18 foi notificado para retomar, imediatamente, os pagamentos de aposentadoria de Júlio César.

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