Odair Resende: “Caiado prefere perder os prefeitos do DEM do que ficar sem o PMDB”

Prefeito de Quirinópolis afirma que senador é candidato ao governo em 2018 e precisa do apoio do PMDB. Gestor não aceita aliança e troca o DEM pelo PSDB

Marconi e Odair Resende, prefeito de Quirinópolis / Foto: Rodrigo Cabral (12/2013)

Marconi e Odair Resende, prefeito de Quirinópolis. Contra a aliança do senador Ronaldo Caiado com o PMDB, gestor troca DEM por PSDB, após convite do governador / Foto: Rodrigo Cabral (12/2013)

Ex-aliado do senador Ronaldo Caiado (DEM), o prefeito de Quirinópolis, Odair Resende, resolveu declarar que está complemente ao lado do governador tucano Marconi Perillo saindo do DEM e migrando para o PSDB. O anúncio da desfiliação será feito oficialmente no diretório democrata na próxima terça-feira (28). Motivo principal? A aliança entre o senador com o PMDB, feita nas eleições do ano passado e firmada com mais força este ano, quando os políticos já pensam em 2016 vislumbrando 2018.

Entre diversas críticas ao senador goiano, o prefeito afirma que o DEM é um partido de oposição ao PMDB desde sua criação, e que não pode compactuar com o que tem sido feito por Caiado. “Ele está pensando só nele, do mesmo jeito que fez ao passado”, diz ao garantir que o senador já é pré-candidato ao governo de Goiás em 2018, e precisa do apoio do PMDB. “Ele quer que os prefeitos do DEM que não apoiam o PMDB saiam. Isso poupa ele de lidar com futuras arestas”, diz.

O prefeito garante que o recado de Caiado foi claro: “Ele falou que não expulsa quem apoiou o Marconi no ano passado, mas também não dá legenda. O caminho para nós é um só.” E conforme o ainda democrata, os gestores municipais que apoiaram Marconi em 2014 não irão aceitar aliança concreta do DEM com o PMDB. Odair afirma que o democrata prefere, portanto, perder os prefeitos do DEM do que o apoio do PMDB no futuro.

O rompimento não é de hoje. Segundo o prefeito, desde o ano passado, com a aliança entre Caiado e PMDB, as relações entre ambos foram “cortadas”. Isso porque senador teria pedido para que o prefeito montasse dois palanques: um para ele e outro para o PMDB. Com a recusa, Caiado teria dito que “era o fim da relação” entre os dois. “Quem quer fazer o partido crescer faz isso?”, questionou.

O futuro tucano garante ter ligado no gabinete do DEM na semana passada para confirmar se o que foi dito por Caiado em relação aos prefeitos estaria confirmado. O democrata não teve resposta, tampouco um retorno por parte do senador. “Se ele fosse interessado, ele teria me ligado”, disse.

Ainda assim, com as críticas em relação ao senador, o prefeito elogia a atuação de Caiado no Senado Federal. “Ele está lá combatendo um governo corrupto. Isso é algo que não se questiona”, diz, mas logo alfineta: “O meu problema é o apoio dele ao PMDB. Se ele saísse do DEM e entrasse no PMDB, eu ficaria no DEM.”

Com o trauma recente da perda do filho, Odair ainda não sabe se tentará a reeleição na cidade. Tem conversado com outros nomes que podem ocupar a cadeira no Executivo municipal — já de olho no opositor, o deputado estadual Paulo César Martins (PMDB), que perdeu em 2012 por 1.460 votos. “Ele é um candidato forte, mas para ganhar do nosso grupo dá um trabalho”, afirmou. Vale lembrar que o deputado peemedebista tem comparecido nas reuniões do PMDB com o senador.

O sr. está se desfiliando do DEM. Como fica a relação com o senador Ronaldo Caiado?

As últimas declarações do Caiado foram no sentido de tirar da rodada os democratas que não compactuam com o PMDB. Ele falou que não vai expulsar, mas que não vai dar legenda para candidatos que não o apoiaram e que não apoiaram o Iris.

O quadro de 2018 já está desenhado. Caiado não é pré-candidato ao governo de Goiás? O comportamento dele é limpar o caminho. Ele não quer que haja disputa entre DEM e PMDB nos municípios. Se ele deixar democratas que são contra o PMDB, futuramente essa aliança vai gerar arestas que ele terá que lidar. Como nosso partido tem um número menor de prefeitos do que o PMDB, ele prefere fazer aliança com um número maior de prefeitos, mesmo que sejam do PMDB. Ele prefere ficar sem os poucos prefeitos do DEM, do que ficar sem o PMDB no futuro.

Com qual objetivo ele vai ficar alimentando pessoas que ele não vai ter na mão em 2018? [referência do prefeito vem porque maioria dos prefeitos democratas apoiaram o governador tucano Marconi Perillo nas eleições de 2014] O Caiado está pensando só nele, não no partido. Isso é claro. Não fui ouvido ano passado, quando ele firmou aliança com o Iris, e não fui ouvido agora.

Ele nos tirou da jogada para montar palanque com o PMDB, e não quer que haja candidato do DEM. Não vamos aceitar. Não teremos candidato do DEM vice de candidato do PMDB. A rixa aqui é feia. Não compactuamos com o PMDB.

A ligação entre o sr. e o Caiado ficou abalada estritamente por causa da aliança com o PMDB?

Claro! Nosso partido foi criado como sendo oposição ao PMDB. Ele [Caiado] sempre criticava a legenda; falava que o PMDB quebrou a Caixego; que o PMDB vendeu Cachoeira Dourada e ia quebrar também a Celg. Fomos criados dentro deste clima, e estivemos sempre nessa linha de oposição ao PMDB.

Eu fui deputado estadual pelo PSL em 1994. Em 1995, como vice-presidente do DEM, cheguei a assumir a presidência do partido por alguns dias. Na época, tive que expulsar — por orientação do Caiado — algumas lideranças do PSL porque tinham feito coligação com o PMDB. Agora ele mudou de opinião? O Caiado não soube conviver com o poder. Não tem ambiente para apoiar o Iris. É uma rivalidade de quatro décadas.

A linha da família Caiado sempre foi essa de perseguir o PMDB. Aí ele se desentendeu com o governador e passou a achar tudo do PMDB bonitinho. Eu tenho coerência. Fui deputado pelo PSL, depois fui prefeito. Ajudamos a derrubar o PMDB, que tanto incomodava o nosso senador. O Caiado abraçou os adversários que ele sempre xingou. Mas politica é isso para alguns. Eu não participo disso. Não dá para mudar de opinião agora.

Nosso país está mal administrado, e a gestão é do PT e PMDB. O Caiado rebate a Dilma o tempo todo, mas é o PMDB está em comando. Mas aqui em Goiás o PMDB não tem defeito para ele. Através do PMDB ele vislumbra eleição de governador, como ele fez agora para se eleger ao Senado.

Sempre apoiamos ele enquanto ele estava contra o PMDB. Agora hoje, ele já subiu no palanque para ajudar aqueles que sempre criticou.

Como o sr. vê o futuro do DEM?

Vai acabar, né? Todo mundo vai sair. Os prefeitos todos, na minha opinião, vão sair. Todo mundo apoiou a chapa inteira do Marconi nas eleições. Só uns dois prefeitos que montaram palanque tanto pro Marconi quanto pro Caiado.

Quantos deputados estaduais e federais têm ligação com o senador? Nenhum. Por isso acho que a tendência do DEM é acabar. Pegou essa bandeira de oposição ao governo federal, mas a nível estadual apoia PMDB? Não dá para misturar as coisas.

Nossa base é de oposição ao PMDB. Colocada a situação para que os prefeitos não lancem candidato para confrontar o PMDB, todos vão sair do DEM também. A não ser que o PMDB apoie o DEM em algumas cidades. Mas as nossas rixas são fortes demais. Como vamos coligar, depois de ser opositor ao PMDB? Quem tem ligação com o Marconi, a chance de apoiar o PMDB é muito pequena.

Em 2018, como o governador não poderá tentar reeleição, quem o sr. vai apoiar?

Vou ficar com qualquer candidato do governador. Eu sei que ele não vai apresentar alguém sem capacidade para gerir o Estado, por isso fico tranquilo. Sendo contra o PMDB, eu apoio. A rixa aqui é pessoal. O dia que o Marconi passar pro PMDB, a gente tira ele também. [risos]

Estou muito bem atendido pelo governador, e não vou me voltar contra ele. O PMDB não vai fazer o que o Marconi faz pela gente. Mesmo com essa crise nacional, ele consegue nos atender, e nós temos tentado fazer uma boa gestão.

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