Bruna Ariadne e João Reynol

Em outubro de 2014, Goiânia assistiu ao desfecho de uma das maiores investigações criminais de sua história. A prisão do vigilante Tiago Henrique Gomes da Rocha encerrou meses de medo e colocou fim a uma sequência de homicídios que transformou a rotina da capital goiana, mobilizou uma força-tarefa sem precedentes da Polícia Civil e ganhou repercussão nacional e internacional.

Quase 12 anos após a prisão, o caso continua sendo lembrado não apenas pelo número de vítimas e pelas condenações que ultrapassaram 700 anos de prisão, mas também pelo impacto deixado na cidade, nas famílias atingidas e nas instituições que atuaram para identificar, prender e julgar o responsável pelos crimes.

As investigações atribuíram a Tiago a morte de ao menos 15 mulheres e oito pessoas em situação de rua. Os homicídios ocorreram principalmente entre 2012 e 2014 e ficaram marcados pela aparente aleatoriedade das vítimas, característica que dificultou o trabalho da polícia, prolongou as investigações e ampliou a sensação de insegurança entre a população.

Embora os primeiros crimes atribuídos ao vigilante tenham ocorrido em 2012, foi ao longo de 2014 que o medo passou a fazer parte da rotina dos goianienses.

Os assassinatos aconteciam em diferentes bairros, em horários variados e atingiam vítimas sem qualquer ligação aparente entre si. Entre elas estavam adolescentes, trabalhadoras, frequentadores de bares, pessoas em situação de rua e moradores de diversas regiões da capital.

Sem um padrão evidente, a sequência de homicídios alimentava rumores e incertezas. A cada novo crime, crescia a suspeita de que um mesmo autor pudesse estar por trás dos ataques, enquanto a investigação ainda buscava elementos capazes de confirmar essa hipótese.

A sucessão de assassinatos alterou hábitos da população. Mulheres passaram a evitar caminhar sozinhas durante a noite, pontos de ônibus se transformaram em locais de apreensão e muitas famílias reorganizaram a rotina para acompanhar filhas, esposas e parentes nos deslocamentos diários.

O assunto dominava conversas em escolas, universidades, empresas e repartições públicas. A sensação de que o autor poderia atacar novamente a qualquer momento fez com que Goiânia vivesse um dos períodos de maior insegurança de sua história recente.

Família ainda convive com a dor

Mesmo após o encerramento dos julgamentos, familiares das vítimas seguem convivendo diariamente com as consequências dos crimes e com a ausência daqueles que tiveram suas vidas interrompidas.

O promotor de Justiça aposentado Uigvan Pereira Duarte perdeu a filha, Ana Maria Victor Duarte, de 27 anos, assassinada em março de 2014. Formada em Direito, aprovada no Exame da OAB e prestes a iniciar a carreira na advocacia, ela foi uma das vítimas atribuídas a Tiago Henrique Gomes da Rocha.

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Pai da vítima e promotor de Justiça aposentado, Uigvan Pereira Duarte | Foto: Reprodução

Quase 12 anos depois, ele afirma que a dor permanece presente.

“Eu nunca imaginava que isso acontecesse comigo. Mas nós somos filhos de Deus e estamos sujeitos a tudo. É uma terra arrasada. Não tem como a gente viver em paz. A saudade e as lembranças continuam vivas”, relata.

Apesar da condenação do autor dos crimes, Uigvan diz que nenhuma decisão judicial foi capaz de reparar a perda.

A justiça maior é a justiça de Deus, mas foi feita a justiça dos homens. A pena foi cabível para o caso. Eu nem consegui ir ao julgamento

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Ana Maria Victor Duarte, de 27 anos, assassinada em março de 2014 | Foto: Reprodução

Segundo ele, as consequências da tragédia atingiram toda a família e seguem presentes mais de uma década depois.

“A mãe vive até hoje à base de remédios. Minha outra filha já tinha um problema de saúde e complicou muito mais. Toda a família ficou destroçada”, lamenta.

A dor também permanece na família de Wanessa Oliveira Felipe, de 22 anos, assassinada em abril de 2014 enquanto estava em uma farmácia no Bairro Goiá. Irmão da jovem ao recordar os dias que sucederam o crime, Marcelo afirma que o impacto foi devastador para todos os familiares, principalmente para a mãe.

“Quando um pai enterra um filho, não existe explicação. É um sentimento de ódio, de raiva, de amor, de falta. Minha mãe nunca mais foi a mesma. Hoje ela convive com problemas psiquiátricos, neurológicos e toma dezenas de remédios todos os dias”, afirma.

Ele também lembra que o medo tomou conta de Goiânia enquanto o responsável pelos crimes ainda não havia sido identificado.

“Todo mundo tinha medo. As mulheres não andavam mais sozinhas. Maridos buscavam esposas no ponto de ônibus, pais buscavam filhas, famílias mudaram a rotina porque ninguém sabia quem seria a próxima vítima”, recorda.

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Wanessa Oliveira Felipe, de 22 anos, assassinada em abril de 2014 enquanto estava em uma farmácia no Bairro Goiá | Foto: Reprodução

Na avaliação de Marcelo, a repercussão do caso foi decisiva para que a investigação ganhasse força.

“A imprensa teve um papel muito importante. Foi ela que começou a mostrar que havia alguma coisa estranha acontecendo. Se não fosse essa pressão, talvez ele continuasse matando por muito mais tempo”, pontua.

Mesmo após a prisão de Tiago Henrique, ele afirma que as famílias das vítimas continuaram enfrentando as consequências dos crimes praticamente sem apoio.

O autor dos crimes recebe assistência dentro do sistema prisional, enquanto as famílias ficaram sozinhas. Minha mãe nunca recebeu acompanhamento psicológico do poder público. Ela precisou enfrentar tudo isso praticamente sem apoio

Ao falar sobre a irmã, Marcelo diz que gostaria que ela fosse lembrada pelos sonhos interrompidos de forma violenta.

“Quero que as pessoas lembrem da Wanessa pelo sorriso, pela alegria e pelos sonhos que ela tinha. Não apenas como mais uma vítima daquele caso”, conclui.

A morte que mudou a investigação

Embora os primeiros homicídios atribuídos ao vigilante tenham ocorrido em 2012, o assassinato da adolescente Ana Lídia Gomes, em 2 de agosto de 2014, marcou uma mudança na condução das investigações.

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Aos 14 anos, Ana Lídia Gomes foi morta em ponto de ônibus | Foto: Reprodução

A jovem foi morta enquanto aguardava um ônibus no Setor Cidade Jardim. O crime provocou forte comoção social e aumentou a pressão para que as forças de segurança identificassem o autor da sequência de homicídios que espalhava medo pela capital.

Dois dias depois, em 4 de agosto, a Polícia Civil criou uma força-tarefa exclusiva para investigar os casos.

Inicialmente, a estrutura reuniu 70 policiais civis, entre 16 delegados, 30 agentes, 20 escrivães e quatro papiloscopistas. Com o avanço das apurações, aproximadamente 140 profissionais passaram a atuar na investigação, considerada uma das maiores já realizadas pela Polícia Civil de Goiás.

O então delegado Eduardo Prado afirma que, desde o início, acreditava que os crimes eram praticados por uma única pessoa.

“Desde que comecei a investigação eu já tinha essa sensibilidade. Eu era talvez um dos poucos que defendia essa tese. Estudei todos os casos, um por um, e compartilhava com colegas que, na minha visão, era o mesmo indivíduo que estava matando.”

Segundo ele, a maior dificuldade era justamente a ausência de qualquer ligação entre as vítimas.

“Eram mulheres, moradores de rua e pessoas de perfis completamente diferentes. Isso confundia as linhas de investigação e tornava o trabalho extremamente complexo. A maior lembrança que tenho é justamente da dedicação da equipe e da periculosidade que ele representava para as mulheres de Goiânia.”

O quebra-cabeça da investigação

Um dos maiores obstáculos enfrentados pelos investigadores era a ausência de um padrão evidente entre as vítimas. Os crimes aconteciam em bairros distintos, atingiam perfis variados e apresentavam circunstâncias diferentes, dificultando a identificação de um suspeito.

Ao longo dos meses, porém, a força-tarefa começou a reunir indícios que apontavam para a atuação de um mesmo autor. Dias antes da prisão, uma tentativa de homicídio registrada no Jardim América reforçou essa convicção.

De acordo com Eduardo Prado, uma das principais viradas da investigação surgiu a partir de detalhes aparentemente insignificantes.

“Conseguimos identificar duas letras e dois números de uma placa. A partir disso, fizemos um levantamento de possíveis veículos e chegamos a algumas motos. Uma delas chamou atenção porque a placa havia sido furtada dias antes e depois apareceu em outros crimes.”

Delegado Eduardo Prado | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

O delegado explica que a prisão só foi possível graças ao cruzamento de diferentes elementos coletados durante meses de investigação.

“Observamos a maneira de caminhar, a postura corporal, o capacete, o tipo de roupa e o modo de agir. Fizemos um exame prosopográfico e conseguimos consolidar a percepção de que era o mesmo indivíduo. Foi esse conjunto de informações que deu solidez à investigação e permitiu chegar ao autor dos crimes.”

A prisão

Em 14 de outubro de 2014, Tiago Henrique Gomes da Rocha foi preso, encerrando uma investigação que mobilizou dezenas de policiais civis e colocou Goiânia em estado de alerta durante meses.

Na época, a Polícia Civil informou que o vigilante poderia estar ligado a pelo menos 16 das 18 mortes investigadas pela força-tarefa. Com o avanço das apurações, novos processos foram incorporados ao conjunto de acusações.

A prisão foi recebida com alívio por parte da população e marcou o fim de uma das fases mais tensas da história recente da capital. Segundo a Polícia Civil, após a criação da força-tarefa e no período que antecedeu a captura do suspeito, não houve novos homicídios atribuídos à mesma sequência criminosa.

O delegado Eduardo Prado relembra que a identificação definitiva ocorreu antes mesmo de qualquer confissão.

“Quando ele desceu do carro e deu alguns passos, eu já sabia que era ele. Passei horas analisando imagens, observando a forma de caminhar, a postura corporal e a maneira como ele agia. Aquela caminhada eu já conhecia.”

Segundo o delegado, o próprio suspeito demonstrou que acompanhava de perto o trabalho da polícia. “Assim que foi preso, ele olhou para mim e disse: ‘O senhor me prendeu por causa do capacete’. Depois ainda comentou que me conhecia da televisão. Aquilo mostrou que ele acompanhava toda a investigação.”

Na casa de Tiago, os investigadores encontraram recortes de jornais sobre os assassinatos, placas de motocicletas utilizadas nos crimes, a capa vermelha usada para alterar a aparência da moto e outros objetos considerados importantes para a investigação.

“Foi uma experiência muito forte. Era o resultado de meses de trabalho intenso e de muita dedicação da equipe. Tivemos a sensação de que estávamos dando uma resposta à sociedade.”

Os julgamentos e a resposta da Justiça

Após a prisão, o caso passou a percorrer um longo caminho no Judiciário. O primeiro júri popular ocorreu em fevereiro de 2016, quando Tiago foi condenado pela morte da adolescente Ana Karla Lemes da Silva, de 15 anos.

Nos anos seguintes, dezenas de julgamentos analisaram os homicídios atribuídos ao vigilante. Em setembro de 2018, as penas acumuladas já ultrapassavam 684 anos de prisão, além de condenações por roubo e porte ilegal de arma de fogo.

Ao todo, o presidente do Tribunal do Júri, juiz Jesseir Coelho de Alcântara, presidiu 20 sessões relacionadas ao caso, que envolveram quase 30 vítimas.

Foi um dos casos mais complexos da minha carreira. Não apenas pela quantidade de processos, mas pelo número de vítimas e pela repercussão que o caso teve em Goiás e no Brasil

presidente do Tribunal do Júri, juiz Jesseir Coelho de Alcântara | Foto: Reprodução

O magistrado afirma que o comportamento do réu durante os julgamentos também chamou atenção.

“Ele sempre demonstrava muita frieza. Na maioria das sessões permanecia em silêncio, de cabeça baixa, sem responder às perguntas. Apenas em um julgamento resolveu falar. Essa postura causava um impacto muito grande nas famílias.”

Segundo Jesseir, a condução dos júris exigiu um esforço incomum do Poder Judiciário. “Conseguimos julgar praticamente todos os processos em um curto espaço de tempo. Foi um desafio enorme, mas mostrou o trabalho conjunto entre a investigação e o Judiciário para dar uma resposta às vítimas e à sociedade.”

Durante a tramitação dos casos, laudos da Junta Médica Psiquiátrica do Tribunal de Justiça concluíram que Tiago apresentava transtorno de personalidade antissocial, quadro compatível com psicopatia. Apesar do diagnóstico, os especialistas apontaram que ele possuía plena capacidade de compreender o caráter ilícito de seus atos e, por isso, podia ser responsabilizado criminalmente.

“O laudo mostrou que ele não tinha remorso nem sentimento pelas vítimas. Ainda assim, compreendia perfeitamente o que fazia. Por isso respondeu criminalmente por todos os crimes cometidos”, resume o magistrado.

A atuação do Ministério Público

Ao lado da Polícia Civil, o Ministério Público de Goiás teve papel central na condução dos processos que resultaram nas condenações. Ao todo, 34 ações penais chegaram ao Tribunal do Júri, mobilizando uma força-tarefa de promotores ao longo de vários anos.

As denúncias apresentadas foram analisadas em dezenas de sessões do júri popular, consolidando o entendimento da Justiça sobre a autoria dos crimes e garantindo a responsabilização do condenado.

O procurador de Justiça Maurício Gonçalves de Camargos, que atuou em 17 dos julgamentos, relembra que a principal preocupação do Ministério Público era garantir que a forte pressão social não comprometesse a qualidade da investigação.

“Havia uma cobrança enorme da sociedade para que aqueles homicídios fossem esclarecidos. Nossa preocupação era que a investigação chegasse ao verdadeiro responsável, sem precipitações. A Polícia Civil fez um trabalho extraordinário e, quando surgiram a prisão, a confissão e os laudos periciais, tivemos segurança para levar os casos ao Tribunal do Júri.”

Procurador de Justiça Maurício, Gonçalves de Camargos | Foto: Divulgação

Segundo ele, um dos fatores que mais dificultaram a apuração foi justamente a ausência de qualquer ligação entre autor e vítimas.

“Nos homicídios, normalmente existe uma motivação, uma relação entre vítima e autor. No caso do Tiago não havia isso. As vítimas eram escolhidas aleatoriamente. Não havia um ponto de partida para a investigação, e isso apavorava não apenas a população, mas também os próprios investigadores.”

Camargos afirma que os julgamentos exigiram uma atuação coordenada entre os promotores. “Atuei em 17 dos 34 casos levados ao Tribunal do Júri. Foi um trabalho muito intenso, com reuniões constantes e uma grande responsabilidade para que a Justiça desse uma resposta às famílias e à sociedade.”

Um caso que entrou para a história de Goiás

Quase 12 anos após a prisão, o caso segue sendo citado por investigadores, promotores e magistrados como uma das ocorrências criminais mais marcantes da história de Goiás.

Além do número de vítimas, a investigação ficou marcada pela mobilização sem precedentes das forças de segurança, pela repercussão nacional e pelo impacto que provocou na rotina da população.

O presidente do Tribunal do Júri, juiz Jesseir Coelho de Alcântara, afirma que o caso permanece como um marco para o Poder Judiciário goiano.

Foram 20 sessões que presidi envolvendo o Tiago Henrique. Foi um dos casos mais complexos da minha carreira, tanto pelo número de vítimas quanto pela quantidade de processos

Segundo o magistrado, a postura do condenado durante os julgamentos também ficou marcada na memória de quem acompanhou as sessões.

“Ele sempre demonstrava muita frieza. Na maioria das vezes permanecia em silêncio, de cabeça baixa, sem responder às perguntas. Isso causava um impacto muito grande nas famílias das vítimas, que acompanhavam os julgamentos.”

Para Jesseir, o caso representa um capítulo importante da história do Judiciário goiano. “Foi uma questão histórica para o Tribunal de Justiça de Goiás. Conseguimos julgar praticamente todos os homicídios em um curto espaço de tempo e dar uma resposta à sociedade. Esse é um caso que não pode cair no esquecimento.”

Para muitos goianienses, o período entre 2013 e 2014 permanece associado ao medo que tomou conta das ruas da cidade e à expectativa pelo desfecho das investigações. Para familiares das vítimas, no entanto, a passagem do tempo nunca foi suficiente para apagar as marcas deixadas pelos crimes.

Reflexão da família

Passados quase 12 anos, a ausência de Ana Maria Victor Duarte continua presente na rotina da família. Para o pai, o promotor de Justiça aposentado Uigvan Pereira Duarte, a condenação do autor dos crimes representou uma resposta da Justiça, mas jamais foi capaz de preencher o vazio deixado pela filha.

Se ela estivesse aqui hoje, já seria uma profissional, teria constituído família. Nossa família estaria completa. Infelizmente, isso foi interrompido

Mais do que relembrar o crime, Uigvan prefere preservar a memória da filha pelos sonhos, pela trajetória e pela pessoa que ela era. “Gostaria que ela fosse lembrada como realmente era. Para nós, ela era tudo. Era uma filha fora de série, uma companheira de todos os momentos”, afirma.

O mesmo sentimento é compartilhado por Marcelo Oliveira Felipe, irmão de Wanessa Oliveira Felipe, de 22 anos, outra vítima do serial killer. Para ele, o tempo não apagou a dor da perda, mas reforçou a necessidade de que a irmã seja lembrada por quem era, e não apenas pela violência que interrompeu sua vida.

“Wanessa era uma pessoa alegre, sorridente, muito ligada à família. Estava estudando, fazia planos, sonhava em cursar Veterinária, casar e construir uma família. Ela estava começando a viver”, relembra.

Marcelo afirma que o caso não pode ser reduzido apenas ao nome do criminoso ou ao número de vítimas. “O importante é que as pessoas saibam quem eram essas mulheres, quais eram os sonhos delas e tudo o que foi interrompido”, pontua.

Para Uigvan e Marcelo, o tempo transformou a dor em saudade, mas não apagou a responsabilidade de manter vivas as histórias de quem teve a vida interrompida. Mais do que lembrar um dos maiores casos criminais de Goiás, eles defendem que as vítimas sejam recordadas pelos sonhos, pelas conquistas e pelos projetos que não puderam ser realizados.

Relembre o caso:

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