Reajustes salariais, criação de novas carreiras, ampliação de benefícios e fortalecimento institucional de órgãos estratégicos integram o pacote de valorização dos servidores anunciado para a Segurança Pública de Goiás. As medidas, que também alcançam a Polícia Científica, a Polícia Penal e o Procon Goiás, devem gerar impacto financeiro de R$ 445,1 milhões em 2026 e de R$ 771,9 milhões em 2027, segundo projeções apresentadas pelo Estado.

Segundo os dados apresentados pelo Executivo, o impacto financeiro das medidas deve alcançar R$ 445,1 milhões em 2026 e R$ 771,9 milhões em 2027. Apenas as ações específicas previstas no pacote representam R$ 248,9 milhões no próximo ano e R$ 477,6 milhões em 2027. Os valores já incluem a aplicação da data-base de 4,26% aos servidores estaduais.

A tramitação do Pacote da Segurança Pública na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) foi interrompida nesta terça-feira, 23, após os deputados Delegado Eduardo Prado (PL), Major Araújo (PL), Mauro Rubem (PT) e Antônio Gomide (PT) solicitarem vista do projeto. A proposta havia sido lida em plenário e encaminhada à Comissão Mista, mas não pôde avançar para votação devido ao pedido dos parlamentares.

Com a solicitação, o texto permanece sob análise e deverá retornar à comissão após o cumprimento do prazo regimental.

Coronéis terão aumento de 20% no subsídio

Entre as principais mudanças para as carreiras militares está a fixação do subsídio dos coronéis da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar. A proposta prevê reajuste de 20% para os ocupantes do posto, condicionado a 30 anos de serviço e pelo menos 25 anos de carreira militar.

Outra medida é a criação do Quadro de Oficiais Especialistas (QOE), que amplia a possibilidade de progressão funcional até o posto de tenente-coronel. Atualmente, esses profissionais podem alcançar apenas a graduação de major.

Reestruturação salarial beneficia policiais civis e militares

O pacote também promove mudanças na estrutura remuneratória de diferentes carreiras. No caso dos subtenentes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar, a remuneração passará de R$ 14.821,93 para R$ 17.185,74, o que representa aumento de R$ 2.363,81 ou 15,95%.

Já para agentes, escrivães e papiloscopistas da Polícia Civil, a proposta prevê reajuste de 10,01%, elevando os vencimentos para R$ 17.185,74.

Os valores pagos pelo serviço extraordinário (AC4) também serão reajustados. Na escala azul, o valor da hora diurna sobe de R$ 26,47 para R$ 30 e a noturna passa de R$ 29,80 para R$ 33. Já na escala vermelha, os valores passam de R$ 36,41 para R$ 40 no período diurno e de R$ 41,38 para R$ 45 no período noturno.

Delegados terão nova classe especial

Na Polícia Civil, o governo propõe a criação dos níveis Inicial e Final da Classe Especial da carreira de delegado. A medida prevê acréscimo de 20% na remuneração da Classe Especial Final e estabelece como requisitos 25 anos de contribuição e 11 anos de permanência na Classe Especial.

Polícia Científica ganhará diretoria própria

Outro destaque do pacote é o fortalecimento da Polícia Científica. O governo pretende criar a Diretoria de Polícia Científica (DPC), responsável por dar maior autonomia administrativa e fortalecer a estrutura institucional do órgão. Também está prevista a regulamentação das regras de integridade e paridade remuneratória entre servidores ativos e inativos.

Além disso, cargos atualmente classificados como de nível médio passarão a exigir formação superior. A mudança alcança as funções de auxiliar de autópsia, auxiliar de laboratório criminal, fotógrafo criminal e desenhista criminal.

Polícia Penal terá reforço na gestão

A proposta também contempla a Polícia Penal com a criação de cargos de direção destinados às unidades prisionais do Estado. Segundo o governo, a medida busca fortalecer a gestão administrativa e operacional do sistema penitenciário goiano.

Fiscais do Procon terão reajuste superior a 50%

Os fiscais do Procon Goiás também serão contemplados pelo pacote. A proposta prevê reajuste remuneratório superior a 50%, como forma de fortalecer as atividades de fiscalização e defesa do consumidor em todo o Estado.

Educação terá aumento em indenizações

Embora o foco principal do anúncio seja a Segurança Pública, o governo incluiu medidas voltadas à Educação. A indenização por horas-aula ministradas (AC2) terá aumento de 50%, elevando o teto anual de R$ 700 para R$ 1.050. Os valores pagos por hora-aula também serão reajustados para professores graduados, especialistas, mestres e doutores.

Outra medida amplia em mais de 50% a indenização por localidade (AC3) paga aos servidores lotados na Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (Ride). O benefício passará de R$ 552 para R$ 828 e alcança 4.187 servidores.

Pacote será analisado pela Alego sob críticas e pedidos de mudanças

Durante a tramitação, parlamentares e representantes de categorias defenderam alterações no texto. A deputada estadual Bia de Lima afirmou que ainda não teve tempo suficiente para analisar o projeto, mas disse não ter identificado medidas voltadas aos policiais veteranos. “Procurei no projeto para ver se tinha alguma coisa que garantisse aos veteranos também as prerrogativas. E não vi”, afirmou.

Ela também criticou a política do governo para os servidores públicos e afirmou que, ao longo da gestão, houve retirada de direitos. Sobre a situação dos aposentados, acrescentou: “Servidor aposentado tem que ser respeitado. A pessoa trabalhou uma vida inteira e não pode ser tratada com desprezo”.

O presidente do Simpol Goiás, Renato Rick avaliou que o pacote representa um avanço parcial para a Polícia Civil. “Nós reconhecemos os esforços do governo nesse momento. O governador Daniel Villela atendeu parcialmente a demanda de equiparação da carreira do policial civil com a do policial penal”, afirmou.

Segundo ele, ainda persistem distorções salariais entre as categorias. “Em vários níveis o policial penal recebe mais do que o policial civil. Essa diferença no topo da carreira está sendo corrigida agora, mas outras ainda permanecem em aberto”, disse.

Rick também lamentou que o auxílio-alimentação previsto contemple apenas servidores da ativa. “Nós queríamos que tivesse benefício para toda a segurança pública, inclusive aposentados, mas entendemos o auxílio como um sinal positivo do governo”, pontuou.

Já o presidente da ASSEGO (Associação dos Subtenentes e Sargentos do Estado de Goiás), Subtenente Sérgio, afirmou que o pacote ficou aquém das expectativas dos militares estaduais. “Os textos que foram construídos ficaram muito distantes de atender os anseios especialmente dos militares”, declarou.

Subtenente Sérgio | Foto: Divulgação/ASSEGO

Ele destacou que há um sentimento de insatisfação relacionado à falta de reestruturação das carreiras e à situação dos militares da reserva. “Nós tivemos mais de 800 militares que foram para a reserva sem o reconhecimento de um direito histórico, que é a promoção ao posto imediato na transferência para a reserva remunerada”, afirmou.

Apesar das críticas, Sérgio disse acreditar que ainda há espaço para ajustes durante a tramitação legislativa. “Queremos ter oportunidade de contribuir para fazer alguns reparos necessários e amenizar esse sentimento de injustiça”, concluiu.

Na base governista, o deputado Talles Barreto defendeu o alcance das medidas e afirmou que o Executivo realizou um grande esforço financeiro para viabilizar o pacote. “Estamos falando de um projeto que vai custar mais de meio bilhão de reais por ano. É difícil agradar todos da melhor forma possível”, disse.

Segundo ele, o governo buscou contemplar diferentes segmentos da Segurança Pública. “O governo Daniel fez um esforço tremendo para chegar nesses números, com benefícios para Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Científica, Polícia Penal e Bombeiros, além de reconhecer aposentados e pensionistas em diversos pontos”, afirmou.

Sobre possíveis alterações, Barreto indicou que o diálogo permanece aberto durante a tramitação. “Vamos aguardar as emendas e verificar, junto à equipe do governo, o que é possível fazer. Não existe nada fechado, mas é preciso considerar também o limite financeiro que o Estado suporta”, declarou.

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