“O mundo não está nos olhando horrorizado por acaso”, diz Barroso sobre desmatamento na Amazônia

Durante sessão de julgamentos, ministro reiterou fundamentos da decisão que obrigou governo federal a adotar medidas para conter contágio e mortandade por Covid-19 entre população indígena

Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal. | Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

O ministro Luís Roberto Barroso disse na primeira sessão de julgamentos do Supremo Tribunal Federal (STF) desta segunda-feira, 3, que o mundo não está “olhando horrorizado” para o Brasil “por acaso”, em referência ao desmatamento na região amazônica.

“Não é pequena a consequência da degradação e do desmatamento. O mundo não está nos olhando horrorizado por acaso, é porque há consequências para o ciclo da água, há consequências para a biodiversidade, para a mudança climática, e eu espero que com grande atraso, mas não tarde demais, o Brasil tenha, pela sua sociedade e pelo seu governo, acordado para a importância do papel que nós representamos para o mundo e o dever que temos de criar uma economia sustentável, sobretudo para a Amazônia para que a preservação da floresta de pé valha mais do que a ambição de derrubá-la”, afirmou o ministro.

Na sessão, Barroso reiterou os fundamentos da decisão que obrigou o governo federal a adotar medidas para conter o contágio e a mortandade por Covid-19 entre a população indígena.

O ministro determinou, no mês passado, que o governo instale uma sala de situação para acompanhar ações de combate à pandemia voltadas para povos indígenas. Também estabeleceu que o governo elabore um plano de enfrentamento da Covid-19 para essa população, incluindo medidas de contenção e isolamento de invasores nas terras indígenas.

Segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, já foram confirmados 21.646 casos de Covid-19 entre os povos indígenas do Brasil, dos quais 623 resultaram em morte.

Agora, o plenário do STF vai decidir se confirma ou não a liminar de Barroso. O julgamento será retomado nesta quarta-feira, 5, quando os outros 10 ministros do STF devem se pronunciar.

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